Flávio busca mobilização de Tarcísio, Nikolas e Michelle enquanto tenta se aproximar de Cleitinho de olho no segundo turno
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Flávio busca mobilização de Tarcísio, Nikolas e Michelle enquanto tenta se aproximar de Cleitinho de olho no segundo turno

Candidato tenta ampliar participação de seus principais padrinhos; campanha também começa a olhar para aliados que podem reforçar palanques em eventual segunda etapa

23/09/2026 03h00 Atualizado 23/09/2026 03h00

A onze dias do primeiro turno, a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) prepara uma ofensiva para ampliar a participação de seus principais padrinhos políticos nos últimos dias antes da votação e, ao mesmo tempo, começa a olhar para os apoios que poderão ser incorporados em um eventual segundo turno.

O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro estão entre os nomes que o entorno do candidato pretende mobilizar. Em Minas Gerais, o grupo também prepara uma aproximação com Cleitinho Azevedo (Republicanos), candidato ao governo estadual que lidera as pesquisas no estado mesmo sem o apoio do PL, de olho numa eventual segunda etapa da disputa presidencial.

O movimento acompanha uma mudança no roteiro de Flávio depois de uma sequência de viagens pelo Nordeste. O senador reservou a quarta-feira para gravações em São Paulo, entre elas uma participação de Tarcísio destinada ao horário eleitoral. Na quinta, segue para Minas Gerais. Na sexta, volta a São Paulo para participar de um rodeio em Jaguariúna e, no sábado, estará no Rio, onde está prevista uma carreata em Jacarepaguá. A agenda de domingo ainda não está fechada, mas há a possibilidade de uma nova passagem pelo Nordeste.

A partir de segunda-feira, o planejamento em discussão volta a concentrar compromissos em Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. A tendência é que os últimos dias antes da votação sejam reservados principalmente ao Rio, base eleitoral de Flávio.

A concentração no Sudeste também abre espaço para uma presença maior dos principais aliados do candidato em cada estado. Em São Paulo, a principal aposta é Tarcísio. O governador grava nesta quarta material para a propaganda eleitoral de Flávio e afirmou que pretende participar de novas agendas ao lado do presidenciável.

A participação mais intensa nesta fase já vinha sendo prevista por aliados do governador. Desde agosto, interlocutores indicavam que a estratégia era aumentar sua exposição ao lado de Flávio mais perto da votação, quando o apoio seria considerado mais importante para mobilizar o eleitorado paulista. Ao longo da campanha, houve entre aliados do senador expectativa por uma presença mais visível de Tarcísio, especialmente depois de o governador estrear no horário eleitoral sem citar o presidenciável.

Nesta terça-feira, Tarcísio afirmou que pretende ampliar o envolvimento e prometeu entrar “com bastante potência” na campanha em um eventual segundo turno. Além da gravação desta quarta, disse que os dois terão novas agendas conjuntas.

— Amanhã, a gente vai fazer a gravação em conjunto, vamos participar de agendas em conjunto e já se preparando para um eventual segundo turno, para entrar aí com bastante potência na campanha — afirmou Tarcísio.

A expectativa é que o governador tenha ainda mais espaço para se dedicar à disputa presidencial caso resolva sua própria eleição em 4 de outubro. Na última pesquisa Quaest, Tarcísio aparece com 42% das intenções de voto, contra 27% de Fernando Haddad (PT), e aliados trabalham com a possibilidade de vitória já no primeiro turno.

Em Minas Gerais, onde Flávio desembarca na quinta-feira, o principal ativo da campanha é Nikolas Ferreira. O deputado tem sido acionado pela campanha para ajudar na mobilização do eleitorado mineiro e deve continuar com papel de destaque nos compromissos do presidenciável no estado.

A estratégia mineira, porém, não se limita a Nikolas. A campanha prepara uma aproximação com Cleitinho, que tem conduzido sua disputa pelo governo estadual de forma mais independente da corrida presidencial, uma vez que o PL lançou o ex-presidente da FIEMG, Flávio Roscoe. A ideia é estreitar a relação e abrir caminho para uma participação mais ativa do candidato mineiro em um eventual segundo turno.

A movimentação em torno de Cleitinho faz parte de uma discussão mais ampla dentro da campanha sobre como ampliar os palanques estaduais caso Flávio avance. Aliados observam quais candidatos podem resolver suas próprias disputas no primeiro turno e, assim, ficar mais disponíveis para agendas, gravações e atos presidenciais a partir de 5 de outubro.

Além de Nikolas e Tarcísio, as apostas giram em torno do senador Sergio Moro (PL), que disputa o governo do Paraná e aparecia com 37% das intenções de voto na última pesquisa Quaest, divulgada no mês passado. Aliados avaliam, contudo, que o ex-juiz ganhou terreno desde então e trabalham com a possibilidade de que ele resolva a disputa estadual já no primeiro turno, o que o deixaria livre para reforçar a campanha de Flávio em uma eventual segunda etapa.

Michelle também está no centro das articulações, mas por uma razão diferente. No caso da ex-primeira-dama, aliados de Flávio têm cobrado maior empenho na campanha. A avaliação de integrantes do entorno do candidato é que sua participação até agora ficou aquém da expectativa e que ela poderia assumir um papel mais ativo nos últimos dias.

Embora Michelle tenha gravado peças para o horário eleitoral e participado de ações pontuais em favor do cunhado, os dois ainda não dividiram um palanque de campanha nesta eleição. Ela tem focado em sua campanha ao Senado Federal em Brasília.

A estratégia ganha peso diante de um cenário nacional apertado. Na nova pesquisa Quaest, Lula aparece com 37% das intenções de voto no primeiro turno, contra 33% de Flávio. Em uma eventual disputa de segundo turno, os dois estão tecnicamente empatados, com 42% para o candidato do PL e 41% para o petista.

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