Proposta de sabatina de Galípolo sobre Master acende novo alerta institucional e indica distanciamento do governo
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Proposta de sabatina de Galípolo sobre Master acende novo alerta institucional e indica distanciamento do governo

Autor do convite, senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB) é próximo de Lula

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    GERADO EM: 03/02/2026 - 09:21

    Sabatina de Galípolo no Senado expõe tensões entre governo e BC

    A proposta de sabatina de Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, levantada pelo senador Veneziano Vital do Rêgo, não é consenso e gera desconforto, apontando um possível distanciamento do governo em relação ao BC. A iniciativa de um parlamentar próximo a Lula sugere tensões institucionais, enquanto o BC investiga internamente o caso Master.

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    De iniciativa do senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB), o convite ao presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, para prestar esclarecimentos sobre o caso Master na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado ainda não é consenso na comissão, mas gera desconforto nos bastidores. O pedido, apresentado nesta segunda-feira, ainda precisa passar pelo crivo dos parlamentares da comissão, comandada por Renan Calheiros, mas o fato de ter sido feito por um parlamentar governista e que é irmão do presidente do TCU, Vital do Rego, chamou atenção de quem observa a autoridade monetária.

    O presidente da CAE disse ao GLOBO que não sabia da proposta de Veneziano. E, segundo ele, o requerimento não altera o plano para apuração do caso Master no colegiado, que terá um grupo de trabalho sobre o assunto.

    — É competência da CAE fiscalizar o sistema financeiro e o BC. Primeiro, vamos requisitar informações e assessorias técnicas do STF, BC, TCU e PF. Não sabia da movimentação do senador Veneziano, mas isso não interferirá no calendário acima — disse Renan ao GLOBO.

    A fala do presidente da CAE é um sinal de que Veneziano ainda precisará construir um consenso em torno da sua ideia. De qualquer maneira, a iniciativa de um senador próximo ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e não da oposição, é visto como um indicativo do afastamento do governo em relação ao chefe da autoridade monetária, a que se soma a possível indicação do secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Guilherme Mello, para uma das duas diretorias vagas no BC.

    Como mostrou O GLOBO, o PT também avalia apoiar a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o Banco Master apresentada pelo deputado Rodrigo Rollemberg (PSD-DF) na Câmara dos Deputados.

    O desconforto com o movimento de parlamentares ligados ao governo se insere em um contexto mais amplo de questionamentos ao trabalho do BC no caso Master. No fim de 2025, também já havia causado desconforto a determinação do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), de acareação do diretor de Fiscalização do BC, Ailton Aquino, junto com o dono do Master, Daniel Vorcaro, e com o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, investigados pela Polícia Federal. Após repercussão negativa, Toffoli recuou.

    De forma similar, causou tensão institucional a decisão do TCU de inspecionar o trabalho do BC. O relator responsável pelo caso, Jonathan de Jesus chegou a mencionar a possibilidade de reverter o processo de liquidação. Depois, contudo, foi fechado um entendimento para que a Corte faça um trabalho de fiscalização do processo de liquidação do Banco Master sem gerar riscos para a autoridade monetária ou abrir brechas para a defesa dos acionistas da instituição liquidada.

    A própria autoridade monetária, por sua vez, abriu uma investigação interna para entender o que aconteceu no escândalo do Master, conforme O GLOBO revelou na semana passada. O objetivo é apurar eventuais falhas ocorridas no processo de fiscalização e liquidação da instituição. A sindicância está sendo conduzida sob sigilo pela corregedoria e foi iniciada a partir de uma decisão de Galípolo no fim do ano passado.

    Galípolo já falou aos senadores sobre o caso Master no fim de novembro, logo após a liquidação do banco, mas, naquela época, o presidente havia sido chamado para prestar esclarecimentos sobre um acordo da autarquia com o ex-presidente do órgão Roberto Campos Neto.

    Em novembro, o chefe do BC destacou aos senadores que a autarquia havia seguido todo o processo legal e identificado as irregularidades, mas que cabia ao Ministério Público e à Polícia Federal investigar as suspeitas de fraude.

    — O BC seguiu todo o procedimento legal, trabalhou desde o primeiro minuto. Eu agradeço o MPF, PF e a Justiça. Quem tem que identificar e quem identificou foi o BC. O balanço de banco é um tema bizantino, complexo — disse Galípolo em novembro.

    — Quando você tem uma dúvida se pode constituir uma fraude, não é o BC que diz. Aí entra no campo criminal. O BC precisa informar (aos órgãos competentes). E a partir dessa informação, vai cumprir este processo legal — completou.

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