Calor extremo: como proteger cães e gatos das altas temperaturas
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Calor extremo: como proteger cães e gatos das altas temperaturas

A onda de calor que atinge diversas regiões do Brasil, com alertas emitidos pelo Inmet e temperaturas acima da média histórica, não afeta apenas os humanos. Para cães e gatos, o risco é ainda maior e a preocupação dos tutores aparece de forma clara nos dados do Google Trends: aqui no Brasil, as perguntas “como aliviar o calor do cachorro?” e “como refrescar o gato no calor?” aparecem em ascensão nas últimas 48 horas no buscador.

Diferentemente das pessoas, cães e gatos não transpiram pelo corpo inteiro. Os cães regulam a temperatura principalmente pela respiração ofegante e pelas patas; os gatos usam a lambedura para umedecer a pelagem e dissipar o calor por evaporação.

Esse mecanismo é limitado e torna a hipertermia (o aumento perigoso da temperatura corporal) uma condição relativamente comum em dias extremos, com risco real de morte se não houver intervenção rápida.

A seguir, reunimos orientações práticas, baseadas em recomendações de saúde animal, para ajudar tutores a atravessar os dias mais quentes com segurança.

Hidratação não é detalhe: é prioridade

Manter o pet bem hidratado é a medida mais importante para ajudar o organismo a regular a temperatura e evitar a desidratação. A água deve estar sempre limpa, fresca e disponível, com trocas frequentes ao longo do dia.

Em dias muito quentes, adicionar cubos de gelo pode ajudar a manter a água fria e estimular a ingestão. No caso dos cães, também é possível oferecer picolés feitos com ração úmida diluída em água ou caldos naturais sem sal e sem açúcar. Já os gatos tendem a beber mais quando a água está em movimento — fontes elétricas costumam ser uma boa aliada para aumentar o consumo.

O ambiente pode ajudar (ou piorar) o calor

Cães e gatos superaquecidos buscam instintivamente superfícies frias, como pisos de cerâmica, ou áreas sombreadas da casa. Esse comportamento é um sinal claro de desconforto térmico.

Garantir boa ventilação é essencial. Ventiladores, climatizadores evaporativos ou ar-condicionado ajudam a reduzir a temperatura do ambiente e facilitam a dissipação do calor corporal. Também vale criar “refúgios frescos”, como cômodos mais arejados ou tapetes gelados — lembrando que alguns animais demoram a se adaptar e podem preferir deitar ao lado, e não em cima deles.

Um alerta importante: nunca deixe o pet sozinho em ambientes fechados e quentes, especialmente dentro do carro. Mesmo com janelas abertas, a temperatura interna sobe rapidamente e pode causar intermação em poucos minutos.

Horário do passeio

O calor acumulado no asfalto e no concreto pode causar queimaduras nas almofadinhas das patas, comprometendo a locomoção do animal. Por isso, os passeios devem ser evitados nos horários mais quentes do dia.

O ideal é sair no início da manhã ou no fim da tarde. Antes de colocar o pet na rua, um teste simples ajuda: encoste a mão ou o pé descalço no chão por alguns segundos. Se estiver quente demais para você, também estará para ele. Sempre que possível, prefira trajetos com sombra, grama ou terra, que absorvem menos calor do que o asfalto.

Pelagem, tosa e acessórios: nem tudo refresca

Ao contrário do que muitos imaginam, a tosa nem sempre ajuda. Em várias raças, o pelo funciona como um isolante térmico natural, protegendo tanto do frio quanto do calor. Raspar completamente pode expor a pele ao sol e aumentar o risco de queimaduras e outros problemas dermatológicos.

Para animais de pelo longo ou denso, a melhor estratégia é a escovação frequente, que remove o excesso de pelo morto e facilita a ventilação. Em alguns casos, como gatos, a tosa localizada (especialmente na região da barriga) pode ser considerada com orientação profissional.

Evite também roupas, calçados e coleiras de corrente metálica. Esses itens retêm calor e dificultam a troca térmica, além de o metal poder aquecer excessivamente e causar queimaduras. Para pets de pele clara ou com pouco pelo, o uso de protetor solar específico para animais é recomendado.

Hipertermia é emergência: saiba reconhecer os sinais

A hipertermia, também chamada de insolação, é uma emergência veterinária. Sem atendimento rápido, pode levar à falência de órgãos e à morte em poucas horas.

Entre os principais sinais de alerta estão respiração ofegante intensa, língua e gengivas muito avermelhadas ou arroxeadas, salivação excessiva, fraqueza, desorientação, tremores, vômitos, diarreia e, em casos mais graves, convulsões ou perda de consciência.

Diante de qualquer suspeita, procure um veterinário imediatamente. Enquanto se desloca, é possível iniciar o resfriamento de forma gradual, molhando o corpo do animal com água fresca (nunca gelada), especialmente na região do pescoço e da cabeça. Água muito fria pode causar vasoconstrição e dificultar a perda de calor. Ventiladores ou ar-condicionado ajudam no resfriamento evaporativo durante o trajeto.