Milton Leite seguirá preso, define Justiça após audiência de custódia
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Milton Leite seguirá preso, define Justiça após audiência de custódia

Ex-presidente da Câmara Municipal de SP entregou-se à polícia ontem, em Mogi das Cruzes. Prisão ocorreu no âmbito da Operação Vectura Corrupta

19/09/2026 15h03 Atualizado 19/09/2026 15h13

O ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite (União Brasil) seguirá preso. Ele passou por audiência de custódia neste sábado. Leite se entregou à polícia na tarde de sexta-feira (18) em delegacia de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo.

O mandado de prisão temporária ocorreu no âmbito da Operação Vectura Corrupta, que apura a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) em empresas de ônibus da capital. A audiência de custódia ocorreu on-line.

Em nota, o Tribunal de Justiça de São Paulo afirmou em nota que "trata-se de cumprimento de mandado de prisão. Não foram identificadas irregularidades no cumprimento e ele segue preso". Mais cedo, o ex-vereador chegou a pedir para ser encaminhado ao hospital por sentir-se mal. A informação foi apurada pelo G1.

Ontem, a caminho do Instituto Médico Legal (IML), o ex-vereador se declarou inocente. Milton é citado no pedido que embasou a operação como responsável pela operação de algumas empresas de ônibus ligadas ao PCC.

— Eu não cometi nenhum crime e nada devo. Sou inocente de todas as acusações. Eu acredito na justiça, no trabalho da polícia. Temos oportunidade agora de provar tudo o que foi dito. (...) Só arrepende quem comete crime. Eu não cometi nenhum e nada devo. Eu cumpri a decisão. Me apresentei conforme prometido, conforme dito. Vim no dia que marquei. Estou aqui sem nenhum problema — declarou Milton Leite antes de ser levado ao Instituto Médico Legal.

Operação Vectura Corrupta

O ex-vereador Milton Leite aparece entre os investigados e é citado como responsável direto pela operação de algumas das empresas de ônibus investigadas na operação. Policiais militares também afirmaram, em procedimento no Tribunal de Justiça Militar, que ele seria o dono de fato da Transwolff, empresa de ônibus de São Paulo.

As informações constam de decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) que determinou a prisão temporária de 13 investigados. Segundo a decisão, os investigadores analisaram mensagens extraídas de celulares, documentos e informações financeiras e encontraram indícios de vínculos entre os investigados e integrantes ou colaboradores do PCC. O tribunal autorizou prisões, buscas e apreensões e acesso aos dados dos equipamentos apreendidos.

Quem é Milton Leite

Um dos políticos mais influentes da política paulistana na última década, Milton Leite foi vereador por sete mandatos, e presidiu a Câmara Municipal em quatro oportunidades. No ano passado, após o fim de seu último mandato, ele decidiu não concorrer mais a cargos eletivos. Mas isso não significa a saída da vida política, já que ele segue presidindo o diretório municipal do União Brasil em São Paulo e o diretório estadual da Federação União Progressista (UP), que reúne o partido e o Progressistas (PP).

Seu filho Alexandre Leite é deputado federal e é candidato a deputado estadual, enquanto seu outro filho, Milton Leite Filho, tenta se eleger deputado federal.

Há exatos dez anos, Leite foi um dos principais articuladores para que o então desconhecido João Doria, filiado ao PSDB, vencesse Fernando Haddad (PT) no primeiro turno. Na ocasião, Leite, como contrapartida pelo empenho, passou a ter grande influência na Secretaria de Transportes. Quando Doria foi eleito governador em 2018, o ex-vereador também o apoiou e indicou o secretário estadual de Transportes, João Octaviano Machado, já falecido. Além da pasta, Leite também indicou cargos na Agência Reguladora de Transporte (Artesp). Com a eleição de Tarcísio de Freitas (Republicanos), Milton Leite perdeu seus espaços no governo estadual, mas mantém uma série de indicados na gestão paulistana.

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