O mundo em torno de meu umbigo!
atualizado
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Há uma pergunta relevante no universo do ataque à democracia: temos algo de novo no front? Os nossos inimigos — nosso, do povo que perde seu direito de governar — estão hoje num avanço histórico. O Our World in Data, da Universidade de Oxford, tem uma série de dados expressivos. Selecionei o período 2004-2024 — é o último ano recenseado, mas também onde o processo se afirma.
O número de países se tornando autocratas passou de 13 para 45; se democratizando, de 26 para 19. As autocracias fechadas passaram de 27 para 31; as autocracias eleitorais de 55 para 60; as democracias eleitorais de 53 para 59; e as democracias liberais de 41 para 29. Agora se segure, leitor: as pessoas vivendo nas autocracias fechadas passaram de 1,63 bi para 2,04 bi; em autocracias eleitorais, de 1,54 bi para 3,78 bi; as democracias eleitorais de 2,16 bi para 1,35 bi; as democracias liberais de 1, 12 bi para 0,96 bi. Creio que QED (quod erat demonstrandum), não há mais o que discutir. Uma coisa boa: estamos do lado dos números positivos, apesar — por causa — do Bozo.
Lembremos que, como tinha prometido, já no primeiro dia de governo agiu como ditador, fazendo uma tonelada de decretos tratorando as leis e a Constituição, dando um baita pontapé no que eles consideravam sua superioridade sobre o mundo, the rule of law, nosso Estado de Direito. Não sou ingênuo de achar que a lei era cumprida universalmente no país. Nem que lá, como cá, a justiça fosse aplicada igualmente para ricos e pobres, nem lá nem cá o eram ou é, sem falar, me repetindo, que em 10 vezes 9 o preso é preto, negro, nigger ou o que você quiser usar como expressão de preconceito racial. Mas ainda havia um certo controle ou pudor.
O símbolo maior do despudor é o da venda de indultos com suborno ostensivo e/ou escondido. O caso mais notável é o de Changpeng Zhao, dono do Binance, um criptobanco que fechou com a World Liberty Financial, da famiglia. O saque foi sobre uns 90 bilhões, que era o $$$ que o cara tinha. Mas o negócio de indultos atingiu todo tipo de pena, até prisão perpétua, e muita droga voltou às ruas.
Nas falcatruas declaradas, o NYT calcula que Trump já ganhou 1,4 bi, incalculando as incalculáveis. O número de contratos públicos manipulados cada vez aumenta mais, o que deve ter contribuído para a necessidade da subir o orçamento do Pentágono de 1 trilhão US$ para 1,5 tri — já imaginaram o que os nossos milicos fariam com 2,5 trilhões de reais? (é a diferença para falcatrua).
Vamos combinar que o mais relevante é criar condições para que haja eleições lá neste novembro, e eleições com garantias (de que os maga ganharão): eles querem as listas de eleitores para poder prender os eleitores democratas, as urnas, a começar pelas da Georgia, para emprenhar, o medo pânico para desencorajar. Lançam o ICE e o CBP — a comparação com a Gestapo é injusta, os alemães mostravam a cara, mas em brutalidade talvez se igualem — no Minnesota, um welfare state, exigem “os terroristas somalis da Ilhan Omar” e, para cumprir as cotas do vampiro Stephen Miller, quem estiver pela frente é criminoso, podem matar como fizeram com a Renee Good e o Alex Pretti — mas a culpa é deles, ficaram na frente das balas…
Controlados os estados democratas, controlado o Congresso, falta apenas controlar os juízes que teimam em seguir a lei, alguns até indicados por Herr Trump, e para isso contam com a Suprema Corte do Robert: nenhuma decisão que não seja clara e limpamente inconstitucional.
Afinal, ainda tem uns pedaços do salão oval que não estão cobertos de ouro, mais bonito que Versailles — me dá um dinheiro aí!