Gabriel Domingues, de 36 anos, recebeu e-mails das outras quatro indicadas, veteranas na atividade em Hollywood: 'Há mais admiração do que competitividade'
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GERADO EM: 03/02/2026 - 18:20
Diretor de elenco brasileiro celebra indicação ao Oscar e apoio de colegas veteranas
O diretor de elenco Gabriel Domingues, indicado ao Oscar por "O agente secreto", destaca a camaradagem com outras indicadas veteranas. Antes da indicação, apresentou cenas do filme a diretores de casting em Hollywood. Gabriel, conhecido por buscar talentos fora do eixo Rio-São Paulo, recebeu apoio das concorrentes, refletindo mais admiração que competitividade. A cerimônia do Oscar ocorrerá em 15 de março.
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— Foi uma superpressão, no sentido de que as apresentações são em inglês — conta o diretor em conversa por vídeo com o GLOBO. — Quem é da indústria de lá está em casa, todo mundo se conhece. Fui o único brasileiro, único latino-americano, a falar.
Para convencer os gringos, optou por um trecho com “muita gente em cena” reunida na casa de Dona Sebastiana (a atriz Tânia Maria) e outro focado no delegado Euclides (Robério Diógenes) e seus comparsas num camburão, que prezava pela expressividade das tomadas em close. Deu certo. Além de “O agente secreto” receber as indicações de melhor filme, melhor filme internacional e melhor ator para Wagner Moura, Gabriel levou a produção para a lista de melhor casting ao lado de “Hamnet” (Nina Gold), “Marty Supreme” (Jennifer Venditti), “Uma batalha após a outra” (Cassandra Kulukundis) e “Pecadores” (Francine Maisler). Todas mulheres superexperientes quando o assunto é escalação de elenco, uma missão vital na cadeia audiovisual, mas ainda desconhecida do grande público.
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—As pessoas estão muito acostumadas a pensar no Oscar de direção, roteiro, filme, ator — diz Gabriel, antes de explicar o escopo de seu trabalho, que começa a pesquisa e seleção de talentos para filme ou série assim que o roteiro fica pronto e finaliza quando a direção dá o aval para os nomes. —Temos que nos certificar de que a pessoa é cinematograficamente interessante (para o papel), de que vai funcionar do ponto de vista da interpretação, vai se dar bem com o diretor, de que entende o projeto.
Um carioca que vai de Caruaru aos EUA
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Uma função técnica, mas também intuitiva, com que o já experiente diretor começou a se familiarizar aos 24 anos, quando foi assistente de Marcelo Caetano na escalação do elenco do filme “Aquarius”, também de Kleber Mendonça Filho. Foi o primeiro contato do carioca com o cineasta pernambucano e com uma cena artística definidora para sua “metodologia” de trabalho, baseada em pesquisar circuitos de arte fora do eixo Rio-São Paulo. Mergulhos em João Pessoa, Campina Grande, Caruaru, Natal e Fortaleza o fizeram ficar íntimo do trabalho de “uma galera que está fazendo coisas incríveis, mas em lugares em que as pessoas do Sudeste geralmente não vão”.
— Gabriel não trabalha com a zona de conforto — diz outro Gabriel, o Mascaro, cineasta pernambucano e diretor de “Divino amor” (primeiro filme em que Gabriel Domingues assinou sozinho a direção de casting) e “O último azul”, este vencedor do Urso de Prata em Berlim em 2025 e uma parceria dos dois na Região Amazônica. — Ele vai se especializando com a cena artística de cada lugar, e isso traz uma possibilidade de descoberta muito grande.
É por isso que o nome dele soou ideal para “O agente secreto”, diz Emilie Lesclaux, produtora do filme. A francesa já o conhecia de trabalhos anteriores para a produtora CinemaScópio, fundada por ela e por Kleber, e estava familiarizada com a sensibilidade e curiosidade dele, fundamentais para o projeto.
— Ele compartilha da nossa visão de ter o Brasil representado na tela e do prazer de filmar rostos extraordinários e diversos — diz Emilie ao GLOBO. — Tem também um olhar para o Nordeste que foge do que a indústria do audiovisual geralmente tem.
O quanto esses atributos vão se destacar frente ao trabalho das outras indicadas é resposta guardada para o dia 15 de março. A disputa, até aqui, tem sido surpreendentemente boa e suave.