'Não conseguiram me quebrar': Manifestante que teve foto manipulada pela Casa Branca acusa governo de perseguição política
Exclusivo para assinantes Nekima Levy Armstrong foi presa por participar de um protesto em St. Paul, Minnesota, contra o ICE 04/02/2026 00h01 Atualizado há 18 horas Facebook Twitter BlueSky Email Copiar link Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 03/02/2026 - 18:50 Advogada acusa governo Trump de manipular foto para difamá-la em protestos contra o ICE Nekima Levy Armstrong, advogada e ativista, acusa o governo Trump de perseguição política após a Casa Branca divulgar uma foto manipulada de sua prisão em um protesto contra o ICE. A imagem, retratando-a em histeria, foi usada para difamá-la e intimidar críticos. Levy Armstrong, que lidera manifestações há anos, vê o caso como um alerta sobre a repressão governamental a dissidentes. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Quando Nekima Levy Armstrong foi transportada do tribunal federal em St. Paul, Minnesota, para a Cadeia do Condado de Sherburne com três camadas de correntes em seu corpo — nos pulsos, na cintura e nos pés — foi a vez, segundo ela, em que se sentiu mais próxima da escravidão. Ainda assim, ela caminhava calmamente, com o rosto resoluto e a cabeça erguida. Mas se você visse uma fotografia divulgada pela Casa Branca de Levy Armstrong , que foi presa por protestar em um culto religioso, você não saberia disso. Ferramentas: Investimento do ICE em tecnologias de monitoramento, reconhecimento facial e IA gera temor de repressão Resistência civil: Grupos convocam 'paralisação geral' nos EUA pela retirada de agentes anti-imigração das ruas Ferramentas: Investimento do ICE em tecnologias de monitoramento, reconhecimento facial e IA gera temor de repressão Resistência civil: Grupos convocam 'paralisação geral' nos EUA pela retirada de agentes anti-imigração das ruas A Casa Branca publicou uma foto manipulada da prisão dela em sua conta oficial nas redes sociais, retratando Levy Armstrong, advogada e ativista dos direitos civis, em estado de histeria — lágrimas escorrendo pelo rosto, cabelo despenteado, parecendo gritar em desespero. A palavra "PRESA" estava estampada na foto, juntamente com uma descrição enganosa de Levy Armstrong como uma "agitadora de extrema esquerda" que estava "orquestrando tumultos em igrejas em Minnesota". Embora o presidente Donald Trump e a Casa Branca divulguem regularmente imagens alteradas por inteligência artificial, incluindo deepfakes depreciativas e racistas, geralmente são tão exageradas que o objetivo parece ser mais uma zombaria caricatural do que um engano puro e simples. A fotografia de Levy Armstrong era diferente. Ela tinha todas as características de uma desinformação descarada vinda do mais alto escalão do governo: difamar e humilhar um cidadão para influenciar a opinião pública, ao mesmo tempo que enviava um aviso a outros críticos para que evitassem desafiar a administração. E acrescentava uma nova dimensão, da era das redes sociais, ao longo histórico de distorções e mentiras de Trump a serviço de suas políticas e posição política. Levy Armstrong, uma mãe de quatro filhos de 49 anos, disse que soube da foto enquanto estava na prisão, durante um telefonema com o marido. Quando a viu pessoalmente após ser libertada no dia seguinte, disse que ficou "enojada". Os traços exagerados e a pele escurecida, disse ela, lembravam-na de quando os corpos de pessoas escravizadas eram deixados desfigurados para impedir revoltas nas plantações, ou durante a segregação racial, quando a propaganda racista retratava pessoas negras como caricaturas. Ela disse que permaneceu "calma e serena" durante sua prisão e o transporte para a cadeia. — Eles não conseguiram me quebrar me prendendo — disse Levy Armstrong. — Então adulteraram uma imagem para mostrar ao mundo uma versão falsa, para me fazer parecer fraca. Reduzir minha imagem à de uma mulher assustada e chorando foi tão degradante, e isso só mostra o quão baixo o cargo de presidente chegou. A Presidência, a Casa Branca, deveria simbolizar a maior superpotência do mundo, mas, em vez disso, eles agiram como um tabloide barato. Questionada sobre a imagem adulterada, cuja manipulação foi confirmada de forma independente pelo New York Times, a Casa Branca não se desculpou. Kaelan Dorr, o vice-diretor de comunicações, minimizou o ocorrido na semana passada, classificando-o como um "meme". "O policiamento continuará", escreveu Dorr nas redes sociais, republicando a fotografia manipulada. "Os memes continuarão." Mais Sobre Estados Unidos 'Um troféu para o MAGA' 'Um troféu para o MAGA' O Departamento de Justiça tentou processar Levy Armstrong com base em uma lei que proíbe o uso ou a ameaça de força e obstrução física para interferir ou intimidar alguém que esteja praticando culto em uma instituição religiosa. Mas agora ela enfrenta acusações de "conspiração contra direitos", crime que era usado para proteger pessoas negras do assédio da Ku Klux Klan, organização supremacista branca americana de base protestante. Celas sem janelas e guardas ‘severos’: Sob Trump, quase 4 mil menores foram presos em 2025 durante ações anti-imigração Celas sem janelas e guardas ‘severos’: Sob Trump, quase 4 mil menores foram presos em 2025 durante ações anti-imigração Outros seis manifestantes e dois jornalistas, incluindo Don Lemon, também enfrentam acusações por seus papéis nos protestos, o que alarmou especialistas na Primeira Emenda. A secretária de Justiça Pam Bondi apontou os casos como prova de que o governo "não tolera ataques a locais de culto". Levy Armstrong, pastora ordenada, afirmou que liderou o protesto de 18 de janeiro na Igreja Cities em defesa do direito dos imigrantes de praticar sua fé sem medo de serem presos. Um dos líderes da igreja, David Easterwood, é o diretor interino do escritório de campo do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) para operações de fiscalização e deportação em St. Paul. Easterwood, que não estava presente no momento do protesto, foi citado em um processo judicial que questiona as táticas agressivas de fiscalização. Os manifestantes interromperam o culto religioso com gritos de "Fora ICE" e "Mãos para cima, não atirem". Quando o pastor gritou "vergonha!" para ela do púlpito, Levy Armstrong começou a liderar um coro de "justiça para Renee Good", em referência à mulher de 37 anos que foi morta por um agente do ICE em Minneapolis no início de janeiro. Vídeos publicados nas redes sociais mostram o protesto interrompendo o culto e os fiéis se retirando enquanto os cânticos continuam e a música de adoração começa a tocar. O protesto durou cerca de 20 minutos, disse Levy Armstrong. Quatro dias depois, em 22 de janeiro, agentes federais prenderam Levy Armstrong em um hotel no centro de Minneapolis, a poucos minutos do tribunal federal. Enquanto seu marido filmava o encontro, ela pediu aos agentes que a tratassem com "dignidade e respeito". Relembre: Criança de cinco anos é detida pelo ICE ao voltar da escola nos EUA Relembre: Criança de cinco anos é detida pelo ICE ao voltar da escola nos EUA Ela perguntou a um dos agentes por que ele estava filmando a prisão. — Não vai sair no Twitter — garantiu o agente. — Não queremos criar uma narrativa falsa. Ela disse que respondeu que não queria ser um "troféu para o MAGA" (Torne a América Grande Novamente, slogan de Trump). Mas logo após sua prisão, uma imagem de Levy Armstrong apareceu no Twitter. Kristi Noem, secretária de Segurança Interna, publicou uma foto de Levy Armstrong no momento de sua prisão, aparentemente sem manipulação digital. Porém, em poucas horas, a foto adulterada publicada pela Casa Branca se espalhou pelo país, sendo visualizada mais de 6 milhões de vezes. Em uma publicação nas redes sociais 48 horas antes de sua prisão, Trump chamou os manifestantes da igreja de "agitadores e insurgentes" que deveriam ser "jogados na cadeia ou expulsos do país". Especialistas jurídicos afirmaram que a imagem falsa poderia prejudicar o caso do Departamento de Justiça contra Levy Armstrong. Seus advogados poderiam usá-la para acusar o governo Trump de fazer o que se conhece como declarações extrajudiciais impróprias. Em uma petição judicial, o advogado de Levy Armstrong apontou a foto adulterada como um exemplo de perseguição política e o que ele chamou de tentativa de "difamá-la" como parte da "ofensiva fascista do governo contra o povo americano". Mas mesmo que o caso não seja totalmente sólido do ponto de vista legal, a campanha nas redes sociais é um sinal poderoso para os manifestantes de que eles pagarão um preço muito público por se oporem ao governo. 'Um alerta' 'Um alerta' Levy Armstrong, que passou mais de uma década como professora de direito, teve papéis de destaque em protestos ao longo da última década. Ela foi a Ferguson, Missouri, em 2014 como observadora legal após o assassinato de Mike Brown (jovem negro de 18 anos de idade que morreu após ser alvejado pelo oficial da polícia municipal Darren Wilson) e, posteriormente, ajudou a organizar os protestos do movimento Black Lives Matter. Ela também liderou protestos contra a violência policial contra homens negros, incluindo Philando Castile, Jamar Clark e George Floyd. Ela já foi presa anteriormente por liderar manifestações, inclusive em 2015, quando ela e outros foram acusados de bloquear uma rodovia interestadual após o assassinato de Clark. — Eu estive envolvida nisso, até os dentes, na luta por justiça — disse ela. Agora ela vê um lado positivo na divulgação da foto adulterada pela Casa Branca. — Foi um alerta para a nação em termos de realmente entender a perseguição política — disse ela. — E que as pessoas estão sendo alvo de perseguição e penalizadas por se manifestarem contra a tirania e o fascismo do governo federal. 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