Fórum dos Leitores
politica

Fórum dos Leitores

Notícia da Coluna do Estadão de domingo (A2) estarrece o Brasil: ministros do Tribunal de Contas da União (TCU) ganharam pelo menos R$ 833 mil por reembolso médico em 2025, uma média de R$ 98 mil para cada um. O valor se destina a ressarcir autoridades e seus parentes com gastos de saúde. Procurado pelo Estadão, o tribunal disse que os documentos que embasaram esses reembolsos são sigilosos. Essa resposta, tal qual o benefício em questão, é imoral. É bom lembrar, como diz o jornal, que além desses pagamentos o TCU já oferece assistência médica própria, com consultas e pronto atendimento. É triste constatar como o Brasil caminha para um abismo ético, e justamente pelas mãos de figuras que ocupam cargos relevantes nas nossas instituições: no TCU, no Supremo Tribunal Federal (STF), no Planalto e no Congresso. Só não enxerga quem não quer.

Paulo Panossian

São Carlos

*

Caso Master

Pizza

O caso do Banco Master vem se avolumando a cada dia. Além de Daniel Vorcaro, dono do banco, vários de seus principais diretores, um ex-diretor do Banco de Brasília e empresários são investigados. O Estadão em 28/1 trouxe em sua primeira página a informação de que Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central (BC), sabia de problemas no Master, mas evitou intervir. Em 29/1, excepcional editorial deste jornal dizia que o BC foi muito paciente com o Master, citando novamente Roberto Campos, que deixou a instituição em 2024, quando passou o embrulho para Gabriel Galípolo. Os ministros do STF Dias Toffoli, Alexandre de Moraes, junto com sua esposa, e mais recentemente o ex-ministro aposentado do STF Ricardo Lewandowski foram notícia en passant no rumoroso caso. Não ficou de fora, também, o atual presidente da República, que se encontrou com Daniel Vorcaro no Palácio do Planalto, fora da agenda presidencial, mas, segundo consta, não deu ouvidos às lamúrias do banqueiro. Fala-se em CPI, o que seria um filé neste ano de eleições. “Senhor presidente”, “senhor presidente” é o que mais se ouve nessas comissões, e fica nisso, tudo acaba terminando em pizza. E esta, se instalada, será a costumeira à moda da casa.

Sérgio Dafré

Jundiaí

*

Um dia isto fatalmente vai ocorrer (vamos ser práticos): Dias Toffoli e Alexandre de Moraes antecipam sua aposentadoria do STF. Concomitantemente, Lula e Bolsonaro esquecem suas pretensões políticas, renunciando a candidaturas futuras, e o Brasil esquece seu passado: o STF decide que Lula permanece solto e liberta Bolsonaro. Em consequência, são anulados processos, o golpe, a corrupção em estatais e possíveis outros acordos de delação de empreiteiros (Lava Jato) e banqueiros (Master).

Nilson Otávio de Oliveira

São Paulo

*

Será que alguém acredita que o inquérito da fraude do Master vai chegar a algum resultado? A propósito, como vão as investigações sobre a fraude no INSS, de que quase não se fala mais? Afinal, já foi restituído ao Tesouro Nacional algum tostão roubado dos pensionistas, ou a dívida vai ser paga mesmo com o dinheiro público? E aqueles carros de luxo e obras de arte que teriam sido apreendidos na casa de um suspeito, logo que a fraude veio à tona? Onde estariam agora? Afinal, eram ou não produto do roubo?

Patricia Porto da Silva

Rio de Janeiro

*

Legislação no RS

Faxina nacionalista

Banimos essas plantas e bichos trazidos de fora? (Estadão, 1/2, A6). Espero que o bom artigo de Claudio de Moura Castro faça respingar algum bom senso em certas cabeças ocas que legislam neste país.

Iênidis Benfati

São Paulo

*

Literatura

Livreiras em São Paulo

No caderno Cultura&Comportamento de 31/1 (C1) o Estadão publicou reportagem sobre a atuação mais presente das livreiras. Gostaria de acrescentar uma livreira atuante há longa data e presentemente na livraria da Editora Unesp, na Praça da Sé: Maria Antonia Pavan de Santa Cruz. Seu marido era o sr. José Petronilo de Santa Cruz, fundador da livraria Duas Cidades, onde a sra. Maria Antonia exerceu sua profissão. Essa história confunde-se com as atividades do professor Antônio Cândido, literato e professor de Línguas da Universidade de São Paulo.

Gerd H. Stoeber

São Paulo

*

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

ESTRANHOS REEMBOLSOS

Os ministros do Tribunal de Contas da União (TCU) receberam, em 2025, ao menos R$ 883 mil em reembolsos médicos. Os três ministros que mais se beneficiaram do “Ressarcimento de assistência médica” receberam uma média mensal aproximada de R$ 17 mil, R$ 14 mil e R$ 13 mil. Somas vultuosas, fora do bom senso e do padrão estatístico, mesmo considerando que o benefício seja extensivo aos parentes. Ou esses ministros e suas famílias estão muito doentes, ou a história está mal contada. O TCU diz que informações sobre ressarcimento são pessoais e sigilosas. Está certo. A relação entre médico e paciente é, por princípio, sigilosa. Mas assim como as seguradoras e prestadoras de serviços de saúde têm o direito de solicitar relatórios médicos, o procedimento também precisaria ser adotado em relação às autoridades do TCU. Não basta se esconder por trás do sigilo. É preciso demonstrar transparência.

Luciano Harary

São Paulo

*

‘COMPADRIO BRASILEIRO’

O texto de Fernando Schüler revela que o compadrio deixou de ser desvio para virar método (Estadão, 1.º/2, A11). A mistura entre público e privado já não constrange ninguém – é praticada à luz do dia, amparada por discursos solenes sobre democracia. O problema não é apenas moral, é estrutural: quando a autoridade subordina a lei, a regra vira conveniência. O mais grave, porém, é a naturalização desse arranjo. Aceitou-se ontem o arbítrio em nome de uma causa maior; aceita-se hoje o cinismo. Democracias não morrem só por ataques. Apodrecem quando deixam de se corrigir.

Izabel Avallone

São Paulo

*

ANO JUDICIÁRIO

Por ocasião da sessão de abertura dos trabalhos do Supremo Tribunal Federal (STF), em nome da ética, da transparência e da imparcialidade, que seja emoldurada e afixada na parede principal da mais alta Corte do País a frase, em letras garrafais: “Amigos, amigos, Judiciário à parte”. Muda, STF!

J. S. Vogel Decol

São Paulo

*

SALVAÇÃO

Não esqueçam que, por tudo que aconteceu nos últimos tempos, o dinheiro dos brasileiros está sendo delapidado na Praça dos Três Poderes. Prestem atenção a quem vão dar os seus votos nas próximas eleições. Talvez ainda dê tempo de salvar o Brasil.

Luiz Frid

São Paulo

*

ELEIÇÕES 2026

Chegam as eleições, e as(os) forasteiras(os) vêm aventurar-se em São Paulo, candidatando-se a qualquer cargo político (senadora, deputado federal) por SP, o maior colégio eleitoral do Brasil. Não conhecem o suficiente, nem os locais nem todas as suas necessidades. Depois de eleitos, nos esquecem. O que será que pensam os eleitores de seus estados?

Tania Tavares

São Paulo

*

MAIS DO MESMO

Paulo Roberto Gotaç

Rio de Janeiro

*

IMPUNIDADE

No Brasil, a impunidade não é exceção – é método. Escândalos se sucedem, nomes se repetem, provas aparecem, mas a responsabilidade evapora. Ninguém é culpado; todos são “mal compreendidos”, vítimas do contexto, do sistema ou de perseguição política. Criou-se no País uma espécie de anistia moral permanente, na qual erros graves não exigem explicações e desvios não produzem consequências. A corrupção muda de embalagem, mas o roteiro é o mesmo: investiga-se até onde convém, relativiza-se o resto e segue-se adiante como se nada tivesse acontecido. O discurso público finge indignação, mas a prática é de acomodação. A maioria política decide o que pode ser esquecido, enquanto o cidadão é convidado a normalizar o inaceitável. O errado vira detalhe; o escandaloso, rotina. Nesse ambiente, a ética deixa de ser parâmetro e passa a ser obstáculo. Premia-se a esperteza, protege-se o aliado e empurra-se a conta para a sociedade, sempre chamada a “virar a página”. O problema é que um país que anistia moralmente seus desvios acaba perdendo algo maior: o senso de limite. E quando tudo é perdoável, nada mais é corrigível.

Luciana Lins

Campinas

*

ORGULHO NACIONAL

O mês de fevereiro começou com mais um orgulho nacional. A premiação no Grammy de Caetano Veloso e Maria Bethânia consagrou o que de melhor temos na música popular brasileira (Bethânia e Caetano levam Grammy por álbum gravado em turnê, Estadão, 2/2, A16). Além disso, as manifestações contrárias à política migratória de Donald Trump deram o tom engajado na cerimônia. Plagiando os poetas, é necessária a arte, porque a vida presta, mas não basta.

Adilson Roberto Gonçalves

Campinas

*

TALENTO DUPLO

José Ribamar Pinheiro Filho

Brasília

*

CÃO ORELHA

Meu cachorrinho Juca fez oito anos. Quem diria que eu, depois de anos sendo contra ter bichinhos de estimação em apartamento, justamente por entender que não era um ambiente adequado para animais, estaria hoje celebrando o aniversário do meu pequeno companheiro. Juca é muito importante para mim, pois ele me ajudou na educação dos meus dois filhos. Os meninos aprenderam com ele, que está conosco deste filhote, a amar e cuidar dos animais. Espero que eles extrapolem este sentimento para todas as formas de vida e por todo o sempre. Olhando para o Juca, é difícil entender como alguém pode ser cruel com um animalzinho tão dócil como o Orelha. O que passa pela cabeça de pessoas assim? Espero que tenham se arrependido, não pela repercussão nacional, mas por conseguirem entender que o que fizeram foi algo vil, covarde e insensível. Que sejam punidos pelo ato. Que aprendam com o erro e sejam pessoas melhores no futuro. Viva o Juca! Viva o Orelha!

Carlos Alberto Gratti

Rio de Janeiro

*

RESPONSABILIDADE

Muito pertinentes as considerações de Arnaldo Luiz Corrêa (Fórum dos Leitores, 1.º/2, A4) sobre a tendenciosa conduta da polícia e da Justiça no caso da tortura e morte do cão Orelha, atacado por pura crueldade por jovens de “boas famílias”. Se os culpados são menores e, portanto, ainda ditos irresponsáveis, então seus pais devem responder por eles e ser devidamente condenados, sem consideração dos seus privilégios sociais. Devem ser condenados pelos crimes cometidos por seus filhos e por não os terem educado para que se tornassem cidadãos com respeito pela vida.

Anneliese Fischer Thom

São Paulo

*

ENAMED

Oswaldo Jesus Motta

Rio de Janeiro

*

ESPORTE COMO ALTERNATIVA

Clube de xadrez transforma a vida e a rotina de jovens na Fundação Casa (Estadão, 1.º/2, A24). Tudo a ver para os jovens reeducandos. Jogar xadrez significa ter autocontrole. É um jogo em que não há como voltar atrás: cada jogada tem uma consequência diferente. Como recompensa, há a possibilidade de jogar partidas com outros grupos, promovendo um intercâmbio com excursões internas que servem para oferecer uma verdadeira ressocialização entre os reeducandos, buscando, assim, alternativas à mera punição.

Arcangelo Sforcin Filho

São Paulo

*

PROFISSIONALISMO

O Flamengo perdeu mais um título importantíssimo no futebol por culpa da falta de profissionalismo desses jogadores que ganham bastante dinheiro para defender o clube. Até quando o amadorismo de jogadores carentes do mínimo de preparo psicológico irá comprometer planejamentos e interesses multimilionários e os sentimentos de dezenas de milhões de torcedores? Que haja punição pedagógica à altura.

Marcelo Gomes Jorge Feres

Rio de Janeiro

*

LUCAS PAQUETÁ

Pensamento do dia: a Ilha do Governador vale muito mais que Paquetá.

Roberto Solano

Rio de Janeiro