Papa Leão XIV denuncia a 'indiferença' com os imigrantes em ato simbólico nas Canárias, onde 1.200 morreram ou desapareceram
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Papa Leão XIV denuncia a 'indiferença' com os imigrantes em ato simbólico nas Canárias, onde 1.200 morreram ou desapareceram

Pontífice lançou flores ao mar em memória das vítimas da travessia atlântica e afirmou que o Mediterrâneo e o Atlântico não podem se tornar 'cemitérios sem lápides'

11/06/2026 13h34 Atualizado 11/06/2026 13h34

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GERADO EM: 11/06/2026 - 13:34

Papa Leão XIV condena indiferença global aos imigrantes nas Canárias

O Papa Leão XIV denunciou a "indiferença" global em relação aos imigrantes em um ato simbólico nas Ilhas Canárias, onde cerca de 1.200 pessoas morreram ou desapareceram em travessias perigosas. Durante a visita à Espanha, o Papa lançou flores ao mar em memória das vítimas e alertou que o Mediterrâneo e o Atlântico não devem se tornar "cemitérios sem lápides". Ele enfatizou a necessidade de acolhimento e proteção dos imigrantes.

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O Papa Leão XIV denunciou, nesta quinta-feira, a "indiferença" com os imigrantes que são explorados ou morrem no mar tentando chegar à Europa, em uma comovente homenagem no porto de Arguineguín, nas Ilhas Canárias, um símbolo da crise migratória. Na etapa final e politicamente significativa de sua visita à Espanha, o Pontífice lançou um buquê de flores ao mar em memória dos milhares que morreram na perigosa rota atlântica para as Canárias, um arquipélago espanhol localizado na costa noroeste da África.

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  • — Hoje existem monstros que espreitam esses mares: máfias que traficam o desespero, traficantes que escravizam mulheres e crianças, e a indiferença de muitos que permitem que os pobres sejam engolidos pela exploração ou pelo esquecimento — disse o Papa, de 70 anos, em seu discurso.

    Defensor do acolhimento dos imigrantes, Leão XIV enviou uma mensagem à Europa.

    — Não pode proclamar a dignidade humana e se acostumar com o Mediterrâneo e o Atlântico sendo cemitérios sem lápides.

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    Mas ele também pediu "reflexão por parte dos países de origem, que devem criar condições de paz, justiça e desenvolvimento", e por parte dos "países de trânsito, que são chamados a proteger e não abandonar os vulneráveis às redes criminosas".

    No ano passado, quase 1.200 migrantes morreram ou desapareceram na rota para as Ilhas Canárias, segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM).

    Desejo de Francisco

    Em Arguineguín, porto de entrada para migrantes que chegam em suas embarcações precárias à ilha de Gran Canaria, Leão XIV realizou o desejo de seu antecessor, o Papa Francisco, o Pontífice argentino que morreu sem conseguir fazer a travessia até o arquipélago, um dos principais pontos de entrada para a Europa.

    — Eu tinha que escolher. Viver sofrendo ou atravessar e arriscar tudo. Morrer tentando ou ficar e não ter nada. Escolhi atravessar (...) Durante a travessia, engravidei de um mafioso. Quando cheguei à Espanha, tiraram meu bebê de mim para me obrigar à prostituição — foi um dos testemunhos que o Papa ouviu, neste caso de uma nigeriana vítima de tráfico humano.

    Mohamed Amjahdi, que chegou há 20 anos procedente do Marrocos e atualmente é membro da Comissão Islâmica Espanhola, disse à AFP que o trabalho da Igreja Católica com os imigrantes é "sem distinção, sejam cristãos, brancos, todos recebem o mesmo".

    — Aqui estão pessoas resgatadas do mar e corpos sem vida retirados das águas — continuou Leão XIV, acompanhado pelo presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, entre outros 1.800 convidados, em sua maioria imigrantes e socorristas.

    Os imigrantes podem ser "despojados de quase tudo, mas nunca de sua dignidade", e possuem "sonhos que ninguém tem o direito de desprezar", prosseguiu o líder espiritual de 1,4 bilhão de católicos em todo o mundo.

    "Doca da esperança"

    Em 2024, um ano recorde, mais de 46 mil pessoas enfrentaram o mar em barcaças precárias e chegaram a estas ilhas.

    Desde então, as chegadas diminuíram (17.788 em 2025), em grande parte devido à cooperação de Espanha e da União Europeia com os países de onde partem os migrantes.

    Arguineguín era conhecido como o "porto da vergonha" devido à superlotação de milhares de imigrantes no auge de suas chegadas. O evento com o Papa procurou rebatizá-lo de "doca da esperança", segundo os organizadores.

    Em um momento de endurecimento das políticas de acolhimento de imigrantes em muitos países, com poucas exceções como Espanha, Leão XIV já se referiu a esta questão na segunda-feira no seu discurso perante o Parlamento em Madri.

    — É essencial uma resposta coordenada, solidária e eficaz, capaz de garantir proteção, acolhimento e oportunidades reais de integração (aos imigrantes) — afirmou.

    A quinta-feira é o penúltimo dia da viagem do Papa à Espanha, uma visita que desde sábado o levou a Madri, Barcelona e Gran Canaria. Termina na sexta-feira em outra ilha do arquipélago, Tenerife, onde também visitará um centro de imigrantes.

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