Ratinho Júnior diz não ver 'problema' em o PSD optar por uma chapa pura à Presidência: 'Temos quadro para isso'
Governador ressaltou, no entanto, que essa costura não impede que a sigla de Gilberto Kassab tenha conversas com outras legendas
Por O Globo — Rio de Janeiro
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GERADO EM: 03/02/2026 - 15:59
Ratinho Júnior apoia chapa pura do PSD, mas mantém diálogo político
Ratinho Júnior declarou não ver problema em o PSD lançar chapa pura à Presidência, destacando que o partido tem quadros qualificados. Apesar disso, não descarta conversas com outras legendas. Com a filiação de Ronaldo Caiado, o PSD se expande, visando ocupar o espaço deixado pelo PSDB. A decisão sobre o candidato da sigla será tomada até abril, entre Ratinho, Leite e Caiado.
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O governador do Paraná, Ratinho Junior, afirmou nesta terça-feira não ver “problema nenhum” em o PSD ter uma chapa pura na corrida pela Presidência. O goiano ressaltou, no entanto, que essa costura não impede que a sigla de Gilberto Kassab tenha conversas com outras legendas. A declaração ocorre após a filiação do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, que assim como Ratinho e o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, se coloca à disposição para disputar o Planalto.
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— Não vejo problema nenhum o PSD ter uma chapa pura, até porque temos quadro para isso. O PSD se organizou com bons quadros, quadros de credibilidade em seus estados e suas regiões — disse Ratinho em entrevista ao SBT News.
Ratinho também afirmou que ainda não foi discutido se o PSD apoiará o senador Flávio Bolsonaro (PL) em um eventual segundo turno, caso a chapa da sigla não tenha avançado. Segundo o governador, a legenda deve apresentar “uma candidatura para ganhar as eleições” e que se posicione como uma alternativa contrária à polarização.
Questionado sobre a possibilidade de disputar o Senado em outubro, Ratinho disse ser necessário “vencer etapas”, estando concentrado em concluir o mandato estadual. O governador aponta que, em abril, a sigla vai discutir o futuro político dele, Caiado e Leite.
Expansão partidária
Expansão partidária
A decisão do PSD de filiar Caiado e incluí-lo na lista de cotados da legenda à Presidência, ao lado de Ratinho e Leite se soma a um movimento mais amplo de expansão do partido, que visa ocupar o vácuo deixado pelo PSDB desde sua derrocada, avaliam cientistas políticos e marqueteiros ouvidos pelo GLOBO. Para os analistas, a desconfiança da legenda com a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) também ajuda a explicar o quadro.
A sigla criada por Gilberto Kassab em 2011 nunca teve um candidato próprio ao Palácio do Planalto, apesar de já ter havido ensaios nesse sentido — em 2022, o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) chegou a ser pré-candidato, mas desistiu da empreitada. Dessa vez, Kassab garante que seu partido terá um nome nas urnas em outubro, e que vai decidir até abril se lança Ratinho, Leite ou Caiado.
O movimento está longe de ser isolado. Nos últimos anos, o PSD ampliou sua base de prefeitos, deputados federais e estaduais e virou a casa de tucanos históricos que não viam mais lugar no PSDB, que enfraqueceu drasticamente após as eleições de 2018. Naquele ano, os tucanos perderam o posto de principais rivais do petismo e amargaram o pior resultado eleitoral de sua história.
Paralelamente, o PSD ficou cada vez mais forte. Em 2024, foi o partido com maior número de prefeitos eleitos, com 877 cidades. No Senado, a sigla tem a segunda maior bancada (só perde para o PL), e redutos tradicionalmente tucanos, como o interior de São Paulo, viraram celeiro do PSD — foram 206 prefeitos eleitos na região no último pleito municipal.