O Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) é um programa do Ministério da Educação (MEC) que permite ao estudante financiar parte ou a totalidade da graduação em instituições privadas de ensino superior, conforme a renda familiar. A seleção é feita com base na nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e no perfil socioeconômico do candidato.
As inscrições para o Fies 2026 começam nesta terça-feira, 3, e seguem até sexta-feira, 6. Nos últimos anos, o programa tem se consolidado como uma das principais alternativas para estudantes que desejam cursar Medicina, mas não conseguem arcar integralmente com as mensalidades, que estão entre as mais altas do ensino superior no país.
Nesta terça-feira (3/2), o podcast Quero Estudar Medicina exibe um episódio ao vivo no canal Band Jornalismo, às 20h, com foco no Fies e em opções de financiamento privado para o curso de Medicina. Durante a transmissão, especialistas vão esclarecer dúvidas e responder perguntas enviadas em tempo real pelo chat.
Fies amplia acesso, mas exige planejamento financeiro
“O Fies desempenha um papel relevante na estrutura social e educacional brasileira ao ampliar o acesso a instituições privadas de ensino superior”, avalia João Marcos Barreiros Joaquim, coordenador pedagógico do Poliedro Curso. Segundo ele, o programa viabiliza o ingresso de estudantes que, sem o financiamento, dificilmente conseguiriam acessar esse tipo de formação.
Apesar das condições facilitadas, especialistas alertam que a decisão de aderir ao Fies exige planejamento. “Mesmo com juros baixos ou até zero em algumas situações, além de um prazo estendido para pagamento após a formatura, é importante lembrar que se trata de um financiamento e deve ser encarado como um compromisso financeiro”, reforça João Marcos.
Para Luis Gustavo Megiolaro, diretor de Unidades Escolares do Poliedro, o planejamento deve envolver toda a família. “É fundamental analisar se esse compromisso cabe no orçamento a longo prazo. Medicina é um projeto de vida, e essa decisão precisa ser tomada com cautela”, afirma.
Ainda assim, Megiolaro destaca o impacto social do programa. “Para o estudante que não conseguiu vaga pelo Sisu, não teve acesso ao Prouni e não consegue pagar mensalidades que chegam a R$ 12 mil, o Fies pode ser a oportunidade de transformar o sonho da Medicina em realidade”, diz.
Na avaliação de João Pongelupe, diretor de Jornada do Candidato da Inspirali, a escolha pelo financiamento também deve considerar a perspectiva profissional futura. “A Medicina é uma carreira com remuneração inicial elevada, mesmo antes da residência ou de uma pós-graduação. Isso representa uma possibilidade concreta de mudança de patamar de vida para o estudante e sua família”, pontua. “Desde que analisada com responsabilidade, o Fies pode ser um caminho viável.”