O ritmo de recuperações judiciais no agro deve seguir acelerado em 2026, diz Giovana Araújo, diretora de Agribusiness da KPMG. Ela cita como desafios para o setor o custo de capital e a falta de perspectiva de queda relevante dos juros. Segundo a analista, tenderá a recorrer à RJ quem se endividou apostando em preços de commodities que não se concretizaram.
O cenário para 2026 é de preços mais baixos. Segmentos antes da porteira devem sofrer mais, enquanto as tradings e os exportadores se sairão melhor. “Veremos safras recordes em um cenário estruturalmente desafiador.” Dados recentes da Serasa Experian vão nessa direção: foram 628 pedidos de RJ no agro no 3.º trimestre de 2025, maior volume desde 2021.
Sucroenergético entra na zona de risco
A cadeia de açúcar e etanol, que vinha resiliente, começará a sofrer mais pressão em 2026. O preço do açúcar caiu bastante e, para o biocombustível, há a concorrência do etanol de milho. O setor passa a enfrentar desafios financeiros similares aos de outros segmentos do agro, projeta Araújo, com margens mais apertadas.
Praticidade
A Vida Veg, fabricante de produtos à base de plantas, viu crescer em 93% as vendas de bebidas vegetais em 2025. O avanço veio após o lançamento da versão que dispensa refrigeração antes de aberta, o que ampliou a distribuição do produto. O leite de aveia liderou o crescimento, com salto de 163% nas vendas até novembro, conta Álvaro Gazolla, o CEO da empresa. A Euromonitor avalia que esse mercado movimentará R$ 1 bilhão no Brasil até 2029.
Capacidade
A Vida Veg investiu R$ 10 milhões no fim de 2024 para triplicar a fábrica em Lavras (MG). A capacidade produtiva saltou de 200 para 1 mil toneladas mensais. Segundo Gazolla, a empresa aposta no crescimento do público que busca alternativas ao leite animal, seja por intolerância à lactose ou por opção alimentar.
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Integração
Margem estreita
A rentabilidade da safra de grãos este ano deve ser pressionada por uma combinação de preços estáveis, tendendo à baixa, com custo de produção mais alto, avalia José Carlos Hauscknecht, sócio-diretor da consultoria MB Agro. A situação financeira dos agricultores, muitos deles endividados, também vai influenciar. “Produtores com contas acumuladas de outras temporadas terão margens menores, bem como aqueles que precisam de crédito mais caro”, observa.
No campo
A produtividade obtida na safra será determinante para garantir lucro aos produtores, segundo Hauscknecht, o que vai variar de região para região. No ciclo passado, os rendimentos recordes ajudaram a fechar o resultado no azul. Outro fator decisivo será o dólar, pondera o especialista. Um câmbio mais apreciado no momento de venda da safra pode compensar eventuais preços mais baixos.
Novo titular
Geraldo Melo Filho assume na próxima semana a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. Economista, produtor rural, foi presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) de 2019 a 2022 e atuava como diretor-geral do Instituto Pensar Agropecuária (IPA), braço técnico da bancada parlamentar agropecuária. Ele foi convidado para o cargo pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). “É um grande desafio ajudar o governador na condução do maior setor da economia brasileira, no maior Estado do País”, diz.