Agência previdenciária estima que empresa tenha deixado de pagar € 1,2 bilhão, aos quais foram adicionados € 512 milhões em 'sobretaxas de recuperação'
Por AFP — Paris
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GERADO EM: 02/02/2026 - 21:54
Uber enfrenta cobrança de € 1,7 bilhão por impostos na França
A Uber enfrenta uma cobrança de € 1,7 bilhão em impostos trabalhistas não pagos na França, segundo a agência previdenciária Urssaf. A empresa é acusada de classificar erroneamente seus motoristas como autônomos, evitando encargos sociais. A Uber contesta a demanda, citando decisões judiciais que reconhecem os motoristas como autônomos, e está em negociações com as autoridades francesas.
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O grupo de transporte por aplicativo Uber foi informado pelas autoridades francesas de que deve € 1,7 bilhão (cerca de R$ 10,5 bilhões) em impostos trabalhistas não pagos, segundo reportagem publicada nesta segunda-feira. De acordo com a publicação online Revue21, a Uber evitou o pagamento de impostos ao deturpar seus contratos com os motoristas franceses, no mais recente litígio da empresa americana na Europa sobre a situação de seus motoristas.
Em um documento de 142 páginas consultado pela Revue21, a unidade responsável pela arrecadação de encargos sociais na região de Paris concluiu que a Uber "disfarçou deliberadamente uma relação de trabalho como um contrato comercial para se esquivar de suas obrigações como empregadora" para cerca de 71 mil motoristas entre 2019 e 2022.
A Uber França declarou em suas demonstrações financeiras de 2024 que, em dezembro de 2024, a agência francesa de previdência social Urssaf havia "entrado com uma ação judicial contra a empresa, propondo uma revisão do cálculo das contribuições previdenciárias".
A Urssaf é uma entidade independente que arrecada contribuições sociais de empresas e funcionários para financiar os fundos de aposentadoria, o seguro-desemprego e a cobertura médica estatais da França. A Uber contestou "firmemente" os fundamentos deste processo em resposta à Urssaf, que, por sua vez, "respondeu mantendo sua posição", de acordo com as demonstrações financeiras da Uber de 2024.
Aplicativo UBER
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Sede da Uber em 29 de março de 2021 em São Francisco, Califórnia (Estados Unidos) — Foto: Justin Sullivan/Getty Images/AFP
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UBER é o Aplicativo de serviço de transporte urbano mais popular no Brasil — Foto: Rebecca Maria / Agência O Globo
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Marcelo Amorim, 49 anos, trabalha como motorista de aplicativo para acrescentar na renda mensal — Foto: Maria Isabel Oliveira / Agência O Globo
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Medidas anunciadas em Bruxelas apontam medidas para reforçar os direitos dos trabalhadores em plataformas digitais como Uber, Deliveroo ou Bolt, incluindo a definição de critérios para determinar se devem ou não ser considerados trabalhadores. — Foto: Lionel BONAVENTURE/AFP
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Motoristas de aplicativos fazem carreata do Aeroporto Santos Dumont até o prédio da UBER, na Av Presidente Vargas, onde ocuparam três faixas e fizeram protestos em março de 2023 — Foto: Gabriel de Paiva / Agência O Globo
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Fila de carros aguardando corrida nos arredores do Aeroporto Santos Dumont no Rio — Foto: Rebecca Maria / Agencia O Globo
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Motoristas da Uber se aglomeram em frente ao Estádio do Pacaembu em São Paulo (SP), para uma paralização que pede melhores condições de trabalho. Maio de 2023. — Foto: Maria Isabel Oliveira / Agência O Globo
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Uber, usuários e motoristas relatam perigos e assédios durante serviço. — Foto: Hermes de Paula / Agencia O Globo
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A empresa afirmou que não conseguiu estimar o custo potencial da demanda da Urssaf e, portanto, não estava reservando fundos. No documento citado na reportagem desta segunda-feira da Revue21, a Urssaf afirmou que "sob o disfarce de uma simples plataforma de reservas, a Uber está, na realidade, vinculada aos motoristas por uma relação jurídica de subordinação", destacando seu triplo poder de gestão, controle e sanção sobre os motoristas. A Urssaf recusou-se a comentar quando contactado pela AFP.
"Em relação ao status dos motoristas, decisões recentes do Tribunal de Cassação confirmaram seu status de trabalhadores autônomos e, assim, esclareceram o quadro em que operamos", disse um porta-voz da Uber à AFP, referindo-se a duas decisões emitidas em julho de 2025 por um tribunal de apelações, que se recusou a reclassificar os motoristas como funcionários da Uber. "Estamos em negociações com a Urssaf e estamos promovendo uma abordagem colaborativa, aberta e transparente", acrescentou o porta-voz da Uber.
Segundo a Revue21, a Urssaf estima que a Uber tenha deixado de pagar € 1,2 bilhão em impostos sobre a folha de pagamento, aos quais foram adicionados € 512 milhões em "sobretaxas de recuperação".