Insegurança global, agravada pela disputa da Groenlândia, pela crise no Irã e pelas pretensões imperiais do presidente Donald Trump, é por enquanto a principal ameaça à atividade econômica, à expansão do emprego e, no caso do Brasil, ao crescimento seguro e equilibrado neste ano de eleições.
O País encerrou o último ano com inflação de 4,26%, pouco abaixo do teto da meta. 4.5%, e perspectiva, segundo projeções do mercado, de aumento de preços ao consumidor ainda acima de 4% em 2026.
Candidato a reeleição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve ter interesse especial em manter contido o custo de vida, tarefa complexa durante durante uma disputa eleitoral.
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A complexidade envolve também o crescimento da economia. A expansão do produto deve ter ficado entre 2% e 3% no ano passado, provavelmente mais perto de 2,5%, de acordo com as estimativas correntes.
As projeções para este ano indicam expansão menor, em torno de 1,80%, segundo o boletim Focus. Se quiser impulsionar a atividade e o emprego, neste ano, o governo terá maior dificuldade para frear a inflação.
A contenção dos preços continuará a depender principalmente do Banco Central (BC), isto é, do aperto monetário. Se houver redução dos juros, será lenta, quase certamente. Nesta altura, a expectativa de uma taxa básica de 12,25% no fim do ano pode até parecer otimista.
Se mantiver o padrão de política seguido nos últimos anos, o Comitê de Política Monetária do BC, o Copom, deverá ser muito cuidadoso na redução dos juros, para evitar o risco de de um novo arrocho e, portanto, de um recuo em sua política. O quadro poderá ser diferente se o governo contiver de fato seus gastos. “De fato” significa, nesse caso, sem disfarce contábil.
Manter o desemprego baixo será um objetivo especialmente importante num ano de eleições. O Brasil encerrou o trimestre móvel de setembro a novembro com desocupação de 5,2% da força de trabalho, a menor taxa da série iniciada em 2012, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
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A população ocupada chegou a 103 milhões de pessoas, um novo recorde, assim como a massa de rendimento real habitual, estimada em R$ 367,7 bilhões naquele trimestre.
O desemprego continuou em queda, mas a atividade perdeu vigor no final do ano. Mesmo com a perda de impulso, a produção industrial ainda aumentou 0,7% nos 12 meses até novembro, os serviços avançaram 2,7%, o volume vendido pelo comércio varejista expandiu-se 1,5%. Repetir esse desempenho em 2026 já será um desafio, especialmente se houver empenho em controlar as contas públicas e impedir um aumento da inflação.