Empresários e políticos negaram ser próximos de Epstein, mas novos documentos mostram o contrário; veja quem são
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Empresários e políticos negaram ser próximos de Epstein, mas novos documentos mostram o contrário; veja quem são

Personalidades mantiveram contato com o criminoso sexual mesmo após condenação em 2008

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    GERADO EM: 03/02/2026 - 19:23

    Empresários e políticos mantiveram laços com Epstein após 2008

    Documentos recentes revelam que empresários e políticos mantiveram laços com Jeffrey Epstein mesmo após sua condenação em 2008. Personalidades como Elon Musk e Richard Branson estão entre os mencionados nos arquivos, mostrando trocas de e-mails e interações que contradizem suas alegações de distanciamento. A divulgação de quase 3 milhões de páginas detalha como as conexões de Epstein persistiram na elite global.

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    Nos anos que se seguiram à prisão do criminoso sexual Jeffrey Epstein em 2019 e seu suicídio em uma prisão de Manhattan, algumas das pessoas mais ricas e poderosas do mundo se apressaram em se distanciar do homem com quem um dia fizeram negócios, jantaram em locais luxuosos ou viajaram em jatos particulares. Mas uma divulgação gradual de documentos e outras revelações nos últimos meses — culminando na liberação, na sexta-feira, de quase 3 milhões de páginas de registros relacionados a Epstein — ressaltaram a profundidade, a intensidade e a persistência de suas conexões com a elite global, contradizendo ou minando anos de negações cuidadosas.

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  • Os empresários e políticos expostos diziam que não conheciam Jeffrey Epstein muito bem, e sentiram repulsa por ele imediatamente. Eles alegavam que foram atraídos apenas por seu intelecto, seu amor pela ciência ou sua perspicácia nos negócios. Afirmavam não saber dos abusos que ele cometia contra mulheres e meninas, e chegaram a lamentar profundamente a associação que tiveram com ele.

    Até o momento, pelo menos, os novos documentos não alteraram fundamentalmente a compreensão pública sobre Epstein ou seus crimes. Em vez disso, estão repletos de conversas amistosas, convites calorosos e envolvimentos financeiros. Juntos, os documentos mostram como as conexões de Epstein com pessoas em Hollywood, Wall Street, Washington e no mundo da moda prosperaram mesmo depois de ele ter sido condenado por crimes sexuais em 2008.

    Em alguns casos, os documentos lançaram mais luz sobre associados de Epstein cujas conexões com ele já eram conhecidas. Outros revelaram relacionamentos que permaneceram ocultos por anos.

    Mais Sobre Jeffrey Epstein

    Elon Musk, um dos homens mais ricos do mundo, certa vez não só negou ter visitado a ilha de Epstein, como justificou sua decisão como um ato de princípio. Em uma publicação nas redes sociais em setembro, Musk escreveu que Epstein "tentou me convencer a ir à sua ilha e eu recusei". Mas os documentos divulgados na sexta-feira sugerem que Musk, em certo momento, estava ansioso para visitá-la. "Qual será o dia/noite da festa mais animada na sua ilha?", escreveu o bilionário em um dos e-mails trocados com Epstein em novembro de 2012.

    "Tive pouquíssima correspondência com Epstein e recusei repetidos convites para ir à sua ilha ou voar em seu ‘Lolita Express’, mas estava bem ciente de que algumas trocas de e-mails com ele poderiam ser mal interpretadas e usadas por detratores para difamar meu nome", declarou Musk no sábado, em uma publicação nas redes sociais.

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  • Em um podcast no ano passado, Howard Lutnick, o secretário de Comércio dos EUA, descreveu a repulsa que sentiu durante uma visita à mansão de Epstein em Manhattan em meados dos anos 2000, a ponto de decidir “nunca mais estar no mesmo ambiente que aquela pessoa repugnante”.

    A repulsa de Lutnick pareceu ser temporária. Em 2012, ele trocou e-mails com Epstein para combinar uma visita com sua esposa e filhos à ilha particular de Epstein pouco antes do Natal. Um assistente do criminoso sexual encaminhou posteriormente a Lutnick uma mensagem de Epstein: “Foi um prazer te ver”, dizia a mensagem. Na sexta-feira, Lutnick disse que “não passou nenhum tempo com ele”.

    Uma troca de e-mails de 2013 com o bilionário britânico Richard Branson insinuou que ele também tinha um relacionamento íntimo com Epstein. “Foi muito bom te ver ontem”, escreveu Branson na ocasião, acrescentando: “Sempre que estiver por perto, adoraria te ver. Contanto que traga seu harém!”

    Um representante do bilionário britânico disse que os dois tiveram uma reunião de negócios e enfatizou que as mulheres eram adultas e não participaram da reunião.

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  • O magnata imobiliário nova-iorquino Andrew Farkas, um poderoso doador político com ligações com o ex-governador de Nova York, Andrew Cuomo — que renunciou em meio a denúncias de assédio sexual — e o presidente Donald Trump, foi coproprietário de uma marina com Epstein em St. Thomas, no Caribe, por anos. Em uma carta aos investidores no ano passado, ele disse que seu relacionamento com o criminoso sexual era puramente comercial. Mas documentos divulgados recentemente sugerem uma conexão mais pessoal.

    Os dois homens trocaram e-mails grosseiros sobre mulheres em uma troca de mensagens em 2010, após a primeira prisão e condenação de Epstein. Em uma carta de 2018, Farkas disse a Epstein que o amava e o considerava um de seus melhores amigos, antes de se despedir com um simples "xoxo" (expressão em inglês que significa "abraços e beijos").

    Farkas também se hospedou na ilha de Epstein. Fotografias divulgadas pelo Congresso no final do ano passado mostram Epstein com a mão no ombro de Farkas enquanto caminhavam juntos em um cenário tropical. Em dezembro, um porta-voz do magnata disse ao New York Times que seus "relacionamentos com Epstein estavam inteiramente ligados à sua relação comercial" e que "ele se arrepende dessa associação".

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  • Depoimentos e documentos divulgados ao longo dos anos mostraram que o cultivo de amizades com pessoas poderosas por Epstein era parte integrante de seus abusos contra mulheres. Ele exibia fotos com amigos famosos em sua casa em Manhattan, onde meninas e jovens mulheres podiam vê-los. Frequentemente, ele as fazia ouvir suas conversas telefônicas e se gabava para elas sobre quem conhecia — e sobre o que poderia acontecer com suas vítimas se elas se voltassem contra ele.

    Epstein às vezes levava suas vítimas a eventos sociais onde elas conheciam seus amigos e associados da elite, e os documentos divulgados na sexta-feira forneceram mais exemplos disso. Em depoimento aos investigadores em 2007, uma vítima não identificada de Epstein afirmou ter sido coagida a visitar Little St. James, a ilha particular do criminoso sexual, e que Epstein a abusou sexualmente lá.

    Ela disse que certa vez encontrou Sergey Brin, cofundador do Google, e sua então noiva, Anne Wojcicki, que estavam em visita. Eles não responderam aos pedidos de comentários do NYT.

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  • Epstein também parecia servir como intermediário entre homens ricos e mulheres jovens. Seu status de criminoso sexual aparentemente não causou muita preocupação. No início da década de 2010, ele conheceu Steve Tisch, coproprietário do time de futebol americano New York Giants, a quem Epstein, em uma troca de mensagens de 2013, chamou de “um novo amigo, mas obviamente com interesses em comum”.

    Tisch conheceu uma jovem por meio de um dos assistentes de Epstein e, em seguida, perguntou a outra mulher se ela era “profissional ou civil?”. Em outro e-mail naquele ano, Epstein convidou Tisch para sua mansão no final da noite. “Posso esperar ‘problemas’?”, escreveu Tisch. Epstein disse que poderia convidar uma mulher russa, cujo nome não foi revelado, para se juntar a eles “se você quiser”.

    Em um comunicado, Tisch afirmou ter tido uma “breve associação” com Epstein, na qual trocaram e-mails sobre “mulheres adultas” e outros assuntos. “Como todos sabemos agora, ele era uma pessoa terrível e alguém com quem me arrependo profundamente de ter me associado”, disse o empresário.

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  • Epstein, por vezes, monitorava mulheres com quem amigos poderosos namoravam ou tinham casos extraconjugais. Ele tinha um interesse particular em Leon Black, o bilionário do setor de private equity que foi seu principal benfeitor financeiro na década de 2010. Em e-mails que, por vezes, se referiam a Black como “Sr. Big”, Epstein buscava obter informações sobre uma ex-namorada de Black e discutia a possibilidade de colocá-la sob vigilância. O bilionário não estava nas trocas de e-mails, mas seu advogado estava em alguns deles.

    Após a morte de Epstein, Black disse a investidores que o relacionamento entre eles era estritamente profissional e que ele lhe prestava consultoria tributária e de planejamento patrimonial. “Eu desconhecia completamente a má conduta de Epstein e estou profundamente perturbado por ela”, afirmou.

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