Há 101 anos, Balto e Togo conduziram o trenó com vacinas que salvou crianças no Alasca; cães foram eternizados em estátuas e no cinema
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Há 101 anos, Balto e Togo conduziram o trenó com vacinas que salvou crianças no Alasca; cães foram eternizados em estátuas e no cinema

Por O Globo — Nome, Alasca

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    GERADO EM: 02/02/2026 - 10:31

    "Togo: O Verdadeiro Herói da Corrida da Antitoxina no Alasca"

    Em 1925, a cidade de Nome, no Alasca, enfrentou um surto mortal de difteria que ameaçava especialmente as crianças. Sem acesso à antitoxina, a comunidade organizou uma corrida de revezamento com trenós puxados por cães para transportar vacinas de Anchorage. Balto e Togo foram os cães protagonistas, mas Togo percorreu o trecho mais longo e perigoso. Balto ganhou fama imediata, mas Togo, reconhecido somente décadas depois, foi o verdadeiro herói. A história foi relembrada em 2019 com o filme "Togo" da Disney.

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    O que faria uma cidade inteira depositar sua esperança em trenós puxados por cães, em pleno inverno do Alasca? Em janeiro de 1925, isolada por nevascas e pelo mar congelado, a cidade de Nome enfrentava um surto de difteria que ameaçava sobretudo crianças. Sem acesso à antitoxina essencial para conter a doença, a comunidade apostou em uma solução extrema: uma corrida de revezamento com homens e cães atravessando regiões inóspitas para levar as vacinas até a cidade.

    Na época, a difteria era uma das principais causas de morte nos Estados Unidos, responsável por mais de 15 mil óbitos apenas em 1921. Em Nome, que tinha menos de mil habitantes, o impacto foi rápido e severo: em poucos dias, sete mortes foram registradas, dezenas de pessoas adoeceram e cerca de 150 apresentavam sintomas. A única comunicação com o exterior era o telégrafo, que indicou que os antídotos mais próximos estavam em Anchorage, a centenas de quilômetros de distância.

    A corrida do soro

    A corrida do soro

    A narrativa pública, no entanto, não refletiu essa divisão de esforços. A chegada de Balto foi fotografada pelo único repórter presente na cidade, e a imagem correu o país. Ainda naquele ano, o cão ganhou uma estátua de bronze no Central Park, em Nova York, com a inscrição “Resistência, lealdade e inteligência”, enquanto o nome de Togo permaneceu praticamente ausente dos registros populares.

    A fama de Balto foi intensa, mas breve. Após uma turnê pelos Estados Unidos, ele e outros cães acabaram vendidos e maltratados até serem resgatados por um empresário de Cleveland, que arrecadou doações para garantir que vivessem seus últimos anos em melhores condições. Balto morreu em 1933, e seu corpo empalhado permanece no Museu de História Natural de Cleveland. Décadas depois, um estudo genético publicado em 2023 na revista Science, liderado pela pesquisadora Katherine L. Moon, da Universidade da Califórnia, confirmou que Balto era um husky, ajudando a reconstruir o perfil genético dos cães de trenó do início do século XX.

    Togo, por sua vez, era mais velho e experiente, vencedor de importantes corridas de trenó no Alasca e reconhecido entre os guias como o verdadeiro líder da missão. Viveu até os 16 anos, longe dos holofotes, e só passou a receber homenagens formais décadas depois, com exposições e uma estátua inaugurada em Nova York em 2001. Para Leonhard Seppala, treinador de ambos, a façanha jamais pertenceu a um único animal. Em um manuscrito preservado pelo American Kennel Club, ele resumiu o feito sem nomes próprios: quando Nome precisou de vida, apenas os cães puderam entregá-la.

    Mais de um século depois, essa história voltou ao debate público quando o cinema revisitou a corrida do soro. Lançado pela Disney em 2019, o filme Togo ajudou a iluminar o papel decisivo do cão que liderou o caminho na maior parte da jornada — e reacendeu a memória coletiva sobre uma façanha em que coragem, ciência e resistência animal caminharam lado a lado.