Polícia Civil prende cinco integrantes do Comando Vermelho na Baixada Fluminense e mira esquema financeiro da facção
Investigação feita com o Gaeco aponta até 'caixinha' do tráfico usada para financiar armas, drogas e apoio a criminosos presos
Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você
GERADO EM: 04/02/2026 - 08:28
Operação na Baixada Fluminense visa desmantelar Comando Vermelho
A Polícia Civil, em parceria com o Gaeco do MP-RJ, prendeu cinco integrantes do Comando Vermelho na Baixada Fluminense e expediu 40 mandados de prisão. A Operação Contenção visa desmantelar a estrutura financeira da facção, que utiliza uma "caixinha" do tráfico para financiar armas e apoio a criminosos presos. Desde março, mais de 300 criminosos foram capturados e 465 armas apreendidas.
CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO
Uma operação deflagrada por policiais civis da 31ª DP (Ricardo de Albuquerque) com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Rio (Gaeco/MP-RJ), esteve na rua, na manhã desta quarta-feira, para cumprir 40 mandados de prisão e 33 de busca e apreensão contra integrantes do Comando Vermelho na Baixada Fluminense. A ação faz parte da Operação Contenção, voltada ao combate à atuação da facção e seu esquema financeiro. Até o momento, cinco criminosos foram capturados.
- Tráfico no Rio se organiza como empresa, com até 25 funções
- Irmãos suspeitos de obstruir investigações da PF ligando Rioprevidência e Banco Master foram presos em escritório de advocacia no Sul do país
A ofensiva ocorre em conjunto com o Ministério Público do Rio (MPRJ) e conta com o apoio de 120 agentes dos Departamentos-Gerais de Polícia Especializada (DGPE), da Capital (DGPC) e da Baixada (DGPB), além da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core).
As investigações apontaram a atuação criminosa do Comando Vermelho na comunidade Vai Quem Quer, em Duque de Caxias. O tráfico de drogas na região é chefiado por Rodolfo Manhães Viana, o Rato, apontado como chefe do grupo criminoso. Ele foi alvo de uma tentativa frustrada de resgate, episódio que resultou no ataque à sede da 60ª DP (Campos Elíseos), em fevereiro do ano passado. Atualmente, Rato está custodiado em presídio federal.
CLIQUE AQUI E VEJA NO MAPA DO CRIME DO RIO COMO SÃO OS ROUBOS NO SEU BAIRRO
Segundo a delegada Patrícia Uana, titular da 31ª DP, os cinco presos nesta quarta-feira participaram da tentativa de resgate de Rato. Ela também explicou como funcionava a "caixinha" do CV.
— Cada comunidade vinculada à célula do Comando Vermelho envia um dinheiro, semanalmente ou mensalmente para essa caixinha, que é gerida pelo traficante Falcão, que fica homiziado na Penha. Essa caixinha é destinada à compra de armamento, drogas e até para prover os presos acautelados no sistema prisional — disse a policial ao RJ1, da TV Globo.
A policial afirmou que, entre os presos, há um traficante conhecido como Barriga, que cuida da contabilidade das bocas de fumo da comunidade Vai Quem Quer.
Ao longo da apuração, os agentes identificaram que os criminosos não apenas integravam o tráfico local, mas também praticaram crimes para proteger comparsas envolvidos no ataque à delegacia. Segundo a investigação, os bandidos exerciam funções estratégicas para sustentar a facção, atuando na logística criminosa e no financiamento de ações armadas.
Um dos pontos centrais do inquérito foi a comprovação da existência de uma “caixinha” do tráfico, abastecida por chefes locais e destinada ao custeio de despesas de criminosos presos, além da aquisição de armamentos, compra de drogas e manutenção da estrutura do grupo criminoso.
- Suspeito foi preso: Mulher mantida em cárcere privado por três dias em Copacabana é libertada pela polícia
A ação segue em andamento e integra uma ofensiva estratégica do Governo do Estado para conter e atacar o avanço territorial do Comando Vermelho. O objetivo é desarticular a estrutura financeira, logística e operacional da facção, além de prender traficantes que atuam na região.
Desde março, quando as ações contínuas tiveram início, a Operação Contenção já resultou na captura de mais de 300 criminosos e na neutralização de outros 136 em confrontos, segundo a polícia. No período, foram apreendidas 465 armas, sendo 189 fuzis, além de mais de 50 mil munições. Como parte da ofensiva, também houve pedido de bloqueio de cerca de R$ 12 bilhões em bens e valores.