Dois dias após os bombardeios americanos que levaram à captura do ditador Nicolás Maduro, a rotina começa a reaparecer em Caracas, capital da Venezuela. Padarias, cafés e outros comércios reabriram nesta segunda-feira, 5, e as ruas voltaram a ter movimento. O clima, no entanto, segue atravessado pelo medo e pela incerteza em relação ao futuro.
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Para entender como a cidade vive depois do ataque que deixou pelo menos 80 mortos, o Estadão conversou com três moradores de Caracas: uma comerciante, um professor universitário e uma engenheira. Nenhum quis ter o nome divulgado. Por isso, a reportagem adotou nomes fictícios.
Os três contam que estavam em casa no momento do ataque e não associaram o barulho a uma ação militar. A comerciante María Fernanda, de 53 anos, pensou se tratar de um terremoto; já a engenheira Rosa, de 68, achou que fosse um trovão.
Segundo os relatos, o bombardeio afetou a rotina da capital venezuelana no sábado, 3, e no domingo, 4, com ruas vazias, comércio fechado e restrições no transporte público.
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Supermercados e farmácias que permaneceram abertos registraram filas, e muitos venezuelanos correram para estocar alimentos e medicamentos diante do receio de um novo ataque.
Rosa conta que alguns supermercados chegaram a limitar a entrada de clientes. No domingo, conta a engenheira, houve escassez de produtos frescos, como frutas e verduras, enquanto itens básicos e duráveis — enlatados, arroz, farinha, café e papel higiênico — concentraram a procura.
Nesta segunda-feira, no entanto, o cenário já foi outro. “Hoje, tudo está normal. O transporte público está funcionando e as pessoas estão trabalhando. Os supermercados já não têm filas. Há pouco eu estava tomando café em uma cafeteria que estava cheia”, afirma María Fernanda.
Luis Rodríguez, que é professor em uma universidade pública e outra privada, também diz que as atividades voltaram nesta segunda-feira. “Funcionários de empresas privadas foram trabalhar hoje, o comércio em geral abriu e os serviços também estão operando normalmente. Estamos retornando à vida normal pouco a pouco. Ontem, por exemplo, minha família e eu fomos à igreja”, conta o docente.
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A volta gradual da rotina, no entanto, convive com um sentimento de incerteza sobre o futuro do país. Os três venezuelanos ouvidos pelo Estadão compartilham dessa percepção e relatam que, em público, as pessoas têm evitado falar sobre a captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro.
“As ruas estão voltando ao normal, mas as pessoas não parecem felizes nem comemorando, ao contrário dos venezuelanos que vivem no exterior”, comenta Rosa. “Não sabemos o que vai acontecer. Obviamente, estamos contentes (com a queda de Maduro), mas ninguém sabe o que vem pela frente. Estamos todos muito inseguros.”
María Fernanda resume em uma palavra o clima nas ruas: silencioso. Segundo ela, pouco se fala sobre o que aconteceu no fim de semana porque “há muita incerteza e não se sabe o que vai acontecer”. “As pessoas não opinam sobre o assunto.”
Na mesma linha, Luis Rodríguez afirma que muitos venezuelanos evitam comentar o ataque e a captura de Maduro em público, inclusive por segurança. “Só falamos em círculos pequenos. Em público, as pessoas preferem não comentar o que aconteceu. O cima nas ruas é de muita incerteza e apreensão.”
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Os três entrevistados dizem que houve maior presença de policiais nas ruas no domingo, mas que, nesta segunda, a situação já voltou a níveis mais usuais. Rosa foi a única a dizer que percebeu um efetivo policial maior nas grandes avenidas.