Quase 40 anos após chocar o público da TV aberta, Dona Beja volta ao centro do debate cultural brasileiro. A telenovela da HBO Max, produzida pela Floresta, estreia nesta segunda, dia 2, com a promessa de não suavizar o mito da mulher que transformou desejo, dor e exclusão social em poder.
Remake da novela exibida em 1986 pela extinta Rede Manchete, a nova versão se afasta deliberadamente da lógica da TV aberta contemporânea. A proposta é assumir o novelão adulto, com erotismo explícito, conflitos de classe, violência simbólica e uma protagonista que se reinventa a partir da própria desgraça.
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Desejo, exclusão e vingança
Ambientada em 1815, no Brasil Imperial, a trama se passa em Araxá (MG), onde Ana Jacinta de São José, conhecida como Dona Beja, vive sob os cuidados do avô após perder a mãe e nunca conhecer o pai. Jovem, romântica e apaixonada, ela vê sua vida ruir ao ser sequestrada pelo ouvidor do rei, fascinado por sua beleza.
O rapto, a morte do avô e a separação forçada de seu grande amor, Antônio Sampaio, detonam a primeira grande transformação da personagem. Anos depois, livre e economicamente poderosa, Beja retorna à cidade natal como uma mulher rica, influente e temida. Ao fundar um refinado bordel, transforma a própria sexualidade em instrumento de ascensão social, escandalizando a elite local e subvertendo as regras morais que antes a condenaram.
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Da versão original ao remake
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Criada e escrita por Wilson Aguiar Filho, a Dona Beja original entrou para a história ao apostar em erotismo e crítica social em pleno horário nobre. Protagonizada por Maitê Proença, a novela tornou-se símbolo de transgressão nos anos 1980.
No remake, a história ganha argumento de Renata Jhin, adaptação de António Barreira e Daniel Berlinsky, com direção artística de Hugo de Sousa. A atualização inclui debates contemporâneos, como raça, classe e gênero, ampliando o alcance político da narrativa.
Personagens: remake vs original
Dona Beja
Na primeira versão, exibida pela Rede Manchete em 1986, Dona Beja (na época, Beija, com ‘i’) foi interpretada por Maitê Proença. No remake da HBO Max, a personagem ganha nova leitura comGrazi Massafera. Beja é uma mulher de beleza estonteante que é sequestrada e perde o avô. Anos depois, retorna como uma cortesã rica e influente, transformando a própria sexualidade em instrumento de poder, autonomia e sobrevivência em uma sociedade que a havia excluído.
Antônio Sampaio
Na versão original, Antônio Sampaio foi interpretado por Gracindo Júnior e, no remake, por David Junior. Grande amor de Dona Beja, ele é incapaz de enfrentar a pressão familiar e social para assumir a relação. Com o tempo, transforma frustração e desejo em ressentimento diante da autonomia e da ascensão social da protagonista, desenvolvendo uma obsessão que culmina em atos de violência.
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João Luís
João Luís foi vivido por Marcelo Picchi na versão de 1986 e agora é interpretado por André Luiz Miranda. Prometido a Maria Felizardo, irmã de Antônio Sampaio, ele se envolve com Dona Beja quando ela já é uma mulher poderosa e independente, tornando-se peça central em disputas amorosas e rivalidades masculinas, além de intensificar o ciúme e a obsessão de Antônio pela protagonista.
Cecília Sampaio (Ceci)
Na primeira versão, Ceci foi interpretada por Maria Fernanda Meirelles. Agora, no remake, o papel ficou com Deborah Evelyn. Mãe de Antônio Sampaio, é a principal antagonista feminina da trama. Manipuladora e profundamente moralista, atua desde o início para impedir o relacionamento do filho com Dona Beja, movida por preconceito social e pelo medo de perder status.
Angélica Felizardo Sampaio (Aninha)
Na versão original, Angélica, mais conhecida como Aninha, foi interpretada por Bia Seidl, agora no remake, por Bianca Bin. Amiga próxima e confidente de Dona Beja, ela representa uma das poucas figuras de apoio e acolhimento em meio ao julgamento moral da sociedade de Araxá, funcionando como contraponto humano à hostilidade coletiva que cerca a protagonista.
Maria Felizardo
Na primeira versão, Maria Felizardo foi interpretada por Mayara Magri e, no remake, por Indira Nascimento. Diferentemente de Aninha, que está sempre ao lado de Dona Beja, Maria cumpre o papel oposto na trama. Irmã de Antônio Sampaio, ela engana a protagonista ao fazê-la acreditar que foi abandonada pelo grande amor, ajudando a romper definitivamente o casal.
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