Mesmo com a hegemonia das plataformas de streaming, o disco de vinil consolidou um retorno expressivo ao mercado fonográfico brasileiro. Dados da Sala Digital da Band, em parceria com o Google, revelam que a procura pelo termo "vinil" registrou uma alta de 25% em comparação ao ano de 2024.
Esse movimento reflete não apenas o interesse de colecionadores veteranos, mas também de uma nova geração, como o jovem aprendiz Vinicius Oliveira, de 17 anos, que defende a superioridade da batida analógica frente aos arquivos digitais.
Em São Paulo, a maior loja de discos da América Latina abriga um acervo superior a um milhão de exemplares. O mercado de relíquias é aquecido, com itens raros que podem alcançar o valor de R$ 40 mil, segundo Reginaldo Carvalho, auxiliar de gerência do estabelecimento. Além dos discos, os equipamentos de reprodução originais da década de 70 são altamente valorizados, com preços que partem de R$ 1 mil.
A ciência por trás do som analógico
A preferência pelo LP (Long Play) não é apenas nostálgica; há uma explicação técnica para a diferença de timbre percebida pelos audiófilos. O produtor musical João Marcelo Bôscoli explica que o vinil utiliza um sistema analógico, onde a música é gravada diretamente nos sulcos do disco. A agulha, ao percorrer essas ranhuras, lê vibrações contínuas, proporcionando um som mais vivo, natural e rico em nuances.
Diferente do vinil, o áudio das plataformas de streaming passa por um processo de compressão. Para facilitar o tráfego de dados na internet e ocupar menos espaço de armazenamento nos dispositivos dos usuários, os arquivos digitais têm sua resolução reduzida. Para o historiador João Paulo Pimenta, essa compressão resulta em um som "mais básico" e desprovido do colorido sonoro que o formato físico preserva.
Ritual e experiência sensorial
Além da questão técnica, o "culto ao vinil" envolve uma experiência que transcende o sentido da audição. João Marcelo Bôscoli ressalta que o ritual de manusear a mídia física, observar os detalhes da arte da capa e até o aroma característico do material compõem um "encantamento" que o streaming não consegue replicar.
A tendência de retomada dos formatos físicos começa a atingir também o CD, indicando que o público busca uma conexão mais profunda e tangível com a música. No final, a escolha entre a praticidade do digital ou a fidelidade do analógico depende da percepção individual e da importância que cada ouvinte dá ao ritual de apreciação musical.