IA precisa ganhar escala, mas é uma revolução, diz Mastercard
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IA precisa ganhar escala, mas é uma revolução, diz Mastercard

A inteligência artificial já é uma realidade nos pagamentos e compras com cartões, mas ainda precisa ganhar escala. A nova tecnologia já começou a ser testadas por grandes redes, como o Walmart e Amazon nos Estados Unidos. Fora da maior economia do mundo, o principal teste é no Brasil com a Magazine Luiza e a GetNet.

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“Essa tecnologia é uma realidade. Não está em escala em todos os lugares. Mas está sendo testada”, disse à Coluna o responsável pela área digital da Mastercard, Pablo Fourez, após fazer apresentação da nova tecnologia no evento anual de tecnologia e inovação da bandeira de cartões, em Miami.

A bandeira deu o nome de “Agent Pay”, na medida em que são compras buscadas e feitas por agentes de IA, que em português vem recebendo o nome de “pagamento agêntico”.

Na prática, a IA busca produtos, conforme critérios definidos pelas pessoas e, com autorização, faz as compras. “Basicamente, você tem agora robôs disponíveis 24 horas por dia, 7 dias por semana, todos os dias do ano e que podem tornar as compras mais fáceis”, disse o diretor.

Um exemplo de uso é a compra de uma passagem aérea, feita em comando de voz para um agente de IA. A pessoa fixa destinos, horários e valores e o robô fica pesquisando sem parar, até que o preço baixe para um nível previamente fixado. Se estiver programado, já faz a compra naquele momento, livrando a pessoa de ficar pesquisando passagens por dias seguidos. E é possível combinar a compra da passagem com todas as outras coisas, como hotéis e alugueis de carros e também fixar critérios para outras pessoas que estão na mesma viagem, para tudo ser feito pelo mesmo agente.“E já temos algumas dessas inovações que estão acontecendo.

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“Apesar de o dinheiro em espécie ainda ser rei em alguns casos, a adoção digital é incrível na maioria dos mercados da América Latina”, comenta o diretor da Mastercard. Por isso, a região tem uma série de oportunidades para meios eletrônicos de pagamentos. Até fevereiro de 2026, bancos emissores de cartões estarão habilitados para usar o “Agente Pay”.

Nessa nova tecnologia, porém, nem tudo é festa. “Há uma série de novos problemas que precisam ser enfrentados”, comenta Fourez. Primeiro, é preciso ter certeza que a pessoa consentiu para a compra ser feita e certificar os agentes envolvidos em todas as pontas, para evitar fraudes e roubos. Também é preciso ter certeza de que o agente comprou exatamente o que a pessoa queria, porque os problemas podem ser maiores depois. Por exemplo, no caso de uma passagem aérea comprada errada. “Sabemos que essa tecnologia vai ser usada não apenas pelos bons, mas pelos maus também.”

E para essa tecnologia escalar para uso mais amplo, é necessário resolver todos esses problemas. Entre os desafios, é preciso de novas maneiras que sejam criptograficamente seguras para validar que os agentes envolvidos no sistema são quem dizem ser. Também é preciso avançar em pagamentos tokenizados, em que a cada transação é gerada uma senha. “Ainda temos trabalho a fazer.”

Para essas operações acontecerem, considerando que são transações feitas por IA, é preciso um arranjo com todos os participantes do sistema de pagamentos, de bancos a lojas passando pelas empresas de maquininhas e todos serão certificados pela Mastercard, explicou o presidente da bandeira no Brasil, Marcelo Tangioni.

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Para ele, este arranjo é positivo para o lojista, que pode aumentar suas vendas, e para o consumidor, que tem a compra facilitada e a melhores preços. “Mas é preciso de toda a proteção e por isso os testes iniciais são muito importantes.”