O desenhista Daniel Jacaré é um dos destaques da exposição Constelações Contemporâneas da Cena Artística de Brasília
atualizado
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Os desenhos de Daniel Jacaré não congelam o tempo — eles o mantêm em movimento. O artista é um dos participantes da exposição Constelações Contemporâneas da Cena Artística de Brasília que ocupará o Foyer da Sala Villa Lobos, no Teatro Nacional Claudio Santoro. A mostra, uma produção do Metrópoles, reunirá cerca de 40 artistas para celebrar a diversidade da produção contemporânea desenvolvida em Brasília.
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Seu trabalho é atravessado pela ideia de presente contínuo. Em vez de cenas idealizadas ou composições excessivamente planejadas, o artista aposta no improviso e na vivência direta: cadernos de desenho o acompanham em viagens, cafés, restaurantes, eventos e caminhadas pela cidade.
“Não tem controle, não tem borracha, não tem volta. Os traços são sobrepostos e fazem parte da construção”, explica ao Metrópoles. “É uma tentativa de representar o momento atual e eternizá-lo através do desenho.”
Para Daniel, o desenho vai ganhando corpo, ganhando vida, como se estivesse sempre em movimento. “O erro faz parte da construção. A composição final mostra o rastro do desenho.”
Esse dinamismo se reflete também no modo como o artista descreve seu processo criativo. Depois de reunir referências visuais — paisagens, cenas urbanas, movimentos das pessoas — Jacaré desenvolve estudos sobre as cenas.
“A pincelada, para mim, funciona como um risco: dinâmica e expressiva”, destaca.
Essa relação intensa com o espaço urbano e com a arquitetura ganha um novo significado na próxima exposição coletiva da qual o artista participa no Teatro Nacional, em Brasília. Reaberto após anos fechado, o edifício projetado por Oscar Niemeyer carrega um peso simbólico que dialoga diretamente com a trajetória de Jacaré, cuja pesquisa de mestrado foi dedicada justamente aos desenhos do arquiteto.
“Minha expectativa é altíssima”, diz o artista, destacando não apenas a importância do espaço, mas também o contexto coletivo da mostra. Para ele, a exposição reúne diferentes vozes da produção artística local e ajuda a construir um panorama da arte contemporânea feita na capital — ainda em busca de maior visibilidade, mas cada vez mais potente e diversa.
Constelações Contemporâneas da Cena Artística de Brasília
A iniciativa amplia a atuação do Metrópoles no fortalecimento da cena cultural e na defesa de uma arte acessível a todos, apostando na ideia de constelação como fio condutor curatorial — um conceito que propõe encontros, diálogos e múltiplos pontos de vista. O projeto dá sequência à repercussão positiva da exposição É Pau, É Pedra…, que ocupa o Teatro Nacional com mais de 200 obras de Sergio Camargo e permanece aberta ao público até 13 de março.
Confira os nomes dos artistas participantes:
Andre Santangelo, Antônio Obá, Camila Soato, Capra Maia, Carlos Lin, Celso Junior, Christus Nóbrega, Courinos, Daniel Jacaré, Daniel Toys, Desirée Feldmann, Gabriel Matos, Gisel Carriconde, Gu da Cei, Helena Lopes, Iris Helena, João Angelini, Karina Dias, Leo Tavares, Luísa Gunther e Dupla Plus, Marcos Antony, Maria Porto, Marina Fontana, Nelson Maravalhas, Pamela Anderson, Paula Calderon, Patrícia Bagniewski, Raquel Nava, Raylton Parga, Rogério Roseo, Samantha Canovas, Taigo Meirelles, Tamires Moreira, Valéria Pena-Costa, Victoria Serendinicki e Virgílio Neto.
Serviço
Constelações Contemporâneas da Cena Artística de Brasília
De abril a junho, no Foyer da Sala Villa-Lobos, no Teatro Nacional
Diariamente, das 12h às 20h, com entrada gratuita
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