Desgaste para o rival e tentativa de se descolar de Moraes: como Flávio e Lula vão agir diante da crise no STF
Integrantes do governo avaliam que ministro saiu enfraquecido com o caminho escolhido pelo plenário da Corte
16/09/2026 03h30 Atualizado 16/09/2026 03h30
O presidenciável do PL, senador Flávio Bolsonaro (RJ), usou na terça-feira o adiamento, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), do julgamento sobre a conduta do ministro Alexandre de Moraes para desgastar o presidente Lula, que disputa a reeleição. Flávio é investigado na Corte por corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas no finaciamento do filme “Dark horse” pelo banqueiro Daniel Vorcaro, do Master. Lula, por sua vez, na tentativa de se descolar de Moraes, defendeu investigação sobre o envolvimento de ministros do STF com Vorcaro. A declaração foi dada após o Supremo postergar uma decisão.
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— Chegamos a um momento determinante na história deste país. Não há ninguém que possa fugir do julgamento quando tem suspeita e acusação contra ele. A Suprema Corte agora já está dotada de todas as informações. O sigilo já foi quebrado — disse Lula, em entrevista à TV Record.
Integrantes do governo avaliam que o magistrado saiu enfraquecido com o caminho escolhido pelo plenário da Corte. A campanha de Flávio tem buscado associar Moraes a Lula e, assim, colar no presidente a crise sem precedentes do Supremo.
— O julgamento vai avançar. E fica aí o recado: Ninguém pode acreditar que, com Lula reeleito, alguma coisa vai mudar nesse país — disse o candidato do PL durante evento de campanha em Fortaleza.
Apesar do adiamento, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro apontou que há um caminho institucional para investigar Moraes:
— Hoje é um dia de esperança para o povo brasileiro. O Alexandre de Moraes será investigado pelos crimes que em tese ele cometeu. Só não aconteceu hoje (terça-feira) porque a tropa de choque do Lula no Supremo entrou em campo, em especial o Flávio Dino, ex-ministro de Lula, que pediu vista depois que já tinha lançado o próprio voto dele.
Coordenador da campanha de Flávio, o senador Rogério Marinho (PL-RN) também buscou vincular Moraes a Lula. Mas, questionado sobre o caso “Dark horse”, Marinho disse que quem tem que prestar contas sobre isso é a produtora do filme.
Parentes de ministros
Já Lula, na entrevista à Record, disse que parentes de ministros não podem advogar no STF e defendeu uma “reforma profunda” do Poder Judiciário.
— Quem for ministro não pode querer ficar rico. As pessoas não podem estar no Poder Judiciário e um filho advogando, a mulher advogando, o pai advogando na própria Suprema Corte.
O presidente também questionou o fato de os ministros Dias Toffoli e Nunes Marques terem decidido não votar no julgamento de terça-feira.
— Por que que o Toffoli não votou? Por que o Kassio não votou? Quem levou dinheiro, quem participou dessa trama do Vorcaro? Porque o Vorcaro é uma quadrilha que envolveu muita gente de várias instâncias do Poder Judiciário, da classe política. Vamos colocar o Brasil a nu, investigar para ver se a gente consegue fazer o Brasil ser melhor para o povo brasileiro. Portanto, não tem trégua, é preciso investigar todos, todos, sem distinção.
Nunes Marques viu mensagens ligando seu filho a Vorcaro virem à tona. Já Toffoli se afastou da relatoria do caso Master após relatório da Polícia Federal apontar que ele era sócio de uma empresa que vendeu participação em um resort para um fundo do cunhado do dono do banco. Já o escritório da mulher de Moraes, Viviane Barci de Moraes, tinha um contrato de R$ 131 milhões com o Master.
Para o governo Lula, o cenário considerado ideal era a abertura da investigação contra Moraes no STF. A leitura é que esse desfecho ajudaria o presidente a se descolar da imagem do magistrado. A avaliação no Executivo é que a série de tentativas do grupo de Moraes para esvaziar a votação ficou explícita e ocorreu de forma “agressiva”. Uma ressalva foi feita em relação ao ministro Cristiano Zanin, que, embora tenha votado com a ala de Moraes, adotou uma abordagem técnica e sem espetacularização, na opinião de ministros do governo.