'Caos no Brasil': imprensa internacional repercute cancelamento do debate da Globo antes do primeiro turno
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'Caos no Brasil': imprensa internacional repercute cancelamento do debate da Globo antes do primeiro turno

Evento teve ausência dos dois principais candidatos postulantes ao pleito máximo do país

Por O Globo — Rio de Janeiro

02/10/2026 06h37 Atualizado 02/10/2026 06h45

Diversos veículos de comunicação internacionais repercutiram o cancelamento do debate da TV Globo, ocorrido na noite desta quinta-feira (1°), após ser confirmada a ausência do candidato Flávio Bolsonaro (PL). Ações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo Federal Federal (STF) alteraram as regras pré-estabelecidas e levaram à decisão da emissora, que citou a falta de segurança jurídica para a realização. Canais de diversos países fizeram publicações a respeito do cancelamento.

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  • A agência de notícias Reuters foi uma das primeiras a fazer uma publicação a respeito do debate cancelado. No título, o veículo reitera a ausência prévia de Lula (PT) e o cancelamento de Flávio, dois dos mais bem colocados candidatos nas pesquisas eleitorais mais recentes. A matéria da agência foi replicada por outros canais de países como Itália e França.

    O site do canal Al Jazeera escreveu que o presidente brasileiro e o candidato da oposição "ignoraram" o último debate e "recusaram a oportunidade" de discutir antes do primeiro turno. O portal ressaltou que Lula, em vez de participar do encontro com os concorrentes, optou por aparecer em um podcast popular com milhões de inscritos no YouTube, enquanto seu rival Flávio Bolsonaro acusou o TSE de afetar a liberdade de imprensa ao alterar as regras do embate.

    "O candidato de direita se referia a uma decisão que impedia a emissora responsável pela transmissão do debate de manter o assento vazio do presidente Lula no palco", escreveu.

    Para o espanhol El Mundo, formou-se um "caos no Brasil" a dias do primeiro turno. Citou o cancelamento do debate, com as alegações da TV Globo sobre interferência judicial na liberdade de imprensa, e a reação crítica de outros nomes confirmados no embate, como o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD).

    O site da publicação reportou ainda que, no mesmo dia, a revista "Piauí" revelou a organização, pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, de festas sexuais para políticos, magistrados e outros "homens poderosos".

    A agência AFP também relatou que Lula e Flávio "ignoraram" o debate e frisou que os dois principais candidatos à Presidência no Brasil "intensificaram as táticas sujas na reta final da campanha polarizada". Citou como exemplo "uma acirrada discussão" sobre a santa padroeira do Brasil, após debates sobre um projeto arquivado há quase 20 anos que tinha o objetivo de retirar esse título da Nossa Senhora.

    "Alguns comentaristas interpretaram a decisão do presidente de faltar ao debate final como uma tentativa de evitar críticas de outros participantes que não são de esquerda. Mas o programa foi cancelado depois que Bolsonaro também desistiu, acusando o tribunal eleitoral de censura após este proibir que o programa deixasse um púlpito vazio no estúdio para representar Lula. Os participantes também foram proibidos de direcionar seu tempo de fala para o espaço vazio", contou a AFP.

    A CNN em espanhol também repercutiu o cancelamento e descreveu a insegurança jurídica por trás da decisão. Fizeram o mesmo a agência EFE, o jornal colombiano El Tiempo e o periódico peruano El Comercio. "Essa seria a última oportunidade para os eleitores ouvirem as propostas dos principais candidatos à Presidência antes das eleições", destacou a agência espanhola.

    Outro canal que produziu uma matéria sobre o cancelamento foi o portal suíço "SwissInfo", um dos principais do país. O jornal classificou este como um caso de "interferência indevida", em referência as decisões feitas pelo Judiciário do país, que determinaram mudanças nas regras do debate.

    Na Dinamarca, o "Berlingske", um dos mais tradicionais jornais do país, também publicou sobre o cancelamento do encontro da TV Globo. O periódico também atrelou como fatores decisivos as ausências de Lula e Flávio.

    Como ocorreu o cancelamento?

    A emissora informou que recebeu, pouco antes do início do debate, duas intimações judiciais relacionadas à realização do encontro. A primeira é assinada pela ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e atende a um pedido da coligação da candidatura de Lula, do PT, à Presidência da República.

    A ata com as regras, assinada por todos os partidos, inclusive o PT, determina que, em caso de ausência do candidato, o púlpito reservado a ele seja mantido vazio no cenário, com uma placa que o identifique. E que numa das rodadas de tema livre, os candidatos presentes que assim desejarem formulem em trinta segundos a pergunta que fariam ao candidato que não compareceu.

    A segunda intimação recebida pela Globo esta noite é de uma decisão proferida pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, e atende a um pedido feito pelo partido Solidariedade a respeito da participação no debate de Renan Santos, do Missão.

    A Globo tem longa tradição na organização de debates eleitorais. Nosso propósito é promover a discussão de ideias para o Brasil. Oferecer aos eleitores a oportunidade de comparar projetos. Nosso dever é o de promover a democracia.

    Mas as sucessivas decisões judiciais tomadas momentos antes da realização do debate causam insegurança jurídica e representam uma interferência indevida na liberdade que os veículos de imprensa tem de organizar os debates eleitorais.

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