Advogado morre após quadra de tênis desabar durante temporal no Paraná; frente fria muda o tempo no Sul e Sudeste
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Advogado morre após quadra de tênis desabar durante temporal no Paraná; frente fria muda o tempo no Sul e Sudeste

No momento do acidente, o estado estava sob alerta para tempestades, assim como outras áreas da região

Por O Globo — Rio de Janeiro

30/09/2026 12h07 Atualizado 30/09/2026 12h07

Um advogado de 42 anos morreu após ser atingido pelo desabamento de parte da estrutura de uma quadra de tênis durante um temporal, na tarde desta terça-feira (29), em Umuarama, no Noroeste do Paraná. No momento do acidente, o estado estava sob alerta para tempestades, assim como outras áreas da Região Sul, afetadas pela passagem de uma frente fria associada à formação de um ciclone extratropical. O sistema provoca chuva, trovoadas e rajadas de vento no Paraná, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul. No estado gaúcho, há também risco de elevação do nível do Guaíba.

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  • Rafael Marchiani Paião estava na quadra do Harmonia Clube de Campo quando parte da estrutura desabou. Outro homem que estava no local ficou ferido e foi levado para um hospital da cidade. Sócios do clube foram retirados sem ferimentos pelo Corpo de Bombeiros. A diretoria do Harmonia lamentou a morte do advogado e informou que o clube ficará fechado nesta quarta-feira (30).

    As rajadas de vento chegaram a 102 km/h em Umuarama, segundo o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar). O vento provocou destelhamentos e quedas de árvores na cidade.

    O Paraná já estava sob alerta para tempestades. A Defesa Civil havia alertado, no início da semana, para a passagem de uma frente fria associada a um ciclone extratropical entre o Uruguai e o Rio Grande do Sul. A previsão indicava tempestades intensas entre terça-feira e a madrugada desta quarta-feira.

    O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) havia emitido alerta laranja para as 399 cidades do Paraná, inicialmente válido até 23h59 de terça-feira. O aviso foi estendido até esta quarta-feira. Segundo o instituto, a formação do ciclone extratropical e a passagem da frente fria devem manter o tempo chuvoso no Paraná, em Santa Catarina e no noroeste e norte do Rio Grande do Sul.

    Risco de elevação do nível do Guaíba

    A Defesa Civil de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, emitiu um alerta para o risco de elevação do nível do Guaíba. Ele é válido das 9h desta quarta-feira até o meio-dia de domingo. O aviso indica a possibilidade de que o lago atinja a cota de inundação no bairro Arquipélago e em áreas ribeirinhas das regiões Sul e Extremo Sul da cidade. Além disso, há pelo menos quatro rios acima da cota de inundação no estado: Caí, Taquari, Jacuí e Quaraí.

    O estado também registra danos provocados por chuva, granizo e vento forte. Segundo balanço divulgado pela Defesa Civil na tarde de terça-feira, 54.065 pessoas haviam sido afetadas, 6.298 estavam desalojadas e 8.181 casas tinham sido danificadas. Havia ainda quatro feridos, 171 casas destelhadas e 46 alagadas.

    O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) também aponta risco hidrológico alto em áreas do Rio Grande do Sul e do Paraná e risco moderado em outras regiões dos três estados do Sul nesta quarta-feira.

    Previsão do tempo

    A passagem de uma frente fria pelo país deve mudar o tempo em parte do Sul e do Sudeste nesta quarta-feira, com previsão de chuva forte, temporais, granizo e rajadas de vento que podem chegar a 90 km/h em alguns pontos. O sistema é organizado por um ciclone que permanece em alto-mar, no Atlântico Sul, mas seus efeitos alcançam áreas do continente. A previsão é de máximas de 33°C em São Paulo, 35°C no Rio de Janeiro e 34°C em Belo Horizonte.

    No Rio Grande do Sul, a chuva perde força em relação aos últimos dias. A previsão indica precipitações mais concentradas no norte do estado, enquanto a entrada de uma massa de ar frio reduz as temperaturas nas áreas central e sul. O vento, porém, continua sendo um dos destaques do dia por causa da circulação associada ao ciclone.

    Santa Catarina e Paraná devem concentrar os maiores volumes. Segundo a meteorologista Andrea Ramos, os dois estados podem ter pancadas fortes, descargas elétricas e rajadas de vento. Em Santa Catarina, a combinação dos fatores meteorológicos mantém uma condição de atenção, com possibilidade de acumulados expressivos nas próximas 24 a 36 horas.

    — Essas chuvas vêm acompanhadas de descargas elétricas e rajadas de vento. Santa Catarina principalmente vai ter uma condição de chuva mais significativa, mas o Paraná também segue com essa tendência — afirma a meteorologista.

    A instabilidade também avança em direção a São Paulo e ao Mato Grosso do Sul. No estado paulista, a chuva deve começar principalmente pelo sul e pode alcançar outras áreas ao longo do dia. Na capital, não está descartada a ocorrência de pancadas entre o fim da tarde e a noite, favorecidas pelo calor acumulado.

    O encontro entre o ar muito quente e a umidade trazida pelo sistema aumenta o risco de temporais. Andrea Ramos explica que esse ambiente também pode favorecer a formação de granizo.

    — Como está muito quente e há a aproximação desse sistema frontal, a entrada de umidade favorece a formação de nuvens de tempestade. Há também possibilidade de granizo, justamente pela combinação das temperaturas elevadas com a umidade — diz Andrea.

    No Centro-Oeste, a chuva aparece principalmente em Mato Grosso do Sul, com maior atuação nas áreas oeste e sul, e em Mato Grosso, sobretudo no sudoeste e oeste do estado. Em Goiás, as pancadas devem ser mais isoladas, com maior possibilidade no sul. Cuiabá pode chegar a 38°C, com possibilidade de atingir 39°C.

    Na Região Norte, as pancadas se concentram principalmente no oeste do Amazonas, no Acre, em Rondônia e no oeste de Roraima. A combinação entre calor e umidade pode provocar trovoadas, rajadas de vento e até granizo de forma localizada.

    Já em áreas do interior do Nordeste e no Tocantins, o cenário continua marcado por calor e tempo seco. A umidade relativa do ar pode ficar entre 20% e 25% em alguns pontos. Na faixa litorânea nordestina, há possibilidade de chuva isolada, mas sem previsão de volumes elevados.

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