Na trama da quarta temporada, uma das personagens tem dificuldade de entender se já teve ou não um orgasmo
atualizado
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Quando você pensa em Bridgerton, algumas coisas provavelmente vêm à sua mente imediatamente: imagens de babados e salões de baile, provavelmente já estão passando diante dos seus olhos. E, claro, muito sexo. Afinal, a série é praticamente sinônimo de paixão em dramas de época. Mas nesta temporada, Bridgerton finalmente aborda um lado menos sexy do sexo: a diferença de orgasmo entre homens e mulheres.
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Francesca (Hannah Dodd), a sexta Bridgerton, casou-se discretamente com John Stirling (Victor Alli) no final da terceira temporada. No começo da quarta temporada, o relacionamento dos dois passa a ser mais explorado no quarto.
Só quando Francesca conversa com Penelope (Nicola Coughlan), é que ela começa a perceber que algo pode estar faltando em sua própria vida amorosa. Ou seja, algo chamado “ápice”.
Embora Bridgerton se passe na era da Regência, o dilema de Francesca parece assustadoramente contemporâneo. De acordo com pesquisas recentes, apenas 30% das mulheres afirmam ter orgasmo todas as vezes que fazem sexo.
Afinal, podemos falar mais sobre sexo, mas a diferença entre prazer e orgasmo permanece envolta em estigma. Admitir que você talvez não esteja atingindo o – bem – “ápice” ainda parece um tabu.
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Mas, por que ainda temos tanta dificuldade em definir um orgasmo?
A sexóloga Paula Fernanda explica que essa dificuldade vem do fato de que o “orgasmo” não é uma experiência única, padronizada ou igual para todos os corpos e isso raramente é explicado de forma honesta. “Inclusive, existe uma fala bastante prejudicial para a mulher que diz: se uma mulher teve orgasmo, ela vai saber que teve. Isso não é verdadeiro. É comum a mulher não ter clareza se teve ou não orgasmo.”
Nos homens, a percepção costuma ser mais simples porque, na maioria dos casos, o clímax é associado quase exclusivamente à ejaculação ou, em menor escala, ao orgasmo anal. Já a mulher não é estimulada a se conhecer e raramente tem contato direto com sua vulva ou vagina.
“Importante ressaltar que quanto mais a mulher conhece sua anatomia, sabe como ativá-la e consegue estar presente no próprio corpo para sentir as sensações, mais refinada, potente e ampla se torna sua capacidade orgástica”, comenta a profissional.
Aspectos culturais, educacionais e de gênero influenciam a forma como entendemos o orgasmo?
Bridgerton também retrata com precisão o quão difícil pode ser abordar o assunto, seja com amigos, família, parceiro(a) ou até mesmo consigo mesmo(a). Francesca prefere fingir do que se aprofundar demais no tema.
Paula acrescenta que isso influencia profundamente e, muitas vezes, mais do que a própria biologia. “Existem diferenças culturais, educacionais e de gênero que impactam diretamente a forma como o prazer é vivido, permitido e reconhecido. Isso envolve desde fatores neuroanatômicos até elementos emocionais como insegurança, culpa e vergonha.”
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Ela acrescenta que “tudo aquilo que nos desconecta do corpo, como crenças, tabus, experiências difíceis ou educação repressora, interfere diretamente na capacidade de perceber, sustentar e integrar a experiência erótica e orgástica, bem como dificulta estar presente no corpo, o que faz com que muitas pessoas acabem se desconectando do corpo e de seus genitais, inclusive esta desconexão é conhecida como amnésia pélvica sensorial.”
Pressão pelo orgasmo também atrapalha a experiência
Para a profissional, a pressão para “ter que gozar” é um dos grandes sabotadores do prazer. “Quando existe essa cobrança, seja interna ou externa, o prazer deixa de ser um encontro e se transforma em uma tarefa, missão a ser cumprida. A expectativa gera ansiedade, rouba a espontaneidade, a alegria e a leveza do encontro.”
“O orgasmo surge quando há permissão, curiosidade, confiança e entrega, não quando existe cobrança por um resultado específico, então, quanto maior a pressão para chegar ao clímax, mais escorregadio ele se torna”, emenda Paula.
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