Capra Maia é uma das artistas presentes na exposição Constelações Contemporâneas da Cena Artística de Brasília, realizada pelo Metrópoles
atualizado
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Capra desenvolve uma pesquisa poética centrada na matéria e na passagem do tempo. Em seu trabalho, a transformação não é apenas um tema, mas um método. “Com o meu trabalho, busco registrar os efeitos que a passagem do tempo imprimem na matéria por meio da atuação de agentes diversos, como a água, a poeira, o atrito, reações químicas, a ação humana e de animais”, afirma.
A investigação parte de uma compreensão da matéria como algo instável e em constante mutação. “Em uma escala geológica, a matéria é fluida como a água, dançando entre as diferentes formas que assume”, explica a artista.
Seu processo criativo envolve abrir mão do controle e permitir que outros agentes atuem diretamente sobre os materiais.
Essa postura leva Capra Maia a questionar a ideia de obra finalizada. “Não parto do princípio que uma obra possa ser finalizada, pois sua materialidade estará sujeita a mudanças inevitáveis, mesmo que lentas”, diz. Para ela, há uma espécie de vida presente nos trabalhos, e a vida implica transformação contínua.
Mais do que aceitar essas transformações, a artista frequentemente as provoca. “No meu trabalho eu não só permito as mudanças como provocou sua aceleração”, conta.
Para isso, expõe as obras às intempéries, à luz solar, à umidade e a processos de oxidação, permitindo que o tempo atue como um agente criador.
Essa abordagem pode ser vista em uma instalação composta por vasos de barro cru que tiveram suas formas alteradas pela ação da água. Ao serem preenchidos, parte do material se dissolve, retornando ao estado amorfo da argila — um gesto que evidencia a fluidez da matéria e a ação do tempo como força transformadora.
Sobre a participação na mostra, Capra Maia celebra o contexto e o encontro. “Estou muito feliz em participar dessa exposição num espaço tão icônico de Brasília e junto de artistas que admiro”, afirma. Para ela, iniciativas como essa têm um papel fundamental na cidade: “Um evento como esse é sempre bom para movimentar a cena artística local, o que é bom tanto para os artistas quanto para o público.”
Constelações Contemporâneas da Cena Artística de Brasília
A iniciativa amplia a atuação do Metrópoles no fortalecimento da cena cultural e na defesa de uma arte acessível a todos, apostando na ideia de constelação como fio condutor curatorial — um conceito que propõe encontros, diálogos e múltiplos pontos de vista.
O projeto dá sequência à repercussão positiva da exposição É Pau, É Pedra…, que ocupa o Teatro Nacional com mais de 200 obras de Sergio Camargo e permanece aberta ao público até 13 de março.
Confira os artistas participantes:
A exposição funciona como um manifesto da arte brasiliense, reunindo artistas de diferentes gerações, linguagens e pesquisas que ajudam a construir, diariamente, a identidade cultural do Quadradinho do DF.
Serviço
Constelações Contemporâneas da Cena Artística de Brasília
De abril a junho, no Foyer da Sala Villa-Lobos, no Teatro Nacional
Diariamente, das 12h às 20h, com entrada gratuita
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