Fachin cancela reunião com OAB em meio à crise no STF
Encontro estava previsto para quarta-feira não tem nova data
07/09/2026 19h50 Atualizado 07/09/2026 19h50
Em meio à crise no Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente da Corte, ministro Edson Fachin, cancelou a reunião com o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Beto Simonetti, que estava marcada para quarta-feira.
Segundo interlocutores, o presidente da OAB foi informado sobre o adiamento nesta segunda-feira. O ministro teria se desculpado e disse que marcaria outro dia. Ainda não há previsão de quando o encontro vai ocorrer.
Apesar do cancelamento, Simonetti convocou uma reunião extraordinária do Colégio de Presidentes das seccionais.
O presidente da OAB tem defendido que eventuais desvios de conduta de ministros devem ser investigados com o mesmo rigor aplicado aos demais cidadãos.
O objetivo da reunião com Fachin era tratar das apurações envolvendo os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça no contexto das investigações relacionadas ao empresário Daniel Vorcaro.
A crise no STF provocou manifestações de diferentes seccionais da OAB.
Em nota divulgada na semana passada, a OAB afirmou acompanhar com "atenção e extrema preocupação" as notícias sobre o caso e defendeu que os fatos sejam apurados de forma rigorosa e isenta, "em relação a quem quer que seja".
A entidade também ressaltou a necessidade de respeito ao devido processo legal, à ampla defesa e à presunção de inocência.
"A Ordem se preocupa com os impactos dessa crise para o Brasil, sobretudo por envolver instituições essenciais à democracia e por ocorrer durante o período eleitoral", afirmou a OAB.
Entenda crise no STF
A crise foi alçada a um novo patamar após Moraes enviar a Fachin, na quinta-feira, relatórios de inteligência da PF que apontam supostas irregularidades cometidas por Mendonça, como direcionamento de investigações por fins políticos e interferência em delações premiadas.
Ao demandar a PF, Moraes determinou o envio de documentos que citassem integrantes da Corte em razão de “diversas informações sobre condutas de autoridades tendentes a afastar a independência” dos magistrados. O despacho, no entanto, não detalha que informações seriam essas. A medida foi adotada por Moraes após Mendonça tornar público o material sobre Vorcaro.
Diante do conflito, Fachin disse sexta-feira em evento no Palácio do Planalto que a resposta será “firme e rigorosa”, mas sem “precipitação”. Ele afirmou que a “gravidade” dos fatos não “autoriza atalhos”.
— As instituições precisam ser preservadas, sobretudo nos momentos de maior tensão. Nenhuma autoridade está acima da Constituição. Nenhum Poder está acima da lei. Nenhum interesse circunstancial pode se sobrepor à integridade do Estado democrático de direito — afirmou o presidente do STF.
Fachin abriu prazo para que Moraes e Mendonça se manifestem. Também vão prestar esclarecimentos o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, ambos citados em mensagens de Vorcaro.