Pressionado por escândalos, STF anuncia Código de Conduta
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Pressionado por escândalos, STF anuncia Código de Conduta

Na abertura oficial dos trabalhos do Poder Judiciário para o ano de 2026, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, anunciou que a criação de um Código de Conduta para os ministros da Corte será a principal prioridade de sua gestão. A medida, que terá a ministra Cármen Lúcia como relatora, foi apresentada como uma resposta à "necessidade de uma maior transparência, responsabilidade e confiança pública no Supremo".

Em seu discurso, Fachin defendeu que o código deve servir para prevenir conflitos de interesse, consolidar normas de conduta e promover a integridade institucional, ressaltando que, em um ano eleitoral, a Justiça deve manter-se equidistante das disputas políticas e coibir abusos.

O anúncio de Fachin ocorre em um momento de acentuado desgaste para o STF, abalado por uma série de episódios que conectam seus membros ao controverso Banco Master e seu dono, Daniel Vorcaro. Entre os fatos que vieram a público, estão a existência de um contrato de R$ 129 milhões entre o banco e o escritório de advocacia de Viviane Bart, esposa do ministro Alexandre de Moraes, e a transação comercial na qual um primo e dois irmãos do ministro Dias Toffoli venderam cotas de um resort a pessoas ligadas a Vorcaro.

A teia de relações se torna ainda mais complexa com as acusações feitas pelo piloto de jatinho Mauro Matosinho. Em depoimentos e vídeos, Matosinho afirma ter pilotado para o ministro Dias Toffoli em uma viagem com destino final a um resort e, em outra ocasião, ter transportado uma sacola de papel contendo dinheiro.

Segundo o piloto, a encomenda, que ele descreve como "grana", teria como destinatário o senador Ciro Nogueira. Matosinho conecta os voos a empresários que atuavam no setor de combustíveis e que, segundo ele, hoje são apontados pela Polícia Federal como lideranças da organização criminosa PCC. Esses pagamentos, feitos em espécie, eram ironicamente chamados de "cargas perigosas".