De informações vazadas a foto de cueca: o que revelam novos arquivos do caso Epstein sobre ex-embaixador britânico nos EUA?
politica

De informações vazadas a foto de cueca: o que revelam novos arquivos do caso Epstein sobre ex-embaixador britânico nos EUA?

Peter Mandelson renunciou à cadeira no parlamento britânico meses após ter sido retirado do cargo diplomático; documentos apontam relação pessoal após condenação do financista

Por O Globo e La Nacion — Washington

  • Facebook
  • Twitter
  • BlueSky
  • Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você

    GERADO EM: 04/02/2026 - 11:00

    Renúncia de Mandelson: Escândalo Epstein Abala Política Britânica

    Peter Mandelson, ex-embaixador britânico nos EUA e figura influente do Partido Trabalhista, renunciou após revelações de documentos do caso Epstein. Arquivos mostram sua proximidade com Epstein, mesmo após a condenação do financista, gerando escândalo político. Suspeitas envolvem compartilhamento de informações sensíveis, relações financeiras e evidências de amizade íntima, resultando em consequências políticas imediatas.

    CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO

    A trajetória pública de Peter Mandelson, figura central do Partido Trabalhista britânico e um dos principais articuladores dos governos de Tony Blair, chegou a um desfecho abrupto após a divulgação de mais de 3 milhões de páginas de arquivos do Departamento de Justiça dos Estados Unidos ligados ao caso Jeffrey Epstein.

  • 'Abominável': Nova leva de documentos do caso Epstein expõe nomes e imagens de vítimas de abusos
  • O político, que renunciou à cadeira no parlamento britânico nesta terça-feira e já havia sido retirado do cargo de embaixador nos EUA em setembro do ano passado, teria mantido relação próxima com o financista mesmo depois de sua condenação por crimes sexuais. A proximidade desencadeou um escândalo político e moral com repercussão imediata em Londres.

    Os documentos citados organizam as suspeitas em três eixos. O primeiro envolve o suposto compartilhamento de informações governamentais sensíveis com Epstein. Entre os conteúdos mencionados estariam dados sobre a crise financeira de 2008, um relatório confidencial destinado ao então primeiro-ministro Gordon Brown e a antecipação de um resgate europeu de 500 bilhões de euros antes do anúncio oficial — elementos que sugerem possível violação de confidencialidade estatal.

    O segundo núcleo diz respeito a relações financeiras. Registros teriam identificado pagamentos de 75 mil dólares feitos por Epstein a contas vinculadas a Mandelson ou ao seu parceiro, o brasileiro Reinaldo Avila da Silva, reforçando suspeitas de vínculo material entre ambos.

    O terceiro ponto reúne evidências visuais e sinais de proximidade pessoal que ampliaram o desgaste público. A imprensa divulgou uma fotografia de Mandelson vestido com roupa íntima, uma cueca, no apartamento de Epstein, em Paris, além de registros de mensagens nas quais o político se referia ao financista como “melhor amigo”.

    Renúncia

    Renúncia

    As consequências políticas foram imediatas. Mandelson deixou o Partido Trabalhista e renunciou à Câmara dos Lordes nesta terça-feira. O governo de Keir Starmer planeja retirar seu título vitalício e já o havia destituído do cargo de embaixador em Washington em setembro. Paralelamente, o Serviço Civil britânico revisa seus contatos governamentais, enquanto a polícia metropolitana abriu investigação por possível quebra de confidencialidade.

    O episódio se soma a controvérsias anteriores na carreira do político. Mandelson já havia renunciado em 1998 após a revelação de um empréstimo secreto para a compra de uma casa e, em 2001, por suspeita de interferência no passaporte de um bilionário. Apesar disso, teve papel decisivo nas vitórias eleitorais de Tony Blair e na consolidação do Novo Trabalhismo.

    Agora, o caso Epstein é descrito internamente como o golpe definitivo em seu legado. Avaliações no governo indicam que Mandelson não deve permanecer na vida pública, e sua renúncia é interpretada como tentativa de evitar punições legais mais severas e “mais constrangimentos”.

  • Donald Trump
  • Estados Unidos
  • Jeffrey Epstein
  • ← Volver a noticias