Dois casos de feminicídio registrados no mesmo dia chocaram a capital paulista e o interior de São Paulo. As vítimas, Nicole Merheje, de 34 anos, e Nayara de Souza Lopes, de 33, foram mortas em circunstâncias de extrema violência, ambas na presença de seus filhos pequenos. Os crimes reforçam o cenário de aumento da violência contra a mulher no estado.
Na capital paulista, Nicole Merheje foi encontrada morta dentro do quarto de sua casa. O pai da vítima, de 75 anos, estranhou o fato de a filha estar trancada no cômodo por várias horas com a filha de apenas dois anos. Ele relatou ter ouvido a criança chorar e resmungar, sem resposta da mãe. Diante da situação, pediu ajuda a uma vizinha e acionou a polícia.
Quando os policiais arrombaram a porta do quarto, Nicole já estava sem vida. A vítima apresentava diversos ferimentos pelo corpo, e a polícia trabalha com a hipótese de que ela tenha sido espancada até a morte. A criança estava no local no momento do crime e pode ter presenciado a agressão. As autoridades também investigam a suspeita de possível abuso sexual contra a menina.
Na véspera do crime, o suspeito esteve no quarto com Nicole, onde os dois discutiram de forma intensa. O pai chegou a intervir, ameaçando chamar a polícia caso a briga continuasse. Após o silêncio repentino, ele acreditou que a situação havia se acalmado e foi dormir. Na manhã seguinte, encontrou a filha morta.
O homem está foragido. Investigadores estiveram na casa da mãe do suspeito, em Diadema, onde encontraram a moto e o capacete da vítima. A polícia acredita que ele tenha usado o veículo para fugir do local.
No mesmo dia, outro feminicídio foi registrado em Arthur Nogueira, no interior do estado. Nayara de Souza Lopes, de 33 anos, foi morta pelo ex-marido, que não aceitava o fim do relacionamento. Ela chegava em casa acompanhada do filho de três anos quando foi abordada pelo agressor.
Segundo a polícia, o homem obrigou Nayara a entrar na residência, onde houve uma discussão. Vizinhos ouviram gritos de socorro e acionaram a Polícia Militar. Quando a equipe chegou, a vítima já estava morta. O suspeito, de 37 anos, fugiu e segue sendo procurado.
O casal teve um relacionamento de cerca de 18 anos e também tinha um filho de 15 anos, que não presenciou o crime por estar na casa dos avós. De acordo com as investigações, o suspeito apresentava comportamento controlador e ciúmes excessivos.