Schüler vê isolamento de Maduro e pragmatismo de Trump
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Schüler vê isolamento de Maduro e pragmatismo de Trump

Para o analista, o governo chavista perdeu sua legitimidade após fraudes eleitorais e não conta com suporte relevante nem mesmo entre vizinhos latino-americanos. Schüler classificou as manifestações de países como Colômbia e México como "blá-blá-blá diplomático" e notas protocolares que evitam citar nominalmente Maduro.

Interesses econômicos e o setor de petróleo

Schüler ressalta que o governo de Donald Trump atua com base em cálculos pragmáticos e oportunidades de negócios. Ele destacou que a Venezuela detém 17% das reservas mundiais de petróleo, mas produz apenas uma fração de sua capacidade, o que atrai o olhar das gigantes americanas.

"As empresas americanas, especialmente a Exxon, foram expulsas da Venezuela pelo chavismo no início dos anos 2000", relembrou o cientista político. Na visão de Schüler, Washington busca compensações por essas expropriações e vê na crise atual o momento ideal para retomar a influência no setor energético venezuelano.

A estratégia americana, segundo o analista, não foca necessariamente na restauração da democracia, mas na estabilização de um cenário favorável aos seus interesses econômicos e na recuperação de ativos perdidos.

Pragmatismo político e o futuro do chavismo

De acordo com a análise de Schüler, existe uma percepção em Washington de que a oposição, liderada por Maria Corina Machado e Edmundo González Urrutia, não possui estrutura política suficiente para governar o país neste momento. Por isso, a estratégia dos EUA seria trabalhar com figuras remanescentes do chavismo, como Delcy Rodríguez.

"A avaliação política é totalmente pragmática. Não há questão democrática nesse momento", afirmou Schüler. Ele avalia que um governo chavista enfraquecido pode interessar mais aos Estados Unidos para uma transição longa e consorciada do que a convocação imediata de novas eleições ou o empoderamento total da oposição.

Intervenção autolegitimada pela crise

O cientista político conclui que a atual intervenção americana na região encontra espaço devido à descredibilização completa do governo Maduro perante o mundo. Para ele, o regime se tornou insustentável por sua própria incompetência administrativa e falta de apoio global.

Schüler minimiza as declarações de líderes europeus, como o presidente francês Emmanuel Macron, que sugerem o empoderamento da oposição. Para o analista, a lógica atual é ditada pela força e pelo pragmatismo, onde a fragilidade absoluta do chavismo acaba por "autolegitimar" as ações externas lideradas pelos Estados Unidos.

Entenda a ofensiva dos EUA contra a Venezuela

Os Estados Unidos realizaram na madrugada de 3 de janeiro uma operação militar contra a Venezuela, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua mulher, Cilia Flores. A ação provocou bombardeios em pontos estratégicos do país, um apagão em Caracas e levou o governo venezuelano a declarar estado de emergência, acusando Washington de violação de soberania

Horas depois, o presidente americano Donald Trump confirmou o ataque e afirmou que Maduro foi detido por forças dos EUA. Em declarações posteriores, Trump confirmou que o líder venezuelano foi levado para Nova York, nos Estados Unidos, para ser julgado por acusações de terrorismo e tráfico de drogas.

Em entrevista coletiva, Donald Trump afirmou que os Estados Unidos vão governar a Venezuela após a captura de Maduro, declaração que ampliou a reação internacional e levantou questionamentos sobre uma possível ocupação ou administração provisória do país.

O presidente americano também afirmou que a ofensiva teve como um de seus objetivos a recuperação de petróleo que teria sido retirado dos Estados Unidos pelo regime venezuelano. Segundo Trump, o recurso foi tomado “como doce de bebê”, expressão usada por ele para justificar a intervenção e reforçar o discurso de prejuízo econômico aos EUA.

Ele também disse que a captura de Maduro serve como alerta a outros líderes que desrespeitem os interesses dos EUA. Trump declarou ainda que a Venezuela será “reconstruída” com recursos do petróleo recuperado pelos EUA, reforçando a ideia de controle econômico sobre Caracas.

Durante a ofensiva, bombardeios provocaram um apagão em Caracas, segundo autoridades locais, e aeronaves militares americanas foram registradas sobrevoando o território venezuelano.

Após o anúncio da captura, a vice-presidente da Venezuela exigiu provas de vida de Maduro, enquanto o governo chavista solicitou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU.

Trump afirmou que acompanhou a operação em tempo real e comparou a ação a um “reality show”. Mais tarde, a Casa Branca divulgou uma imagem de Maduro sob custódia, sendo levado aos Estados Unidos.

Na Venezuela, a captura do presidente aprofundou a instabilidade política e econômica. Houve corrida a mercados, e setores da oposição, representados pela líder da oposição, María Corina, passaram a defender uma transição de poder, enquanto cresce a incerteza sobre a condução do país.

A operação recebeu apoio de aliados do governo Trump. O vice-presidente americano afirmou que os ataques se justificam por um suposto “roubo de petróleo” por parte do regime venezuelano.

Em reação, líderes internacionais criticaram a ofensiva. A Rússia condenou a ação e classificou a operação como uma agressão armada.

No Brasil, o governo Lula criticou duramente a ofensiva, afirmando que a captura de um chefe de Estado estrangeiro ultrapassa os limites do direito internacional. O país elevou o nível de alerta militar no Norte, embora o Itamaraty tenha informado que a situação na fronteira segue normal.

Analistas avaliam que a ofensiva dos EUA contra a Venezuela representa uma escalada sem precedentes e pode redefinir o equilíbrio político na América Latina.