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O que deveria ser uma experiência cultural e profissional terminou como um episódio traumático para a brasileira Beatriz Leal, de 26 anos. Em 2023, durante um intercâmbio como Au Pair na Bélgica, ela afirma ter sido submetida a jornadas abusivas de trabalho, ameaças, violência psicológica e tentativa de retenção de documentos por parte da família anfitriã. Nas suas redes, Beatriz dividiu os relatos com seus seguidores e aconselhou quem deseja participar desse tipo de intercâmbio.
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Entenda
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Beatriz contou ao Metrópoles que decidiu fazer o intercâmbio por meio de uma agência brasileira, que atuava em parceria com uma agência na Bélgica responsável pelo contato com a família anfitriã. A primeira conversa por vídeo com os anfitriões foi breve e, segundo ela, não levantou sinais de alerta. O casal informou já ter recebido outras Au Pairs, o que passou uma sensação de segurança.
Após a mudança, Beatriz relata que o acordo inicial não foi respeitado. Os horários fixos de trabalho deixaram de existir, as horas extras se tornaram frequentes e o limite legal — de até 20 horas semanais e quatro horas por dia — foi rapidamente ultrapassado. Mesmo doente, ela afirma que era obrigada a trabalhar. As horas adicionais eram pagas a 5 euros, valor abaixo do permitido por lei.
Além da sobrecarga, Beatriz descreve episódios de abuso psicológico. Em um deles, a mãe das crianças teria enviado uma imagem retirada de suas redes sociais afirmando que ela “parecia feliz demais”. O episódio mais grave ocorreu após uma noite de trabalho extra, quando uma das crianças acordou durante a madrugada.
Segundo Beatriz, naquele momento ela já não estava mais em serviço e não tinha controle sobre o comportamento da criança. Mesmo após um pedido de desculpas, atribuído pela anfitriã à TPM, ela decidiu solicitar o chamado rematch, a troca de família.
A jovem afirma que a agência belga não ofereceu apoio efetivo e chegou a minimizar a situação. “Disseram que todo mundo grita quando está estressado e que, se eu saísse, provavelmente não encontraria outra família”, conta. Por conta própria, Beatriz conseguiu contato com uma nova família por meio das redes sociais.
“Parecia um filme de terror”, descreve. Ao tentar sair, ela afirma que o homem tentou impedi-la fisicamente. Já na rua, percebeu que seus documentos haviam ficado na casa. Com medo de retornar sozinha, pediu ajuda a trabalhadores da limpeza urbana para acionar a polícia. Com escolta policial, conseguiu recuperar passaporte e pertences.
Posteriormente, Beatriz procurou a inspeção social belga e apresentou provas, incluindo registros do trabalho ilegal. A investigação ouviu outras Au Pairs que passaram pela mesma família, que também relataram abusos. Uma delas teria denunciado, inclusive, uma tentativa de assédio sexual.
Mais de um ano após os fatos, Beatriz e as demais jovens receberam valores reajustados referentes ao trabalho realizado. Apesar disso, ela afirma que os impactos emocionais permanecem.
Para ela, é fundamental não confiar exclusivamente em agências — especialmente em países onde elas não são vinculadas a órgãos governamentais — e fazer perguntas detalhadas antes de fechar o acordo com a família anfitriã.
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