Opinião | Lula exalta indicadores econômicos, mas problema de seu mandato é a disparada da dívida
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Opinião | Lula exalta indicadores econômicos, mas problema de seu mandato é a disparada da dívida

Os números mostram que a dívida bruta no terceiro mandato de Lula saltou de 71,68% do PIB, em dezembro de 2022, para 79% do PIB, em novembro deste ano, último dado disponível. Um crescimento de 7,32 pontos percentuais em apenas três anos. Quando os economistas projetam o que vem pela frente, caso tudo fique constante, chega-se à constatação de que o Brasil terá problemas com as contas públicas, o que em última análise vai se transformar em disparada do dólar, da inflação e dos juros.

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Lula 3 só ganha do período Dilma/Temer em termos de crescimento da dívida, desde que a série histórica atual do Banco Central teve início, em 2006. Entre 2015 e 2018, a dívida subiu 19 pontos percentuais, refletindo a hecatombe econômica provocada pelo governo da ex-presidente, que perdeu as condições políticas de terminar o mandato. Ainda que o crescimento agora seja menor, o seu ritmo de alta é claramente inviável.

Em seu segundo mandato, entre 2007 e 2010, Lula reduziu a dívida em 3,71 pontos porcentuais. No governo Bolsonaro também houve queda, de 3,59 pontos. Agora, esse forte aumento de 7,32 pontos em apenas três anos.

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    A equipe econômica culpa as despesas com juros para explicar essa alta, e afirma que vem reduzindo o déficit primário ano a ano. A questão é que esse ajuste lento vai exigir um superávit primário ainda mais alto para reequilibrar a dívida: quem deve mais precisa economizar mais para voltar ao azul.

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    O Brasil hoje só não vive uma crise aguda de desconfiança porque vários países do mundo estão ampliando gastos e aumentando também as suas dívidas. Isso atenua a nossa piora em termos relativos. E o mercado financeiro acredita que um governo de oposição vá vencer as eleições de outubro e reequilibrar as contas. Uma aposta arriscada dos investidores, já que Lula continua favorito.

    Esses dois fatores podem se esvair rapidamente e levar a economia a passar por uma forte correção nos preços dos ativos, em caso de continuidade do governo. A pergunta que fica é: nesse cenário, Lula vai corrigir o rumo ou dobrar a aposta? Essa é a dúvida que paira na cabeça de empresários e investidores.