Alvo da PF, Cezinha de Madureira nega ter cometido irregularidades e questiona operação em período eleitoral
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Alvo da PF, Cezinha de Madureira nega ter cometido irregularidades e questiona operação em período eleitoral

Defesa afirma que deputado está à disposição das autoridades e cita jurisprudência do STF ao defender que medidas de repercussão sejam tomadas distantes de circunstâncias 'políticas'

14/09/2026 16h20 Atualizado 14/09/2026 16h33

Alvo de uma operação da Polícia Federal

nesta segunda-feira por suspeitas de tráfico de influência em tribunais superiores, o deputado Cezinha de Madureira (PL-SP) afirmou, por meio de sua defesa, que “nenhuma irregularidade foi cometida” e questionou o momento da ação, realizada em meio ao período eleitoral.

Em nota divulgada após a operação, os advogados afirmaram que Cezinha está à disposição das autoridades e prestará os esclarecimentos necessários. A defesa sustenta que, após ter acesso aos elementos da investigação e à íntegra do processo, conseguirá demonstrar que o parlamentar não praticou irregularidades.

“O deputado está certo de que, assegurados o contraditório e o amplo acesso da defesa aos elementos da investigação e à íntegra do processo, os fatos serão devidamente esclarecidos no devido processo legal, com a demonstração de que nenhuma irregularidade foi cometida”, afirma a nota.

A defesa também questionou o momento da operação. Sem atribuir diretamente motivação política à PF, os advogados citaram a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF) para defender que medidas de grande repercussão sejam adotadas distantes de circunstâncias políticas ou eleitorais.

“Importante ressaltar que, conforme a jurisprudência do STF estabelece, medidas de tamanha repercussão deveriam ter sido conduzidas com a devida distância de qualquer circunstância política ou eleitoral”, diz a defesa.

O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, também saiu em defesa de Cezinha após a operação. Em nota oficial, o partido afirmou que o deputado “conta com a confiança” da legenda e manifestou apoio ao parlamentar.

“O Partido Liberal manifesta apoio ao deputado federal do PL de São Paulo, Cezinha de Madureira, que foi alvo de operação da PF sobre suposto tráfico de influência junto a tribunais superiores”, diz a nota assinada por Valdemar.

O PL acrescentou que Cezinha estará à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos e afirmou confiar na Justiça e no direito de defesa. “Acreditamos que tudo será devidamente esclarecido com serenidade, transparência e respeito ao devido processo legal”, afirmou a legenda.

Cezinha está no segundo mandato como deputado federal por São Paulo e é um dos nomes mais influentes da articulação política da Assembleia de Deus Ministério de Madureira no Congresso. Próximo do bispo Samuel Ferreira, presidente executivo da denominação, já comandou a Frente Parlamentar Evangélica e ganhou espaço no Palácio do Planalto durante o governo Jair Bolsonaro. Em 2022, foi escolhido vice-líder do governo na Câmara.

O parlamentar também teve papel na articulação pela aprovação de André Mendonça para o STF, em 2021. Durante os meses em que a indicação ficou parada no Senado, Cezinha participou da mobilização de lideranças evangélicas para destravar a sabatina. No dia da votação, acompanhou o resultado ao lado de Michelle Bolsonaro, Mendonça e integrantes da cúpula do Ministério de Madureira, entre eles os bispos Manoel e Samuel Ferreira.

A relação voltou aos holofotes neste ano por causa do caso Master. Cezinha intermediou um encontro entre Mendonça e Daniel Vorcaro, dono do banco, realizado em março de 2025, em São Paulo. O próprio ministro confirmou a reunião e afirmou que o contato foi articulado pelo deputado, a pedido de pessoas próximas à Igreja Batista da Lagoinha. Mendonça assumiu posteriormente a relatoria, no STF, do caso Master.

Cezinha deixou o PSD e se filiou ao PL neste ano. Apesar da relação construída com o bolsonarismo, a mudança de partido não se traduziu em maior espaço na campanha presidencial de Flávio Bolsonaro. O deputado foi um dos nomes preteridos na montagem da chapa ao Senado em São Paulo, apesar de um acordo costurado anteriormente por Jair Bolsonaro com o bispo Samuel Ferreira que previa espaço para um representante da Assembleia de Deus Ministério de Madureira.

Na operação desta segunda, a PF cumpriu quatro mandados de busca e apreensão expedidos pelo STF. A investigação apura suspeitas de exploração de prestígio, tráfico de influência, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Segundo a corporação, integrantes do grupo investigado teriam negociado com terceiros o pagamento de valores expressivos condicionados ao resultado de processos em curso, a pretexto de influenciar decisões judiciais.

A Polícia Federal ressaltou que, até o momento, não há elementos que indiquem a participação de integrantes do Poder Judiciário nos fatos investigados.

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