CNN, MS NOW e Politico voltam à Justiça após repórteres serem barrados na Casa Branca apesar de ordem judicial
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CNN, MS NOW e Politico voltam à Justiça após repórteres serem barrados na Casa Branca apesar de ordem judicial

Veículos apresentaram um novo pedido de audiência de emergência ao mesmo juiz, Timothy Kelly, após governo descumprir ordem para restabelecer acesso à residência presidencial

Por O GLOBO, com agências internacionais — Washington

24/09/2026 11h17 Atualizado 24/09/2026 12h15

CNN, MS NOW e Politico apresentaram um novo pedido de audiência de emergência, nesta quinta-feira, após repórteres dos três veículos serem impedidos de entrar na Casa Branca, horas depois de um juiz federal determinar o restabelecimento temporário do acesso. Timothy Kelly havia ordenado que o governo do presidente americano, Donald Trump, “devolvesse, restabelecesse e restaurasse imediatamente” as credenciais dos jornalistas, mas agentes do Serviço Secreto continuaram barrando profissionais dos veículos. A Casa Branca não explicou o motivo.

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  • A ordem de Kelly, válida por 14 dias, foi emitida depois que os três veículos processaram o governo contra a decisão de Trump de expulsá-los da Casa Branca. O juiz concluiu que as credenciais foram revogadas sem “devido processo constitucionalmente adequado” e afirmou que os veículos provavelmente conseguiriam demonstrar que tiveram o acesso retirado sem receber aviso ou oportunidade de contestar a medida.

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    A CNN relatou que a repórter Betsy Klein e um fotojornalista foram impedidos de entrar nas dependências da Casa Branca após várias tentativas, inclusive uma depois das 9h. Um produtor da emissora conseguiu acessar o prédio usando sua credencial depois das 6h, mas não ficou claro por que sua entrada foi autorizada. Repórteres da MS NOW e do Politico também foram barrados na manhã desta quinta-feira.

    Decisão do juiz

    Ao determinar o restabelecimento do acesso, Kelly questionou a justificativa apresentada pelo governo para a expulsão dos veículos. Trump anunciou a proibição na sexta-feira, acusando as empresas de publicar “fake news” e criticando o teor de suas reportagens. Só depois, segundo os veículos e o juiz, a administração passou a citar preocupações com segurança nacional para justificar a medida.

    “Nada no processo (...) sugere que a revogação das credenciais permanentes dos autores tenha sido motivada por preocupações com a segurança nacional”, escreveu Kelly.

    Em documentos apresentados à Justiça para justificar a retirada das credenciais dos repórteres, advogados do governo Trump citaram, entre outros casos, uma reportagem da CNN sobre detalhes da construção de um bunker sob a Ala Leste da Casa Branca; uma matéria da MS NOW sobre uma suposta investigação de vazamento; e uma publicação do Politico sobre o financiamento do salão de festas da residência presidencial, que incluía descrições sobre investimentos do Serviço Secreto em melhorias de segurança.

    Para o juiz, os argumentos apresentados posteriormente pelo governo são ambíguos e não deixam claro se as reportagens foram consideradas uma ameaça à segurança nacional ou apenas classificadas como falsas. Uma das cartas enviadas aos veículos afirmava que um deles havia demonstrado comportamento contrário aos padrões de “profissionalismo e decoro” esperados de jornalistas com acesso ao complexo da Casa Branca.

    Disputa sobre segurança nacional

    A questão esteve no centro da audiência realizada na quarta-feira. Michael Velchik, advogado do Departamento de Justiça americano, defendeu que o presidente tem autoridade para decidir quem pode ter acesso à Casa Branca e afirmou que a entrada no complexo é um privilégio, não um direito. Segundo ele, Trump deveria poder tomar medidas imediatas para proteger a segurança nacional.

    Ted Boutrous, advogado dos três veículos, contestou o argumento. Segundo ele, a primeira menção à segurança nacional só apareceu dias depois do anúncio da proibição e após o processo judicial ser aberto. Para Boutrous, a justificativa foi apresentada posteriormente para sustentar uma decisão que havia sido anunciada inicialmente com base nas críticas de Trump à cobertura dos veículos.

    O juiz também observou que as reportagens apontadas pelo governo como ameaças à segurança nacional não necessariamente foram produzidas pelos mesmos jornalistas que tiveram suas credenciais revogadas. No caso da CNN, por exemplo, a reportagem sobre o bunker da Ala Leste havia sido publicada meses antes da renovação da credencial de Betsy Klein, que foi uma das profissionais barradas nesta quinta.

    A administração também afirmou que os veículos tiveram a possibilidade de recorrer da decisão, citando cartas enviadas após a proibição. Kelly, porém, destacou que os jornalistas só foram informados sobre essa possibilidade depois que suas credenciais já haviam sido confiscadas.

    Segundo o juiz, o governo deve estabelecer padrões claros antes de retirar uma credencial de imprensa. Ele afirmou que os veículos demonstraram, ainda, que poderiam sofrer “danos irreparáveis” sem a ordem temporária e que havia interesse público no restabelecimento das credenciais.

    A decisão de Kelly não pode ser imediatamente contestada por meio de recurso. Nos próximos 14 dias, os veículos e o governo deverão continuar apresentando argumentos e provas ao tribunal. O processo deve resultar em uma decisão mais ampla sobre o caso.

    *Matéria em atualização

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