Juiz manda júri continuar deliberação após impasse no julgamento de Lindsay Clancy, acusada de matar os três filhos nos EUA
Jurados disseram não conseguir chegar a uma decisão unânime no quarto dia de discussões; defesa afirma que mãe sofria de psicose pós-parto quando matou as crianças
01/09/2026 16h51 Atualizado 01/09/2026 16h54
Os jurados do julgamento de Lindsay Clancy disseram estar em um impasse no quarto dia de deliberações, mas um juiz determinou que continuassem tentando chegar a um veredito. A mãe, de 36 anos — moradora de Massachusetts, nos Estados Unidos — é acusada de homicídio pela morte por estrangulamento de seus três filhos.
- Contexto: Júri entra em deliberação no caso de mãe acusada de matar três filhos nos EUA; defesa alega psicose pós-parto
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“Após muitas horas de deliberação, não conseguimos chegar a uma decisão unânime”, escreveram os jurados em um bilhete lido pelo juiz em audiência pública cerca de uma hora depois de retomarem as discussões nesta terça-feira.
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O juiz William Sullivan os enviou de volta à sala do júri, observando que sabe que o julgamento foi longo e desgastante, com mais de 80 testemunhas e mais de 300 provas apresentadas.
— Mas por causa disso, vou pedir que voltem lá (para continuar deliberando) — disse ele.
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A falta de um veredito unânime resultaria em um júri sem consenso e na anulação do julgamento, sem condenação nem absolvição. As acusações de homicídio contra Clancy permaneceriam, e os promotores poderiam decidir se a levariam novamente a julgamento, desta vez com outro júri.
Ao iniciar o dia, o júri já havia dedicado cerca de 17 horas à discussão do caso, tendo feito apenas um breve pedido ao tribunal para examinar provas. As deliberações começaram na tarde de quinta-feira, após mais de quatro semanas de depoimentos — muitos deles extremamente dolorosos — no tribunal de Plymouth, em Massachusetts.
Até agora, o juiz Sullivan tem iniciado as sessões às 9h diariamente e dispensado os jurados por volta das 16h. Na segunda-feira, ao liberá-los, afirmou:
— Sigam firmes.
Clancy não nega ter matado os filhos com faixas elásticas de exercício em 2023, mas se declarou inocente. Seus advogados argumentaram que ela não deveria ser responsabilizada criminalmente porque sofria de psicose pós-parto.
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Kevin Reddington, advogado de defesa de Clancy, disse que o júri havia pedido na sexta-feira para examinar uma faca e frascos de medicamentos que, segundo se acredita, estão relacionados à tentativa de suicídio de Clancy. Os jurados não parecem ter feito outros pedidos.
Reddington argumentou que Clancy havia sido medicada em excesso para tratar uma grave doença mental pós-parto e teve alucinações com uma voz masculina que ordenava que ela matasse os filhos e depois a si mesma.
Jennifer Sprague, promotora do caso, disse aos jurados que Clancy tomou uma série de decisões premeditadas antes de matar Cora, de 5 anos, Dawson, de 3, e Callan, de 8 meses. Entre elas estavam pedir ao marido que saísse de casa e estrangular primeiro os filhos mais velhos, que teriam maior probabilidade de resistir.
— Vocês sabem, com certeza moral, que ela é culpada — afirmou Sprague.
Para obter uma condenação, a promotoria precisa provar, além de qualquer dúvida razoável, que Clancy cometeu o crime e que era criminalmente responsável por seus atos. Se os jurados considerarem Clancy culpada, deverão escolher entre homicídio em primeiro grau, homicídio em segundo grau e homicídio culposo.
A possibilidade de uma condenação por homicídio culposo poderia ajudar os jurados a chegar a um consenso e diminuir a probabilidade de um julgamento anulado por falta de unanimidade. Mas, se o júri não chegar a um consenso, “os promotores precisarão decidir se pedem um novo julgamento ou se fazem algum acordo” com Clancy e seus advogados, afirma Laurie Levenson, professora da Loyola Law School. Segundo ela, pode levar uma semana ou mais para que eles avaliem as opções.
O juiz Sullivan instruiu os jurados de que Clancy não seria criminalmente responsável caso tivesse uma doença ou transtorno mental que a impedisse de controlar suas ações ou de compreender que elas eram erradas do ponto de vista legal ou moral.
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Nos meses anteriores aos assassinatos, Clancy relatava pensamentos persistentes, perturbadores e intrusivos. Ela recebeu uma série de prescrições de medicamentos psiquiátricos. No início de janeiro de 2023, internou-se voluntariamente em um hospital psiquiátrico, onde permaneceu por cinco dias.
Na noite em que as crianças foram estranguladas, o então marido de Clancy, Patrick Clancy, disse que a encontrou ferida no quintal. Clancy havia cortado os pulsos e o pescoço e pulado da janela do segundo andar da casa onde moravam, ficando parcialmente paralisada.
A última semana de depoimentos no julgamento foi dedicada a testemunhas de refutação apresentadas pela promotoria em resposta às alegações da defesa.
As testemunhas especialistas apresentaram suas avaliações sobre o estado mental de Clancy no momento dos assassinatos. Elas disseram que as mortes não foram necessariamente resultado de psicose.
Reddington, no entanto, afirmou durante as alegações finais que Clancy havia buscado repetidamente ajuda para sua doença mental em deterioração, mas que os médicos falharam com ela.
Sprague rebateu, dizendo que o caso “não é sobre nosso sistema de saúde mental, nem sobre como ele trata as mulheres”.