EUA cancelam vistos de juízes e autoridades da Bolívia, Colômbia, Equador e Peru, membros do ‘Escudo das Américas’
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EUA cancelam vistos de juízes e autoridades da Bolívia, Colômbia, Equador e Peru, membros do ‘Escudo das Américas’

Washington acusa sancionados de corrupção, narcotráfico ou conspiração; medida, segundo o governo americano, faz parte dos compromissos da aliança, criada por Trump para ampliar ações contra o crime organizado na região

28/09/2026 18h12 Atualizado 28/09/2026 18h29

Os Estados Unidos cancelaram, nesta segunda-feira, os vistos de juízes, altos funcionários e empresários da Bolívia, Colômbia, Equador e Peru acusados de corrupção, vínculos com o narcotráfico ou conspiração contra seus respectivos governos. Os quatro países integram o "Escudo das Américas", aliança que reúne cerca de 15 países latino-americanos alinhados a Washington no combate ao crime organizado.

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  • Entre os sancionados estão magistrados da Corte Suprema, altos funcionários da polícia, promotores e um empresário bolivianos; um empresário e uma senadora colombianos; e um magistrado do primeiro juizado constitucional de Lima, segundo um comunicado do Departamento de Estado.

    O cancelamento dos vistos dessas autoridades e de seus familiares faz parte dos compromissos assumidos pelo "Escudo das Américas", criado por iniciativa do presidente americano, Donald Trump, em março deste ano, explicou o comunicado.

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    "Sob o governo Trump, funcionários estrangeiros corruptos já não podem entrar livremente nos Estados Unidos", afirmou o texto. "Essa política restringe a concessão de vistos a cidadãos estrangeiros — e a seus familiares diretos — que enfraqueçam um governo eleito democraticamente por meio de atividades de corrupção ou narcotráfico em nossa região".

    O comunicado ainda advertiu que "enfraquecer um governo eleito democraticamente é uma ameaça à segurança e ao Estado de Direito nas Américas, e não será tolerado".

    O governo conservador boliviano enfrentou semanas de protestos que paralisaram boa parte do país, até que o presidente decretou o estado de exceção em 20 de junho. A medida continua em vigor.

    A Colômbia acaba de eleger o presidente Abelardo de la Espriella, que se apresenta como aliado de Trump, após uma campanha eleitoral acirrada e acusações de que a oposição de esquerda tentou impedi-lo de chegar ao poder.

    O Equador, outro aliado de Washington, trava uma guerra contra o crime organizado com apoio de forças militares americanas. O Peru também acaba de eleger uma presidente conservadora após uma campanha acirrada.

    Líderes da aliança se reuniram na semana passada à margem da Assembleia Geral da ONU e reafirmaram a disposição de adotar "medidas coletivas", com um primeiro conjunto de sanções contra 24 grupos criminosos.

    Os sancionados

    Na Bolívia, os sancionados incluem o magistrado constitucional Israel Ramiro Campero, o ex-magistrado Iván Ramiro Campero, o juiz de instrução Rodrigo Vedia, os promotores Albania Chane e Alberto Zeballos, ambos de Santa Cruz, a juíza Rosario Flores, também de Santa Cruz, o promotor Alvaro Nava, de Chuquisaca, o coronel da polícia Frans Cabrera e o empresário José Luis Iriarte.

    O Departamento de Estado também "designa publicamente o procurador-geral boliviano Roger Mariaca por seu envolvimento em corrupção significativa".

    "Suas ações põem em risco os esforços do presidente Trump para combater o narcoterrorismo e, ao mesmo tempo, enfraquecem as próprias instituições democráticas da Bolívia", explicou o departamento.

    Além dessas pessoas, outros nove bolivianos ficaram impedidos de obter visto caso o solicitem. Quatro cidadãos equatorianos não identificados no comunicado também foram sancionados.

    O Departamento de Estado pode divulgar os nomes das pessoas cujos vistos de entrada no país revoga ou mantê-los em sigilo.

    Na Colômbia, os afetados são Euclides Torres, empresário do setor de energia, e Martha Isabel Peralta, senadora do Pacto Histórico, de esquerda. No Peru, o afetado é Juan Carlos Núñez, juiz do primeiro circuito constitucional de Lima.

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