A Guarda Costeira abordou o petroleiro após uma perseguição de aproximadamente duas semanas, segundo uma autoridade americana informada sobre a operação. Crédito: Departamento de Defesa dos EUA
As Forças Armadas dos Estados Unidos interceptaram dois navios petroleiros ligados à Venezuela. Uma das embarcações, no Atlântico, vinha sendo perseguida pelos americanos durante semanas. O outro barco foi interceptado no Mar do Caribe. A medida representa uma potencial escalada da crise iniciada pela captura do ditador Nicolás Maduro no sábado, 3.
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A interceptação foi confirmada por agências internacionais. A rede estatal russa RT veiculou um vídeo que mostra um helicóptero americano circulando a embarcação em águas internacionais.
A Guarda Costeira abordou o petroleiro após uma perseguição de aproximadamente duas semanas, segundo uma autoridade americana informada sobre a operação. A Guarda Costeira não encontrou resistência ou hostilidade por parte da tripulação.
A perseguição ao navio Marinera, petroleiro com bandeira russa que transportava óleo venezuelano no Atlântico, começou há duas semanas.
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O governo de Donald Trump determinou em dezembro um embargo a todo o transporte de petróleo e derivados para dentro e fora da Venezuela.
Os EUA interceptaram um petroleiro e, desde então, diversos navios desligaram seus sistemas de comunicação e começaram a fugir das forças americanas.
O Bella-1, que navegava com bandeira da Guiana, mudou de nome para Marinera e passou usar registro estatal russo. A Rússia enviou pelo menos um navio da marinha para encontrá-lo e escoltá-lo, de acordo com um funcionário americano informado sobre a operação.
Segundo o The Wall Street Journal, os russos chegaram a mobilizar um submarino no Atlântico para a escolta. Mas relatos indicam que não havia navios russos nas proximidades do petroleiro quando a Guarda Costeira abordou o navio, evitando a possibilidade de um impasse entre as forças americanas e russas, disseram duas autoridades americanas.
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Andreazza comenta a captura do presidente da Venezuela, o ditador Nicolás Maduro, pelos Estados Unidos numa ação militar jamais vista no continente. Crédito: TV Estadão
Sanções
O navio foi sancionado pelos EUA em 2024 por supostamente contrabandear carga para uma empresa ligada ao grupo libanês Hezbollah. A Guarda Costeira dos EUA tentou abordá-lo no Caribe em dezembro, quando ele se dirigia para a Venezuela. O navio recusou a abordagem e seguiu pelo Atlântico.
A apreensão do petroleiro ocorre quatro dias depois da incursão em Caracas que capturou o ditador da Venezuela Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores.
Após a captura do ditador deposto, funcionários do governo Trump afirmaram que continuariam a apreender navios sancionados ligados ao país latino.
A Rússia não comentou imediatamente a operação americana. Em comunicado divulgado na terça-feira à agência de notícias estatal Tass, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia disse que o petroleiro estava operando em total conformidade com o direito marítimo internacional e afirmou que estava recebendo uma atenção crescente dos militares dos EUA e da Otan que era “desproporcional ao seu status pacífico”.
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O petroleiro navegava no Oceano Atlântico entre a Islândia e o Reino Unido com seu transponder de localização ativo, segundo dados de rastreamento de navios da MarineTraffic.
Seu destino não era claro, mas a partir dali, ele poderia ter seguido para o Mar Báltico ou contornado a Escandinávia até Murmansk, porto ártico sem gelo da Rússia.
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Pressão por petróleo
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O governo Trump tem pressionado cada vez mais a Venezuela por suas exportações de petróleo desde que as forças americanas capturaram Maduro no sábado. Na noite de terça-feira, o presidente Trump disse que a Venezuela começaria a enviar petróleo para os Estados Unidos, o que seria uma concessão significativa dos novos líderes venezuelanos.
O governo venezuelano não comentou o anúncio de Trump de que entre 30 milhões a 50 milhões de barris de petróleo — cerca de dois meses de produção — seriam transferidos.
Se confirmada, a medida seria o início do plano do presidente de explorar as vastas reservas de petróleo da Venezuela. Trump disse que controlaria os lucros “para beneficiar o povo da Venezuela e dos Estados Unidos”.
Com base na afirmação de Trump e nos preços atuais de mercado, a Venezuela entregaria entre US$ 1,8 bilhão e US$ 3 bilhões em petróleo aos Estados Unidos. Não está claro se receberia algo em troca. Um bloqueio parcial dos Estados Unidos reduziu as exportações de energia da Venezuela, uma fonte vital de receita.
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Trump disse que quer que Delcy Rodríguez, presidente interina da Venezuela, dê aos EUA “acesso total” à indústria petrolífera venezuelana. As exigências americanas também incluem a expulsão de assessores da China, Rússia e Cuba da Venezuela. Embora Rodríguez tenha levantado a possibilidade de diálogo com os EUA, ela também adotou um tom desafiador. “O governo da Venezuela governa nosso país”, disse ela. “Ninguém mais.” / AP e NYT