atualizado
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Um novo laudo pericial apresentado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) trouxe à tona novos detalhes sobre os últimos momentos de Henry Borel, morto em 8 de março de 2021, aos quatro anos de idade.
A perícia utilizou tecnologia de reconstrução em 3D para reconstituir a dinâmica dos fatos. O resultado descartou indícios de queda e concluiu que a morte da criança não foi acidental, mas causada por sucessivos episódios de agressões.
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O documento, elaborado pela Divisão de Evidências Digitais e Tecnologia (Dedit), aponta um padrão de lesões externas e internas incompatíveis com acidente doméstico.
O laudo reconstrói, no espaço e no tempo, o nexo causal entre a violência contundente e o óbito.
“Depois de tantos anos lutando por justiça, eu não espero apenas um julgamento. Eu espero um acerto de contas com a verdade”, desabafou Leniel Borel, pai de Henry.
Para Leniel, o processo que se encaminha para o Tribunal do Júri não representa apenas uma etapa jurídica, mas a necessidade de responsabilização diante do que define como uma “brutalidade inaceitável”.
Henry Borel
Semanas antes do crime ocorrer, a babá que cuidava de Henry alertou Monique, por mensagem, sobre um episódio em que Jairinho se trancou no quarto do casal com o menino, que depois deixou cômodo alegando dores e mancando
Em audiência, o pai falou sobre os medos relatados por Henry
Quadros pintados após morte do menino Henry Borel, de 4 anos, em 8 de março
Mudança na legislação
Para além dos tribunais, a memória de Henry Borel tornou-se um divisor de águas na legislação brasileira. A Lei Henry Borel (Lei nº 14.344/2022) foi sancionada após intensa mobilização liderada por Leniel e estabeleceu mecanismos mais rigorosos de proteção à criança e ao adolescente.
“Essa lei não foi apenas uma vitória legislativa. Ela foi o meu luto transformado em proteção para milhões de crianças”, afirma Leniel. O pai acredita que, se instrumentos como esse existissem antes, o destino do filho poderia ter sido outro.
Enquanto o julgamento não ocorre, Leniel encontra conforto na ideia de que a morte precoce de Henry gerou um impacto coletivo. “Henry se doou para salvar outras crianças. Eu vejo meu filho em cada vida beneficiada por essa lei”, conclui. Ele reafirma que, no Tribunal do Júri, espera que a resposta do Estado seja tão firme quanto a resiliência que precisou encontrar para seguir em frente.
O assassinato
Henry morreu em março de 2021 no apartamento onde vivia com a mãe, Monique Medeiros, e o padrasto, o médico e ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro.
Os réus sustentam a versão de que houve um acidente doméstico e alegam inocência.
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