Vítimas de Epstein pedem a juiz que bloqueie site do Departamento de Justiça dos EUA após divulgação de seus nomes
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Vítimas de Epstein pedem a juiz que bloqueie site do Departamento de Justiça dos EUA após divulgação de seus nomes

Advogados das vítimas de exploração sexual afirmam que documentos não protegeram informações pessoais das vítimas, incluindo nomes, e-mails, contatos e até dados bancários; procuradora fala em 'erro'

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    GERADO EM: 03/02/2026 - 14:00

    Vítimas de Epstein exigem intervenção após vazamento de dados sigilosos pelo governo dos EUA

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    Um juiz federal de Manhattan informou que realizará uma audiência nesta quarta-feira para considerar a suspensão do site do Departamento de Justiça dos EUA que hospeda milhões de arquivos do caso de Jeffrey Epstein, empresário e investidor americano que foi acusado de uma série de crimes sexuais e morreu na prisão em 2019, após nomes de vítimas terem sido divulgados indevidamente. A falha em omitir as informações virou a vida de quase 100 sobreviventes "de cabeça para baixo", argumentaram os advogados de um grupo de vítimas em uma carta no domingo.

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  • O pedido dos advogados ocorreu após a procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi, reconhecer em carta ao tribunal, na segunda-feira, que o Departamento trabalhou durante o fim de semana e "removeu vários milhares de documentos e mídias que podem ter incluído, inadvertidamente, informações de identificação de vítimas". Ela atribuiu o ocorrido a "diversos fatores, incluindo erros técnicos ou humanos".

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    A procuradora-geral, junto com seu vice, Todd Blanche, e Jay Clayton, o procurador dos EUA em Manhattan, escreveram que os documentos em questão passariam por novas edições e seriam republicados prontamente — "idealmente dentro de 24 a 36 horas".

    O embate entre os advogados das vítimas e o departamento segue a liberação, na sexta-feira, de três milhões de documentos, imagens, vídeos e outros registros relacionados a Epstein. A publicação foi ordenada sob uma lei promulgada em novembro, com a condição de que as informações das vítimas fossem editadas (tarjadas). Bondi afirmou em sua carta que o departamento possui equipes de funcionários dedicadas a monitorar solicitações de vítimas e seus advogados para adicionar novas proteções aos materiais postados.

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  • 'Emergência em curso'

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    Na carta pedindo que o site do Departamento de Justiça seja retirado do ar temporariamente, até que as edições adequadas sejam feitas, os advogados também solicitaram a nomeação de um monitor independente para supervisionar o processo. Eles descreveram a situação como "uma emergência em curso que exige intervenção judicial imediata".

    "Para as vítimas de Jeffrey Epstein, cada hora importa", escreveram os advogados Brittany Henderson e Brad Edwards. "O dano é contínuo e irreversível."

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  • A carta foi endereçada aos juízes Richard M. Berman, que supervisionou o caso de Epstein, e Paul A. Engelmayer, que supervisiona o caso de Ghislaine Maxwell, cúmplice do milionário que foi julgada, condenada e cumpre pena de 20 anos de prisão.

    O juiz Berman, que ordenou a audiência em um breve despacho na segunda-feira, disse reconhecer a "preocupação e a urgência" do assunto e convidou os advogados a trazerem seus clientes com eles.

    "Não tenho certeza do quão útil poderei ser", acrescentou Berman, dizendo que incentivou os advogados e o procurador Clayton a trabalharem "para resolver as questões pendentes de boa-fé".

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    Henderson e Edwards, em sua carta aos juízes, afirmaram que não há "grau concebível de incompetência institucional suficiente para explicar a escala, a consistência e a persistência das falhas ocorridas — particularmente quando a única tarefa era simples: omitir nomes conhecidos de vítimas antes da publicação".

    Eles incluíram comentários de várias clientes do escritório. Uma mulher, identificada apenas como Jane Doe 2, disse que todos os seus e-mails foram postados sem edições e que "vários artigos já foram publicados" sobre ela. Outra mulher, Jane Doe 5, escreveu que está sendo assediada pela mídia e por terceiros. "Por favor, imploro que apaguem meu nome!!!".

    Uma terceira mulher, Jane Doe 8, disse que suas informações bancárias privadas foram tornadas públicas e que ela estava tentando cancelar seus cartões e contas.

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