EUA são hoje o maior produtor do mundo, e a Venezuela tem a maior reserva. Crédito: TV Estadão
Apesar do crescimento esperado de mais de 10% na produção em 2026, o petróleo não tem um peso muito significativo no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. A indústria extrativa (composta sobretudo pelos segmentos de petróleo, mineração e madeira) é responsável por cerca de 3,5% da atividade econômica do País.
A importância do petróleo está principalmente na arrecadação do setor público e na balança comercial, afirma a economista Silvia Matos, do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre/FGV). Ela lembra que, até 2015, o Brasil dependia da importação de combustível. Hoje, ainda que o País tenha dificuldade no refino, virou um exportador na área. “Um quarto do nosso saldo comercial está vindo do petróleo.”
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Matos acrescenta ainda que o segmento também tem impulsionado os investimentos. Segundo seus cálculos, do crescimento de 4% nos investimentos no Brasil no ano passado, metade corresponde a plataformas de petróleo.
Levantamento do economista Bráulio Borges, diretor da LCA Consultores, aponta que, de 2011 a 2019, a arrecadação do governo federal com o petróleo foi de 0,9% do PIB. Com o crescimento da produção, esse número está agora em 1,7%. “Acho que pode se aproximar de 2,5% na próxima década”, diz.
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Assim como Matos, Borges também destaca que o produto ganhou relevância na balança comercial. “Sempre fomos deficitários em petróleo, mas hoje temos superávit. O petróleo passou a ter importância para gerar divisas para o pagamento de dívida. Isso é relevante para um país com déficit em conta corrente como o Brasil.”
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A relevância do petróleo para a economia do País é destacada por Matos diante das críticas atuais à exploração da foz do Rio Amazonas e à necessidade de abandonar o uso de combustíveis fósseis para controlar o aquecimento global. “Ela (a Margem Equatorial) é muito importante para o País.”
Fundador do Centro de Energia, Finanças e Desenvolvimento (CEFD), o economista Nicolas Lippolis diz, no entanto, que a dependência arrecadatória hoje é localizada em alguns Estados, como o Rio de Janeiro. Ele afirma também ser possível abrir mão de forma gradual desses recursos. “A receita do petróleo é mal distribuída e mal aproveitada. Não acho que dependamos tanto dela.”
Segundo Lippolis, em relação à segurança energética, seria possível deixar o petróleo conforme novos investimentos fossem feitos em fontes renováveis. “Agora, do ponto de vista estratégico, parece difícil abdicar unilateralmente da exploração”, afirma ele. “É preciso que que países busquem um acordo internacional para limitar a produção. Esse é o único caminho para alcançar as metas climáticas.”
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