Trump afirma que republicanos deveriam 'assumir o controle' de eleições nos EUA antes de votações deste ano
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Trump afirma que republicanos deveriam 'assumir o controle' de eleições nos EUA antes de votações deste ano

Em entrevista, presidente americano falou em 'nacionalizar' processos de votação, que tradicionalmente são geridos por autoridades estaduais e locais, repetindo alegações não comprovadas sobre fraude

Por O Globo, com agências internacionais — Washington

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    GERADO EM: 03/02/2026 - 09:53

    Trump propõe "nacionalizar" eleições nos EUA em meio a controvérsias

    Donald Trump defendeu que os republicanos "nacionalizem" o processo de votação nos EUA, tradicionalmente gerido por autoridades locais, citando alegações infundadas de fraude. Em entrevista, ele sugeriu que o partido assuma o controle em 15 estados. Suas declarações ocorrem num contexto de derrotas republicanas recentes e esforços de gerrymandering para favorecer seu partido nas eleições de meio de mandato.

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    O presidente americano, Donald Trump, defendeu que o Partido Republicano "nacionalize" o processo de votação nos Estados Unidos durante uma entrevista na segunda-feira — uma escalada retórica que deve causar novas preocupações sobre os esforços do governo para intervir em questões eleitorais antes das cruciais eleições de meio de mandato deste ano.

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  • — Os republicanos deveriam dizer: "Queremos assumir o controle" — disse Trump em entrevista a um podcast apresentado por Dan Bongino, ex-vice-diretor do FBI, instando autoridades republicanas a "assumirem o controle" dos processos de votação em ao menos 15 estados. — Deveríamos assumir a votação, a votação em pelo menos 15 lugares. Os republicanos deveriam nacionalizar a votação.

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    De acordo com a Constituição dos EUA, as eleições americanas são regidas principalmente por leis estaduais, resultando em um processo descentralizado no qual o processo de votação é gerido por autoridades municipais e de condados em milhares de seções eleitorais por todo o país, com o governo federal desempenhando um papel limitado. Trump, no entanto, há muito tempo está fixado em alegações falsas de que as eleições nos EUA estão repletas de fraudes e que os democratas estão perpetrando uma vasta conspiração para fazer com que imigrantes sem documentos votem e aumentem a participação eleitoral do partido.

    O apelo de Trump para que um partido político tome os mecanismos de votação segue uma série de medidas de seu governo para tentar exercer mais controle sobre as eleições americanas. Na semana passada, agentes do FBI apreenderam cédulas e outros registros de votação da eleição presidencial de 2020 em um centro eleitoral no condado de Fulton, na Geórgia, onde seus aliados buscam há anos provar alegações falsas de fraude eleitoral. Trump foi derrotado por Joe Biden no estado e chegou a pressionar o secretário de Estado da Geórgia a "encontrar votos" a seu favor.

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  • — Temos estados tão corruptos que estão contando votos. Temos estados que eu ganhei, mas que mostram que eu não ganhei — disse Trump na entrevista de segunda. — Agora vocês verão algo na Geórgia, onde eles conseguiram, com uma ordem judicial, obter as cédulas, e vocês verão algumas coisas interessantes surgirem.

    A diretora de Inteligência Nacional dos EUA, Tulsi Gabbard, disse que o próprio Trump a instruiu a ir a Atlanta para a controversa busca, e que colocou o presidente em contato telefônico com alguns dos agentes do FBI envolvidos na operação. Segundo o New York Times, o presidente os elogiou e agradeceu pelo trabalho.

    Em março, Trump assinou um decreto que tentava fazer mudanças significativas no processo eleitoral, incluindo a exigência de prova documental de cidadania e exigência de que todas as cédulas enviadas por correio fossem recebidas até o fechamento das urnas no dia da eleição. O esforço foi amplamente rejeitado nos tribunais.

    Tentativa de controle

    Tentativa de controle

    Nas redes sociais, Trump pressionou por mudanças ainda mais drásticas. Em agosto, ele escreveu que queria acabar com a votação por correio e, potencialmente, com o uso de urnas eletrônicas. Apesar das promessas, ele não assinou nenhum novo decreto neste sentido.

    As alegações do presidente sobre fraude eleitoral foram desmentidas repetidamente, tanto por revisões independentes quanto por autoridades republicanas. Uma revisão da eleição de 2024 realizada pelo próprio governo Trump, iniciada no ano passado, encontrou poucas evidências de fraude eleitoral generalizada por não cidadãos até o mês passado, informou o Times.

    Apesar disso, o Departamento de Justiça está exigindo que vários estados, incluindo Minnesota — palco de grandes manifestações contra o presidente e sua política anti-imigração —, entreguem suas listas completas de eleitores, enquanto o governo tenta construir um arquivo nacional de eleitores.

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  • As declarações de Trump sobre as eleições no país ocorrem em um momento em que os democratas superaram o Partido Republicano em uma série de disputas. Governadores democratas foram eleitos em Nova Jersey e Virgínia, com vitórias esmagadoras em novembro. No sábado, um democrata venceu uma eleição especial para uma vaga no Senado Estadual do Texas por 14 pontos percentuais, em um distrito que Trump venceu por 17 pontos em 2024.

    Percebendo que os republicanos estavam vulneráveis à tradicional reação negativa contra o partido no poder nas eleições de meio de mandato (as chamadas midterms), Trump começou o ano passado um esforço extraordinário para alterar os distritos eleitorais e dar vantagem ao seu partido — pratica que é chamada de "Gerrymandering" na ciência política. A iniciativa, que começou no Texas, mas se expandiu para estados controlados tanto por democratas quanto por republicanos, tornou-se parte central da estratégia do presidente para as midterms.

    Trump fez pouco segredo de seu interesse em expandir o papel do governo federal na administração das eleições americanas. No mês passado, ele disse ao Times que se arrependia de não ter enviado a Guarda Nacional para apreender máquinas de votação após a eleição de 2020.

    Durante sua entrevista com Bongino, o presidente vinculou seu desejo de controle partidário dos mecanismos de votação à agenda de seu governo para encontrar e deportar imigrantes sem documentos das cidades americanas.

    — Se os republicanos não os tirarem daqui, vocês nunca ganharão outra eleição como republicanos — disse ele, referindo-se aos imigrantes sem regularização. — É loucura como conseguem fazer essas pessoas votarem. Se não os tirarmos, olhem, os republicanos nunca ganharão outra eleição.

    Não há evidências de que um número significativo de não cidadãos tenha votado em qualquer eleição americana. Uma auditoria de 2024 feita pelo secretário de Estado da Geórgia descobriu que apenas 20 das 8,2 milhões de pessoas registradas para votar na Geórgia não eram cidadãs, e apenas nove haviam votado em algum momento. (Com NYT)

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