Milton Leite se entrega à polícia após ser alvo de operação contra infiltração do PCC no sistema de transporte de SP
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Milton Leite se entrega à polícia após ser alvo de operação contra infiltração do PCC no sistema de transporte de SP

Alvo de um mandado de prisão temporária na Operação Vectura Corrupta, realizada na quinta-feira (17), Milton afirmou que estava viajando e que retornaria para provar sua inocência

18/09/2026 16h03 Atualizado 18/09/2026 16h44

O ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite (União Brasil) se entregou à polícia na tarde desta sexta-feira (18) em delegacia de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo. Alvo de um mandado de prisão temporária na Operação Vectura Corrupta, realizada na quinta-feira (17), Milton é citado no pedido que embasou a operação como responsável pela operação de algumas empresas de ônibus ligadas ao PCC.

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  • O ex-vereador não foi encontrado em sua casa na região de Interlagos, na zona sul da cidade de São Paulo. A princípio, ele foi considerado foragido pela Polícia. Nas primeiras horas da manhã, no entanto, ele se comunicou com agentes públicos, informou que estaria fora da cidade, em viagem, e que se apresentaria nas próximas 24 horas. Nesta sexta, ele se apresentou acompanhado de um delegado.

    Milton foi vereador por sete mandatos e presidiu a Câmara quatro vezes. Deixou o Legislativo no ano passado, mas continua presidente do União Brasil em São Paulo e do diretório estadual da Federação União Progressista.

    Ao seguirem pistas do paradeiro do ex-parlamentar em Sorocaba, no interior, agentes revistaram o imóvel de um assessor dele nesta sexta-feira. Além de não encontrarem o alvo principal, as equipes esbarraram em um acesso camuflado que conectava o espaço a uma casa vizinha, vazia, atribuída ao próprio Milton. A Polícia Civil também encontrou R$ 280 mil e US$ 89 mil na residência.

    A apuração aponta suspeitas de interferência em licitações, contratos públicos e negociações de empresas do setor em São Paulo e outras cidades. Entre as empresas citadas na investigação estão Transwolff, A2 Transportes, Translider, Transbellaflor, Alfa Rodobus e outras. A Alfa assumiu, em fevereiro, as linhas que pertenciam à UPBus, cuja concessão foi rescindida pela prefeitura após a Operação Fim da Linha, em 2024, apontar seu uso para lavagem de dinheiro do PCC.

    A Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo também vão investigar se houve alerta aos alvos da ofensiva que mira a infiltração de facções criminosas no transporte público da capital. A desconfiança surgiu porque Milton Leite, e o dono da viação A2, Paulo Sirqueira Korek Farias, não foram localizados nas propriedades visitadas pelas autoridades, havia apenas funcionários aguardando as equipes.

    — A gente vai apurar isso (vazamentos) no curso da investigação. Mas a gente não pode afirmar de maneira categórica. Tanto que a maioria dos alvos foi encontrado. Se tivesse ocorrido de fato qualquer tipo de situação assim, o resultado da operação teria sido outro. Mas isso a gente vai apurar ao longo da investigação e verificar se houve esse tipo de situação — disse o delegado Fabrício Intelizano em coletiva de imprensa nesta quinta.

    Operação Vectura Corrupta

    O ex-vereador Milton Leite aparece entre os investigados e é citado como responsável direto pela operação de algumas dessas empresas. Policiais militares também afirmaram, em procedimento no Tribunal de Justiça Militar, que ele seria o dono de fato da Transwolff, empresa de ônibus de São Paulo.

    As informações constam de decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) que determinou a prisão temporária de 13 investigados. Segundo a decisão, os investigadores analisaram mensagens extraídas de celulares, documentos e informações financeiras e encontraram indícios de vínculos entre os investigados e integrantes ou colaboradores do PCC. O tribunal autorizou prisões, buscas e apreensões e acesso aos dados dos equipamentos apreendidos.

    Segundo a decisão, os investigadores analisaram mensagens extraídas de celulares, documentos e informações financeiras e encontraram indícios de vínculos entre os investigados e integrantes ou colaboradores do PCC. O tribunal autorizou prisões, buscas e apreensões e acesso aos dados dos equipamentos apreendidos.

    A referência a Milton Leite aparece na relação dos 13 investigados. O despacho afirma que o ex-vereador é citado nominalmente diversas vezes como responsável direto pela operação de algumas empresas controladas pelo PCC. Em seguida, registra que policiais militares, em procedimento na Justiça Militar, disseram que ele seria o dono de fato da Transwolff.

    O documento não detalha quais seriam todas as empresas atribuídas a Milton nem apresenta, nesse trecho, elementos sobre sua eventual participação formal na sociedade da Transwolff.

    Quem é Milton Leite

    Um dos políticos mais influentes da política paulistana na última década, Milton Leite foi vereador por sete mandatos, e presidiu a Câmara Municipal em quatro oportunidades. No ano passado, após o fim de seu último mandato, ele decidiu não concorrer mais a cargos eletivos. Mas isso não significa a saída da vida política, já que ele segue presidindo o diretório municipal do União Brasil em São Paulo e o diretório estadual da Federação União Progressista (UP), que reúne o partido e o Progressistas (PP).

    Seu filho Alexandre Leite é deputado federal e é candidato a deputado estadual, enquanto seu outro filho, Milton Leite Filho, tenta se eleger deputado federal.

    Há exatos dez anos, Leite foi um dos principais articuladores para que o então desconhecido João Doria, filiado ao PSDB, vencesse Fernando Haddad (PT) no primeiro turno. Na ocasião, Leite, como contrapartida pelo empenho, passou a ter grande influência na Secretaria de Transportes. Quando Doria foi eleito governador em 2018, o ex-vereador também o apoiou e indicou o secretário estadual de Transportes, João Octaviano Machado, já falecido. Além da pasta, Leite também indicou cargos na Agência Reguladora de Transporte (Artesp). Com a eleição de Tarcísio de Freitas (Republicanos), Milton Leite perdeu seus espaços no governo estadual, mas mantém uma série de indicados na gestão paulistana.

    Leite tem 70 anos e entrou na política em 1990, inicialmente se filiando ao PCB, mas logo migrando para o MDB e, mais tarde, ao DEM (que posteriormente virou União Brasil). Foi eleito vereador pela primeira vez em 1997. Sua base eleitoral sempre foi a Zona Sul da capital, especialmente a região de Interlagos.

    Em 2017, foi eleito presidente da Câmara Municipal pela primeira vez, na gestão Doria. Em 2018, foi reconduzido ao cargo, que ocupou novamente durante as gestões Bruno Covas (PSDB) e Ricardo Nunes (MDB), de quem também era aliado. Ao todo, Leite ocupou por por seis anos a presidência da Câmara, sendo os últimos quatro seguidos, entre 2021 e 2024. Nesse período, a Casa aprovou quase em modo “rolo compressor” as demandas de Nunes.

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