Quem é Milton Leite, ex-vereador alvo de operação da Polícia Civil que apura elo entre PCC e empresas de ônibus
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Quem é Milton Leite, ex-vereador alvo de operação da Polícia Civil que apura elo entre PCC e empresas de ônibus

Político foi presidente da Câmara Municipal por seis anos, acumulou forte influência na área de transportes e ajudou a eleger João Doria e Ricardo Nunes; ele não possui cargo eletivo, mas segue presidindo diretório municipal do União Brasil

17/09/2026 08h49 Atualizado 17/09/2026 09h01

O ex-vereador Milton Leite (União Brasil), um dos alvos de mandado de prisão no âmbito da terceira fase da Operação Vectura Corrupta, presidiu a Câmara Municipal por seis vezes, teve forte influência em secretarias dos Executivos municipal e estadual, e é considerado uma das lideranças políticas mais influentes de São Paulo.

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  • Atualmente, ele não ocupa cargo público, mas preside o diretório municipal do União Brasil na capital, trabalha pela eleição dos filhos Alexandre Leite (União) e Milton Leite Filho (União) para cargos no Legislativo, e é sócio de empresas na área da construção civil.

    Leite tem 70 anos e entrou na política em 1990, inicialmente se filiando ao PCB, mas logo migrando para o MDB e, mais tarde, ao DEM (que posteriormente virou União Brasil). Foi eleito vereador pela primeira vez em 1997. Sua base eleitoral sempre foi a Zona Sul da capital, especialmente a região de Interlagos.

    Em 2017, foi eleito presidente da Câmara Municipal pela primeira vez, na gestão João Doria, a quem ajudou a eleger prefeito na eleição de 2016. Em 2018, foi reconduzido ao cargo, que ocupou novamente durante as gestões Bruno Covas (PSDB) e Ricardo Nunes (MDB), de quem também era aliado. Ao todo, Leite ocupou por por seis anos a presidência da Câmara, sendo os últimos quatro seguidos, entre 2021 e 2024. Nesse período, a Casa aprovou quase em modo “rolo compressor” as demandas de Nunes.

    Historicamente, Leite acumulou influência em governos estaduais e municipais, especialmente em secretarias e empresas públicas da área de transportes e habitação. Um exemplo dessa influência foi Milton Persoli, considerado homem de confiança de Leite, para a Agência Reguladora de Transportes (Artesp), do governo estadual. Persoli presidiu a agência entre 2020 e 2024. Com o fim do mandato, Tarcísio de Freitas (Republicanos) nomeou um substituto. Em 2025, Persoli foi nomeado por Nunes como presidente da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), cargo que ocupa até agora.

    Mesmo após sua aposentadoria de cargos eletivos, em 2025, ele seguiu tendo influência na política paulistana. Leite indicou o nome do vereador Ricardo Teixeira (União) para presidir a Câmara Municipal, e indicou apadrinhados na prefeitura, incluindo a mãe e a filha de sua ex-namorada, que ganhou cargo no Departamento de Ação Social da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), que também emprega três integrantes da escola de samba Terceiro Milênio, da qual Leite é patrono.

    No ano passado, Alexandre Leite se licenciou do mandato de deputado federal para assumir a Secretaria de Relações Institucionais, após convite da gestão Nunes. Já o Tribunal de Contas do Município (TCM) emprega a irmã da mãe de seus filhos, um sobrinho direto e o filho do chefe de gabinete da liderança do União Brasil na Assembleia Legislativa de São Paulo.

    Mais recentemente, Leite tem trabalhado para eleger seus filhos ao Legislativo estadual e federal, e tem participado de eventos de campanha. Um deles, realizado em 30 de agosto, contou com a presença de Tarcísio e Nunes, que destacaram a "parceria" e o papel da "família Leite" na Zona Sul de São Paulo.

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