Caló des Moro, antes isolada, passou a receber até 4 mil visitantes por dia e virou símbolo do impacto do turismo de massa na ilha espanhola
Por O Globo — Maiorca
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GERADO EM: 04/02/2026 - 09:11
Disputa entre Proprietários e Turistas Aquece em Caló des Moro
A enseada de Caló des Moro, em Maiorca, Espanha, enfrenta disputas entre proprietários e turistas devido ao turismo excessivo impulsionado por redes sociais. Os donos, Maren e Hans-Peter Oehm, pedem o fechamento do acesso público, citando danos ambientais e lixo acumulado. A praia, antes isolada, recebe até 4 mil visitantes diários. Em 2024, protestos ocorreram, destacando a insatisfação dos moradores com a situação.
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A enseada de Caló des Moro, em Maiorca, na Espanha, tornou-se o centro de uma disputa entre proprietários, moradores e turistas após a explosão de visitantes provocada pela viralização de imagens nas redes sociais. Os donos do terreno, os alemães Maren e Hans-Peter Oehm, solicitaram, neste mês de janeiro, às autoridades locais autorização para fechar o acesso público à praia, alegando desgaste ambiental, acúmulo de lixo e falta de apoio oficial.
Antes pouco conhecida, a pequena praia ganhou projeção depois que fotos e vídeos de suas águas cristalinas passaram a circular no Instagram e no TikTok. Em 2024, autoridades de turismo chegaram a incentivar criadores de conteúdo a divulgar áreas menos exploradas da ilha, como forma de reduzir a pressão sobre pontos tradicionais. O efeito, porém, foi o oposto: durante a alta temporada, estima-se que cerca de 4 mil pessoas passem diariamente por Caló des Moro.
Assista:
Turismo de massa e degradação ambiental
Turismo de massa e degradação ambiental
Segundo o Diario de Mallorca, os Oehm, moradores da vizinha Santanyí, atuam há anos como zeladores informais da área. Com o aumento do fluxo de visitantes, passaram a investir tempo e recursos na limpeza do local, no replantio de vegetação danificada e até no combate a fogueiras acesas por turistas. Imagens do último verão mostram filas para acessar a areia, lixo espalhado pela enseada e trechos tão lotados que o solo mal aparece.
O impacto ambiental é visível: cerca de seis toneladas de areia desaparecem a cada três meses, sendo aproximadamente 70 quilos por dia levados em toalhas e calçados, segundo relatos locais. Moradores afirmam ainda que a trilha de acesso — que inclui uma descida por rochas e 120 degraus íngremes — virou um ponto de descarte de resíduos deixados por visitantes que evitam levar o lixo de volta.
Confira:
A insatisfação culminou em protestos em 2024. Em junho, mais de 300 manifestantes ocuparam a enseada, estenderam uma faixa com a frase “Vamos ocupar nossas praias” e distribuíram panfletos em inglês e alemão para alertar turistas, forçando muitos a deixar o local. Vídeos mostram moradores bloqueando caminhos e pedindo que visitantes se retirassem.
Entre os turistas surpreendidos estava a ucraniana Kristina Vashchenko, de 20 anos, que vive na Alemanha. Ela contou ter conhecido o local por vídeos no TikTok e decidiu procurar outra praia após ser informada sobre a mobilização. “É uma pena, mas entendo que somos hóspedes na ilha deles”, disse, acrescentando que não faltam outras praias bonitas para visitar.