Estresse crônico: psiquiatra conta quais são os sintomas e riscos
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Estresse crônico: psiquiatra conta quais são os sintomas e riscos

Quando a tensão não passa, o corpo e a mente sofrem. Entenda o que é o estresse crônico, como identificar e o que fazer

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O estresse é uma resposta fisiológica normal do organismo diante de desafios pontuais. Em situações de ameaça ou pressão, o corpo reage com aumento dos batimentos cardíacos, sudorese e liberação de hormônios como cortisol e adrenalina. Esse mecanismo nos ajuda a reagir rapidamente.

O problema surge quando essa ativação não se desliga. No estresse crônico, a resposta permanece por semanas ou meses, mesmo sem uma ameaça imediata.

“O estresse em si não é um problema, mas a ativação contínua do sistema nervoso”, explica o psiquiatra Luiz Scocca, do Hospital das Clínicas da USP. Quando isso ocorre, o organismo passa a funcionar em estado de tensão permanente.

Não existe um prazo rígido para definir quando ele se torna crônico. O critério central é a perda da capacidade de autorregulação, com prejuízos progressivos do sono, da energia, da concentração e do humor.

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  • Os sintomas do estresse crônico costumam se acumular e, muitas vezes, são naturalizados no dia a dia. Entre os mais frequentes estão:

  • Irritabilidade.
  • Agressividade.
  • Dores de cabeça.
  • Problemas digestivos.
  • Insônia.
  • Fadiga extrema.
  • Tensão muscular.
  • Dificuldade de concentração.
  • Alterações no apetite e na libido.
  • Sudorese.
  • Tremores.
  • Sensação de falta de ar.
  • Do ponto de vista emocional e comportamental, é comum haver irritabilidade persistente, queda de motivação, apatiaem relação às atividades habituais, retraimento social ou reatividade emocional aumentada.

    No corpo, aparecem dores de cabeça constantes, tensão muscular, sintomas gastrointestinais, maior vulnerabilidade a infecções e oscilações de peso.

    A exposição prolongada ao cortisol não afeta apenas o bem-estar imediato. Ela pode alterar circuitos neurais envolvidos na memória, na regulação emocional e na resposta ao medo. Estruturas como o hipocampo, a amígdala e o córtex pré-frontal são particularmente sensíveis a esse excesso hormonal.

    Na prática, isso se traduz em piora da concentração, menor controle emocional, pensamentos negativos intrusivos e medo constante do futuro.

    Para o psiquiatra e psicoterapeuta Wimer Bottura, do Instituto da Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, o estresse crônico tem relação direta com o medo. “Sempre que estamos com medo, tendemos a viver em estresse”, afirma.

    Hoje, além dos medos tradicionais, como doenças e perdas, outros fatores agravam o cenário: excesso de informações imprecisas, insegurança jurídica e medo da violência no cotidiano. Esses elementos mantêm a população em estado de alerta constante.

    O estresse crônico interfere em diversas funções do organismo, impactando sono, memória, pressão arterial e imunidade. Exames laboratoriais e de imagem — como dosagens hormonais, hemograma, endoscopia ou ressonância — podem mostrar repercussões do estresse, embora nem sempre sejam necessários para o diagnóstico.

    A explicação está na alteração da fisiologia corporal: mais adrenalina, mais cortisol e maior consumo de neurotransmissores como serotonina. Esse desequilíbrio favorece o adoecimento e ajuda a explicar por que o estresse é um componente relevante na origem de muitas doenças físicas.

    O acompanhamento psiquiátrico e psicológico é indicado quando o estresse persistente evolui para ansiedade, depressão ou insônia, ou quando começa a comprometer a vida profissional, social e afetiva — cenário que pode culminar em burnout. A psicoterapia ajuda a rever padrões de pensamento, lidar com medos infundados e criar estratégias de proteção emocional.

    Bottura reforça que a solidão piora o quadro: tentar resolver tudo sozinho tende a alimentar pensamentos negativos. Ter com quem conversar e buscar ajuda especializada são passos fundamentais.

    Mudanças de hábito são parte essencial do tratamento. Praticar atividades físicas regularmente, manter horários consistentes para dormir e acordar, priorizar uma alimentação com frutas e vegetais e reduzir excesso de cafeína e açúcar fazem diferença.

    Técnicas de meditação e respiração profunda ajudam a desacelerar o sistema nervoso, assim como organizar tarefas e definir prioridades. Quando o estresse é intenso ou persistente, falar com um psicólogo ou psiquiatra não é sinal de fraqueza, mas de cuidado com a saúde.

    O estresse faz parte da vida, mas não deve se tornar permanente. Reconhecer os sinais, entender os impactos no corpo e no cérebro e buscar ajuda no momento certo são atitudes que interrompem o ciclo de adoecimento. Cuidar do sono, do ritmo de trabalho e das emoções é uma forma concreta de proteger a saúde.

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