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GERADO EM: 03/02/2026 - 15:07
Trump e Petro se Reúnem na Casa Branca para Reduzir Tensões Diplomáticas
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A reunião durou cerca de uma hora e ocorreu a portas fechadas, e não houve declarações à imprensa no Salão Oval. Segundo a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, Trump “estava muito otimista imediatamente antes da reunião e ansioso para conversar com o presidente Petro".
Representantes do governo colombiano disseram que foi "um encontro cordial e produtivo". A jornalistas, em uma rápida entrevista coletiva, Petro afirmou que "em uma escala de 1 a 10, a reunião foi nota 9", e que teve à mesa discussões sobre energia limpa, a situação na Venezuela e o combate ao narcotráfico. Pouco antes de chegar à Casa Branca, a Colômbia extraditou para os Estados Unidos o traficante Andres Felipe Marin Silva, procurado pela Justiça americana.
— Havia perspectivas diferentes porque a reunião era entre dois governos. Discutimos os assuntos que importavam — afirmou aos jornalistas.
O presidentepublicou em suas redes sociais imagens de dois presentes recebidos. O primeiro era uma foto com Trump acompanhada pelo texto "Gustavo, foi uma honra. Eu amo a Colômbia". Em outra imagem, Petro mostra a dedicatória em uma cópia do livro "A Arte da Negociação", escrito por Trump.
"O que Trump quis dizer nesta dedicatória? Não entendo muito bem inglês", escreveu Petro, se referindo à frase "Você é genial" escrita por Trump no livro e em uma aparente indireta a adversários políticos na Colômbia.
Apesar dos afagos, a relação entre Petro e Trump começou da pior forma possível. Na mensagem em que parabenizou o republicano pela vitória eleitoral, Petro, primeiro presidente de esquerda da Colômbia, criticou as ideias de Trump para o clima, atacou sua promessa de deportar milhões de imigrantes e o apoio dos EUA a Israel na guerra em Gaza. Depois da posse e do início das deportações, ele barrou duas aeronaves que levavam imigrantes à Colômbia, mas recuou após a ameaça de tarifas.
Mas o grande campo de batalha entre Trump e Petro estava em um antigo terreno de cooperação entre EUA e Colômbia: o combate ao narcotráfico. No ano passado, a secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, disse que Petro era “amigo” da organização criminosa Tren de Aragua, baseada na Venezuela. Meses depois, em setembro, a Casa Branca retirou a certificação da Colômbia como parceiro no combate ao narcotráfico, apesar de prometer manter o financiamento.
Petro criticou a decisão, afirmando que o governo colombiano aumentou a pressão sobre os cartéis em seu território, com um volume crescente de apreensões de drogas e prisões de criminosos, e afirmou que o consumo de drogas era um problema da sociedade dos EUA, e não da Colômbia.
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O presidente foi além, e defendeu que soldados americanos descumprissem as ordens de Trump, durante um discurso no qual acusou os EUA de apoiarem “o genocídio em Gaza”. Em resposta, perdeu seu visto — a viagem aos EUA nesta terça só foi possível graças a uma autorização especial — e foi incluído na lista de sanções do Departamento do Tesouro. Washington alegou que ele era cúmplice do narcotráfico.
O ápice da crise veio em dezembro, em meio ao maior deslocamento militar dos EUA no Caribe em décadas, e que tinha na Venezuela de Maduro seu grande alvo. Em reunião de Gabinete, Trump disse que poderia atacar qualquer país que enviasse drogas aos Estados Unidos, citando a Colômbia e Petro. Ali, afirmou que “era melhor ele (Petro) se ligar, ou será o próximo”. Petro respondeu que Trump estava “desinformado”.
Após o ataque a Caracas e a captura de Maduro, o risco de uma ação na Colômbia ficou evidente. Trump chamou Petro de “doente que gosta de produzir cocaína e vendê-la para os Estados Unidos, e ele não vai continuar fazendo isso por muito tempo”, recomendando mais uma vez que ficasse atento.
Inicialmente, Petro e suas Forças Armadas disseram que estavam prontos para "pegar em armas", mas houve um esforço nos bastidores para baixar a temperatura entre Bogotá e Washington. Os altos escalões da diplomacia colombiana acionaram contatos na capital americana — entre eles, o senador republicano Rand Paul, que se opôs ao ataque contra a Venezuela — e abriram caminho para o telefonema do dia 7 de janeiro e para a reunião desta terça. Mas as divergências entre os dois líderes, que ocupam campos políticos distintos, ainda são numerosas.
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Petro amenizou, mas não eliminou, as críticas às políticas do republicano, e vê com receio a reedição da Doutrina Monroe — América para os americanos — pelo governo atual. Além de exercerem uma presença mais intensa na região, Trump quer reduzir a presença de influências consideradas hostis, especialmente a China. A Colômbia é um dos poucos países da América Latina que têm nos EUA os principais parceiros comerciais, mas Pequim tem aumentado o volume de trocas comerciais. Por outro lado, Washington entende que a estabilidade da Venezuela pós-Maduro depende em boa parte da cooperação da Colômbia em matéria de controle de fronteiras e de grupos armados.
O líder colombiano também quer aparar arestas antes da eleição presidencial de maio. Aliados de Petro temem que o agravamento da crise com Washington seja usado pelos adversários para minar a candidatura de seu aliado, Iván Cepeda. Há o risco de interferência de Trump na votação, como a declaração de apoio a um rival, como fez em processos recentes na América Latina. Com os afagos que leva na bagagem (e possíveis acertos ainda não divulgados), Petro ataca um dos principais argumentos de seus rivais na votação: o de que está destruindo as relações com os EUA.
Como gesto simbólico, o mandatário colombiano levou a Washington uma cesta tradicional de itens colombianos, incluindo café e chocolate, produzidos por famílias que trocaram o plantio da coca por cultivos de alimentos através de programas do governo.