Redução de estrangeiros? Usadas como exemplo pela CBF, ligas europeias incentivam uso de jovens com outras ferramentas
Proposta aprovada nasce de pedido feito pelos próprios clubes
23/09/2026 03h00 Atualizado 23/09/2026 03h00
Não foi por acaso que as duas propostas foram apresentadas juntas para votação dos clubes. Segundo a CBF, por trás da redução no limite de estrangeiros está a busca por mais espaço para jovens. A entidade, que tem passado uma lupa sobre o futebol brasileiro para identificar onde implementar melhorias, acendeu o alerta para a queda no uso de atletas com até 23 anos e para o fato de que, hoje, o índice da Série A não chega nem à metade da média das cinco principais ligas europeias. Só que, diferentemente do que foi aprovado por aqui, lá o estímulo às joias não se dá através de uma caça aos gringos.
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Enquanto no Brasileirão 2026 os atletas sub-23 receberam 11,5% do total de minutos jogados, na França esta marca é de 38%. Na Inglaterra, de 32%. Na Espanha, 31%. E tanto na Alemanha quanto na Itália, 28%. Estes dados estão no estudo apresentado pela CBF aos clubes e elaborado pela empresa de estatísticas Opta.
O que esta apresentação deixou de fora é que estas ligas são conhecidas, ao mesmo tempo, pela alta concentração de estrangeiros. Na Premier League (ING), eles são 72% do total de jogadores. Na Serie A (ITA), 68,6%. Na Ligue 1 (FRA), 60,3%. Na Bundesliga (ALE), 55,2%. E, na La Liga-(ESP), 42,1%.
No topo da pirâmide da economia do futebol como maiores compradoras, estas ligas não impõem limitações para atletas da comunidade europeia. Apenas para os chamados extracomunitários. Não é com restrições aos estrangeiros que elas incentivam o uso de atletas vindos das categorias de base.
Nas competições Uefa (Liga dos Campeões, Liga Europa e Liga Conferência), os clubes inscrevem duas listas de jogadores: A e B. Na primeira, com 25, oito precisam ter sido formados no país (os chamados home-growns), sendo quatro no próprio clube. Já a segunda é formada por atletas sub-21 e não possui limite de inscritos.
Premier League e Serie A também exigem que a lista de 25 inscritos tenha oito formados no país. Só que, na Itália, quatro deles têm que ser crias do próprio clube.
Além disso, nas duas ligas não há limitação de inscrição para atletas mais jovens. Na Inglaterra, os sub-21 não entram na lista de 25. Já, na Itália, os sub-22.
A Bundesliga também exige oito home-growns, com quatro deles formados no clube. A La Liga, por sua vez, não faz este tipo de exigência. Mas tem a cultura dos times B, que disputam divisões inferiores e são usados principalmente para dar rodagem aos atletas mais jovens. Estes podem ser convocados para atuar pelo clube principal a qualquer momento sem que isso signifique ultrapassar o limite de 25 inscritos.
Até a edição deste ano, o Brasileirão não contava com nenhum tipo de incentivo como este. Isso vai mudar a partir do ano que vem com a aprovação da cota mínima para os sub-23 dentro da lista de 50 inscritos — começa com 20 em 2027 e aumenta gradualmente até chegar a 25 em 2030. Mas porque, então, retroceder no limite de estrangeiros por time?
O pedido pela redução dos jogadores de fora é do Movimento dos Clubes Formadores do Futebol Brasileiro (MCFFB). Ele foi feito dentro do Grupo de Trabalho da Base, criado pela CBF em março e que tem se reunido desde então para debater melhorias no processo de formação e desenvolvimento das joias do país. Uma das conclusões é justamente que o espaço perdido pelos mais novos foi ocupado pelos gringos.
Em 2020, os brasileiros sub-23 receberam 28,5% da minutagem total dada aos atletas da Série A. Esta marca foi caindo até chegar aos atuais 11,5%. Também há cinco anos, os estrangeiros acima dos 23 anos registravam 7,8%. Hoje, o índice é de 25%.
O MCFFB é composto pelas agremiações com certificado de formador emitido pela CBF e conduzido pelos dirigentes das categorias de base. Ou seja, a proposta veio dos próprios clubes. Em seu perfil nas redes sociais, o movimento celebrou a aprovação das medidas na última segunda-feira. “Um avanço importante para a formação de atletas no Brasil”, classificou.