Pessoa que estava em casa vizinha a Milton Leite diz à polícia que dinheiro apreendido em malas é do ex-vereador
Uma pessoa que estava em uma casa vizinha a um dos imóveis ligados ao ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite (União Brasil) disse nesta sexta-feira (18) à polícia que o dinheiro apreendido em malas durante os desdobramentos da Operação Vectura Corrupta pertence ao político.
Agora, a polícia investiga a origem do dinheiro, e o relato vai ser formalizado em depoimento.
Durante as buscas, os policiais apreenderam R$ 280 mil e US$ 89 mil em dinheiro vivo, que estavam guardados dentro de malas. A quantia em dólares equivale a cerca de R$ 457 mil na cotação considerada pelas autoridades. Somados, os valores representam aproximadamente R$ 737 mil em espécie.
Segundo os investigadores, o fato de o dinheiro estar dentro de malas é um dos elementos que chamou a atenção da polícia e pode indicar que os valores estavam preparados para serem transportados. Essa é uma hipótese da investigação, a finalidade do dinheiro também precisa ser esclarecida.
A apreensão ocorreu durante buscas em Sorocaba, no interior de São Paulo, em imóveis ligados a Milton Leite. O ex-vereador se apresentou à polícia nesta sexta-feira (18).
A Operação Vectura Corrupta investiga suspeitas de infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte público de São Paulo.
Durante as buscas, os agentes também encontraram uma espécie de “passagem secreta” ligando dois imóveis. Segundo a investigação, uma das casas estaria ligada a um assessor de Milton Leite e a outra pertenceria ao próprio ex-vereador.
A polícia suspeitava que Milton pudesse estar escondido em um dos endereços, mas ele não foi encontrado. A passagem entre os imóveis passou a ser analisada pelos investigadores como um possível indício de que o político poderia ter circulado ou permanecido no local antes da chegada das equipes.
Os policiais também encontraram documentos durante as buscas.
A investigação apura a relação de Milton com empresas do setor de transporte e suspeitas de ligação com integrantes do PCC. A decisão judicial que autorizou a prisão temporária também menciona declarações de policiais militares segundo as quais ele seria o "dono de fato" da Transwolff.
Milton nega envolvimento com o PCC e também nega ser proprietário ou gestor da empresa.
Segundo o Ministério Público, ao menos 12 das 22 empresas de transporte coletivo que operam na capital paulista teriam algum tipo de controle direto ou indireto de integrantes ligados à facção. Essa é uma conclusão da investigação e ainda está sujeita à apuração judicial.
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